Temas mais buscados em junho de 2021: Álcool

Ryan Syrek

Notificação

4 de junho de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook!

Novos estudos sobre os impactos do consumo das bebidas alcoólicas na saúde foram divulgados (ver infográfico abaixo) em um momento em que o consumo de bebidas alcoólicas está em alta, tornando-o tema clínico mais buscado da semana. Um dos maiores estudos sobre bebidas alcoólicas e saúde do cérebro já realizados descobriu que o consumo de qualquer quantidade de álcool está associado a pior saúde cerebral. O estudo, que ainda não foi avaliado por pares, contou com mais de 25.000 adultos: 691 pessoas que nunca beberam, 617 que já beberam e não bebem mais e 24.069 pessoas que bebem atualmente. Após o ajuste por todos os potenciais fatores de confusão conhecidos, o maior volume de bebidas alcoólicas consumido por semana foi associado a menos massa cinzenta em quase todas as regiões do cérebro. Também foram identificadas associações negativas generalizadas entre o consumo de álcool e todas as medidas de integridade da substância branca avaliadas pelo estudo. No que diz respeito à interpretação dos resultados, especialistas alertam que a medida na qual pequenas reduções do volume cerebral causam prejuízo significativo ainda não foi elucidada.

Outro estudo examinou os supostos benefícios das bebidas alcoólicas para os pacientes com doença cardiovascular. Os resultados mostraram duas relações em forma de J: uma entre a ingestão de bebidas alcoólicas e os principais eventos cardiovasculares adversos (mace, do inglês Major Adverse Cardiovascular Events) e outra entre a ingestão de bebidas alcoólicas e a atividade metabólica amigdaliana associada ao estresse. Em comparação às pessoas com baixo consumo de bebidas alcoólicas (menos de um drinque por semana) ou alto consumo de bebidas alcoólicas (mais de 14 drinques por semana), aquelas cujo consumo de álcool foi moderado (de 1 a 14 drinques por semana) tiveram menor probabilidade de apresentar eventos cardiovasculares adversos importantes e menos atividade amigdaliana pelo exame de imagem. Após um controle robusto pelos fatores de confusão, os pesquisadores identificaram uma redução de 20% dos principais eventos cardiovasculares adversos entre as pessoas que ingeriam uma quantidade moderada de bebidas alcoólicas. O estudo em questão também mostrou, pela primeira vez, que o consumo moderado de bebidas alcoólicas foi associado à redução da atividade cerebral associada ao estresse, o que pode explicar parte do benefício em relação aos desfechos cardiovasculares.

Em notícias menos encorajadoras em relação à saúde cardíaca, foi observado que a ingestão de apenas um drinque aumentou a probabilidade de ocorrência de um episódio de fibrilação atrial (FA) em algumas horas; quanto maior a quantidade de bebidas alcoólicas consumidas, maior o risco. O estudo mostrou que o consumo de qualquer bebida alcoólica foi associado a mais do dobro de chances de evento de fibrilação atrial nas quatro horas subsequentes, e dois ou mais drinques foram associados a mais que o triplo do risco. Embora o maior risco tenha sido observado nas primeiras três a quatro horas após o consumo, os efeitos duraram quase nove horas.

Outro estudo recente feito pelos mesmos pesquisadores traz alguma base fisiopatológica. Demonstrou que os pacientes com fibrilação atrial que tomavam bebidas alcoólicas tiveram uma redução substancial no período refratário efetivo da veia pulmonar, o que provavelmente tornaria os átrios mais propensos a fibrilação. Estudos também mostraram que aconselhar as pessoas com fibrilação atrial a abster-se de bebidas alcoólicas resulta em menos episódios de FA.

Além do cérebro e do coração, os efeitos das bebidas alcoólicas em outros órgão e sistemas do organismo continuam a ser preocupantes. Doenças gastrointestinais e hepáticas associadas à ingestão de bebidas alcoólicas aumentaram drasticamente durante a pandemia. Em comparação com o mesmo período em 2019, os pesquisadores descobriram que, embora o número total de pessoas que procuram atendimento gastroenterológico especializado tenha caído 27%, a proporção de consultas por doenças gastrointestinais e hepáticas relacionadas com a ingestão de bebidas alcoólicas saltou quase 60%. Estatísticas como estas levaram alguns especialistas a questionar se os médicos estão prontos para os impactos na saúde da "pandemia do álcool". O fato de o assunto ter sido o tema mais popular desta semana mostra que muita gente está prestando muita atenção.

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