ASCO 2021: novamente virtual, maior e melhor

Zosia Chustecka

Notificação

2 de junho de 2021

A maior reunião da oncologia do mundo, a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), será virtual pelo segundo ano consecutivo devido à atual pandemia de covid-19.

Este ano promete ser mais bem organizado, com um programa maior e mais completo.

No ano passado, com a novidade da pandemia, os organizadores tiveram apenas cerca de seis semanas para adaptar o evento para o formato virtual, e houve "problemas técnicos relacionados com o acesso ao conteúdo sob demanda". Além disso, a reunião foi dividida em duas partes: as sessões científicas, que ocorreram no início de junho, e o programa de educação continuada, em agosto.

Ainda assim, a primeira reunião virtual da ASCO contou com 45.000 participantes, um público levemente maior do que os 42.500 participantes da última reunião presencial, em 2019. Apesar de muitos terem sentido falta das interações pessoais, outros ficaram entusiasmados com a reunião on-line, ponderando que isso equilibra o jogo para os oncologistas do mundo inteiro.

"Este ano, decidimos mais cedo que haveria necessidade de ser um encontro virtual", comentou a médica presidente da ASCO, Dra. Lori Pierce. Todo o programa será transmitido on-line nas datas em que a conferência presencial teria ocorrido, de 04 a 08 de junho.

"Nossa ideia era trazer de volta o máximo possível da sensação de estar participando presencialmente do evento, por isso as apresentações científicas e de educação continuada serão juntas", disse Dra. Lori ao Medscape.

"Teremos muito mais oportunidades de entrar em contato com os palestrantes", continuou Dra. Lori. "Por isso, embora as sessões sejam gravadas com antecedência, teremos perguntas e respostas em tempo real de modo que a plateia possa fazer perguntas diretamente ao palestrante, à medida que a apresentação científica for se desenrolando, como se estivéssemos todos juntos em Chicago, normalmente".

Equidade como tema do ano

A Dra. Lori também destacou o tema "equidade" da reunião deste ano, que ela escolheu muito antes de a pandemia evoluir, mas que no final das contas, "não poderia ter sido mais apropriado para o atual momento".

"No ano passado, a pandemia de covid-19 trouxe à tona as injustiças e as desigualdades generalizadas na saúde que existem no mundo todo", escreveu a Dra. Lori no anúncio do programa.

"Temos a responsabilidade de encará-las de frente", continuou a médica, e convidou todos os participantes a se unirem para "garantir que a equidade de acesso à saúde no atendimento do câncer seja realidade para todos os pacientes, todos os dias, em todos os lugares".

O fato de isso não ocorrer atualmente está ilustrado de modo bem emblemático em uma das apresentações da reunião que a ASCO escolheu destacar em uma coletiva de imprensa antes da reunião.

O estudo (Abstract 6512) feito pela American Cancer Society investigou o impacto dos parâmetros de elegibilidade por renda do Medicaid (programa de seguro de saúde para as populações de baixa renda nos Estados Unidos).

Os parâmetros de elegibilidade por renda variam muito de um estado para outro. Alguns estados fixaram o limite em metade do nível federal de pobreza nos EUA, enquanto outros o fixaram 138% acima desse indicador.

A análise mostra que nos estados onde este limite foi fixado abaixo do nível federal de pobreza nos EUA, a sobrevida em longo prazo foi pior para os pacientes com câncer.

Presumivelmente, nos estados com um limite baixo da elegibilidade, as pessoas que não foram aceitas no Medicare foram deixadas sem cobertura ou com uma cobertura insuficiente e não tiveram "recursos para tratar seu câncer com eficácia", comentou Dra. Lori.

"Acho que esse resumo é importante porque, em primeiro lugar, o Medicaid é a maior fonte de financiamento de serviços médicos para pessoas de baixa renda nos EUA", comentou. No final de 2020, havia cerca de 72 milhões de norte-americanos registrados no Medicaid.

Em segundo lugar, o estudo traz evidências de que a expansão da elegibilidade ao Medicaid pela renda feita por alguns estados está associada a melhores índices de sobrevida, afirmou a médica. "Espero que esses dados possam ser usados para incentivar os estados que não expandiram o Medicaid a fazê-lo."

Sessão plenária: apresentação dos dados que modificam a prática

A maioria dos Abstracts da ASCO foi divulgada em 19 de maio. No entanto, como em outros anos, os dados clínicos mais importantes, que modificam a prática, serão apresentados durante a sessão plenária da reunião. Estes Abstracts são guardados a sete chaves até chegar mais perto do momento de sua apresentação. Este ano, as apresentações plenárias versarão sobre:

  • Uso precoce do inibidor da enzima poli ADP ribose polimerase (PARP, sigla do inglês Poly ADP Ribose Polymerase) olaparibe no câncer de mama  positivo para os genes BRCA-1 ou BRCA-2 (ensaio clínico OlympiA, Abstract LBA1)

  • Novo imunoterápico toripalimabe + quimioterapia no carcinoma nasofaríngeo (JUPITER-02, Abstract LBA2)

  • Quimioterapia adjuvante após quimiorradioterapia no câncer cervical local avançado (ensaio clínico OUTBACK, Abstract LBA3)

  • Novo radiofármaco (lutécio-1777-PSMA-617) para o câncer da próstata (ensaio clínico VISION, Abstract LBA4)

  • Imunoterapia com pembrolizumabe após cirurgia para carcinoma de células renais (KEYNOTE-564, Abstract LBA5)

Entre o grande volume de apresentações de dados clínicos, há também alguns momentos mais leves no programa de reuniões. Uma é a popular sessão "contando histórias", a ASCO Voices, nas quais os médicos podem revelar alguns problemas pessoais que se relacionam com suas vidas profissionais.

Este ano, entre vários outros, a médica Dra. Narjust Duma, da University of Wisconsin, nos EUA, irá explicar por que "meu jaleco branco não cai bem" ("My White Coat Doesn't Fit") e o médico Dr. Aakash Desai da Mayo Clinic vai falar sobre "tornando-nos niveladores".

Além disso, o tempo dedicado regularmente ao clube do livro da ASCO este ano apresenta o livro A Series of Catastrophes and Miracles, escrito pela sobrevivente do câncer Mary Elizabeth Williams. A sessão também contará com o oncologista Dr. Jedd Wolchok, Ph.D., do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos EUA, que foi o imunologista responsável pelo tratamento do câncer avançado da autora.

Assim como no ano passado, a reunião de 2021 contará com uma exposição virtual, que foi disponibilizada em 14 de maio e permanecerá aberta até 06 de julho. Contempla sessões de demonstração com especialistas do campo e a novidade deste ano são os diretórios com mecanismo de busca do que está em linha de pesquisa nos laboratórios farmacêuticos e nos ensaios clínicos.

O Medscape irá publicar notícias sobre a reunião à medida que o evento for acontecendo. Volte regularmente ao site para ver os dados mais recentes e o que os especialistas estão falando a respeito.

A Dra. Lori Pierce informou ter ações da PFS genomics e relações não remuneradas com as empresas Bristol-Myers Squibb e Exact Sciences.

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