COMENTÁRIO

Obesidade pode reduzir resposta imunitária às vacinas anticovídicas

Dr. Fabiano M. Serfaty

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2 de junho de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2.

A obesidade é uma epidemia mundial em expansão, que aumenta substancialmente a morbimortalidade em pacientes com covid-19. Diante disso, a eficácia das vacinas anticovídicas em pacientes com obesidade é uma questão de saúde pública fundamental em todo o mundo.

Os pacientes obesos apresentam alteração da expressão da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), necessária para a entrada do SARS-CoV-2 nas células.

Os receptores são expressos nas células do revestimento do nariz, dos pulmões, do pâncreas, dos rins, dos intestinos, do tecido adiposo, dos vasos sanguíneos, do miocárdio e de algumas células que circulam no sangue. [1]

Presume-se que o aumento da expressão de ECA2 aumenta a entrada do vírus nas células e, portanto, causa doença grave, com piores desfechos clínicos. [1]

Novas evidências recentes demonstram que indivíduos obesos e com sobrepeso apresentam um aumento da expressão da ECA2. [1]

Os fatores responsáveis pelo prognóstico reservado de pacientes obesos com covid-19 são: inflamação crônica, comprometimento prévio da função imunológica e aumento da expressão da ECA2 associados à obesidade. [1]

Evidências de estudos anteriores sugerem que, em comparação com pessoas magras, as com obesidade apresentam redução da resposta imunitária às vacinas contra hepatite B, influenza e raiva. [1]

Um recente estudo italiano [2] que analisou 248 profissionais de saúde imunizados com as duas doses da vacina BNT162b2 de RNA mensageiro (RNAm), desenvolvida pelas empresas Pfizer/BioNTech, demonstrou que os participantes com obesidade tiveram uma resposta imunitária mais discreta em comparação com os participantes magros. [2]

Dos 248 profissionais de saúde incluídos no estudo, 158 eram mulheres (63,7%) e 90 homens (36,3%). Destes, 99,5% desenvolveram resposta imunitária humoral após a segunda dose da vacina, mas o nível dessa resposta variou de acordo com o índice de massa corporal (IMC). [2]

Os pesquisadores observaram uma forte correlação entre o IMC e os títulos de anticorpos, uma vez que a resposta imunitária humoral foi mais forte no grupo com peso normal e abaixo do normal quando comparada com a do grupo com sobrepeso ou obesidade (P < 0,0001). [2]

Portanto, ter uma população vacinada não é sinônimo de ter uma população imune, especialmente em um local que apresenta alta incidência de obesidade.

Mais estudos ainda são necessários para que os dados deste estudo possam ter implicações na prática clínica para essa população.

Devemos focar a nossa atenção nessa população e desenvolver um programa de vacinação eficaz, com implementação de estratégias específicas, que serão fundamentais para os desfechos clínicos de pacientes com obesidade em todo o mundo.

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