Covid-19: Resumo da semana (29 de maio a 4 de junho)

Equipe Medscape Professional Network

4 de junho de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

Até a manhã desta sexta-feira (4), 47.718.537 pessoas (22,53% da população brasileira) tomaram a primeira dose de uma vacina anticovídica e outras 22.739.521 pessoas (10,74% da população) receberam as duas doses, completando a imunização. Estimativas da imprensa, com base nos dados do Ministério da Saúde, indicam que a taxa de vacinação foi 16,5% menor em maio do que em abril.

Na mesma data, o Brasil registrou um total de 16.801.102 diagnósticos de infecção por SARS-CoV-2 e 469.784 óbitos por covid-19 desde o início de pandemia, com média móvel em 1.862 óbitos em sete dias. Nas últimas 24 horas, foram 2.082 mortes pela doença. Por esses dados, a pandemia permanece estabilizada pelo 16º dia consecutivo em patamares elevados. Os números são do consórcio de veículos de imprensa que monitora a pandemia a partir dos dados obtidos das secretarias estaduais de saúde. O consórcio é formado por EstadãoG1O GloboExtraFolha e UOL.

A preocupação dos especialistas agora é com a elevação no número de novos casos e internações por covid-19 com a realização dos jogos da Copa América no país, anunciada na segunda-feira (31). Embora o campeonato de futebol tenha a simpatia do governo federal, vários governadores se recusaram a receber os jogos.

Em 28 de maio, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que 200.000 grávidas adoeceram com covid-19 nas Américas desde o início da pandemia, e pelo menos 1.000 morreram por complicações do vírus.

A semana das vacinas

O grande destaque da semana foi a divulgação, no dia 31, de resultados preliminares do estudo pioneiro na cidade de Serrana, no interior de São Paulo. Após vacinar 95,7% dos adultos com mais de 18 anos, o município viu queda de 80% nos novos casos e de 86% nas internações pela doença. Em entrevista ao Medscape, o coordenador do estudo, Dr. Ricardo Palácios, revelou que os pesquisadores trabalham na análise dos dados para formular um modelo explicativo para os resultados obtidos.

Na terça-feira (1), após atrasos, a Fiocruz assinou o contrato de transferência de tecnologia para a produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina de Oxford/AstraZeneca no país, um passo essencial para reduzir a dependência e agilizar a vacinação. Na quarta-feira (2), a fundação recebeu dois bancos, um de células e outro de vírus, para a produção do IFA nacional. O banco de células foi enviado dos Estados Unidos em nitrogênio líquido, mantido a uma temperatura de aproximadamente -150ºC, e o banco de vírus em gelo seco, a cerca de -80ºC.

Ainda no dia 1 de junho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) validou a vacina anticovídica CoronaVac para uso emergencial, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. A entidade declarou que o imunizante atende aos padrões internacionais de segurança, eficácia e de fabricação, e que “seus requisitos de armazenamento fáceis a tornam muito gerenciável e particularmente adequada para cenários de poucos recursos”. O imunizante é feito com o vírus inativado. Com o aval, a vacina pode ser distribuída pela iniciativa COVAX Facility.

No dia seguinte (2) o Ministério da Saúde anunciou um novo cronograma de entrega de vacinas diminuindo mais uma vez a quantidade de doses previstas para junho. A redução foi de 43,8 milhões para 39,9 milhões, ou seja, 3,9 milhões de doses a menos para o período. Foi a segunda vez em duas semanas. O cronograma envolve a estimativa de entrega da Fiocruz, que passou de 20,9 milhões para 18 milhões, e do Butantan, que caiu de 6 para 5 milhões.

O governo dos Estados Unidos finalmente anunciou que doará 6 milhões de doses de vacinas à América Latina por meio da iniciativa COVAX Facility. O Brasil foi incluído na lista de países que receberão lotes. Mais 6 milhões de doses serão endereçados a regiões consideradas prioritárias pelos EUA, como o México, o Canadá, Gaza e Cisjordânia, e 13 milhões seguirão para várias nações. Os EUA pretendem doar 80 milhões de doses.

E mais: reportagem do jornal Folha de S.Paulo constatou que a cobertura vacinal do país está despencando, o que abre brecha para novos surtos de várias doenças. A maior queda foi da vacina contra a hepatite B em crianças até 30 dias, como mostra estudo sobre nove vacinas.

Para fechar a semana, A União Europeia apresentou à Organização Mundial do Comércio (OMC) na sexta-feira (4) um plano para fazer frente ao movimento que propõe a suspensão das patentes de vacinas anticovídicas. Sede de várias das maiores farmacêuticas do mundo, o bloco é um dos opositores mais ferrenhos da revogação temporária, endossada até mesmo pelo presidente americano, Joe Biden.

A evolução das variantes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na segunda-feira (31) que usará letras do alfabeto grego para nomear as variantes do vírus SARS-CoV-2 identificadas até o momento. Assim, cepa identificada pela primeira vez em Manaus, a P.1, passará a se chamar Gamma. Confira os novos nomes das variantes de atenção e de interesse.

Em artigo publicado na revista científica Nature Medicine, pesquisadores da Rede Genômica Fiocruz e de instituições parceiras apontaram as causas do crescimento do número de casos de covid-19 no Amazonas e das sucessivas substituições de linhagens do Sars-CoV-2. O estudo indicou que esses fatores foram impulsionados por uma combinação de diminuições das medidas de distanciamento social e pelo surgimento de uma forma mais transmissível do vírus, a variante P.1, identificada em meados de novembro de 2020. Essa variante causou um aumento exponencial da doença, o que estabeleceu a segunda onda da epidemia no estado.

As autoridades de saúde do Vietnã detectaram uma nova variante híbrida do vírus SARS-CoV-2 que parece ser uma combinação das variantes B.1.1.7 (Alpha) e B.1.617.2 (Delta). Culturas de laboratório sugerem que a nova variante tem uma taxa de replicação mais rápida e é provável que seja mais transmissível.

Vida médica

A Justiça de São Paulo proibiu o governo paulista de punir um médico ginecologista que, por conta da pandemia do coronavírus, recusou-se a trabalhar presencialmente em uma unidade básica de saúde. O médico tem 66 anos e alegou graves comorbidades como câncer (melanoma coroide), hipertensão arterial, cardiopatia (ateromatose coronariana, de carótidas e aorta) e diabetes. Ele se afastou em março de 2020 com a concordância informal de um superior e entrou com um pedido de licença médica, mas o estado recusou. O caso foi parar na Justiça. Saiba mais.

Consequências psiquiátricas

Com o aumento das evidências indicando um componente psiquiátrico significativo da covid-19, especialistas estão preocupados com a preparação necessária para dar suporte aos pacientes que sobreviveram à doença e agora enfrentam problemas persistentes de saúde mental.

Consumo excessivo de álcool

Novo estudo trouxe mais evidências de que os norte-americanos aumentaram o consumo de bebidas alcoólicas durante o isolamento imposto pela covid-19. A incidência de doenças do trato gastrointestinal e hepáticas associadas ao consumo de bebidas alcoólicas, por exemplo, aumentou após o início da pandemia em comparação ao mesmo período em 2019.

Covid-19 em crianças

Dados de 34 pacientes revelam que o local de atendimento inicial não influenciou desfechos hospitalares de crianças com a síndrome multissistêmica inflamatória (SIM). O tempo de internação hospitalar e na UTI não diferiu significativamente entre o atendimento de emergência versus ambulatorial.

A covid-19 pelo mundo

Na manhã da sexta-feira (4), o mundo somava 172.231.339 casos diagnosticados de covid-19 e 3.703.522 óbitos pela doença, segundo dados do monitor Coronavírus Resource Center , da Johns Hopkins University (EUA).

Na América do Sul, depois de 14 meses de fechamento como medida restritiva para conter a covid-19, a Colômbia abriu gradualmente a sua fronteira com a Venezuela. Mesmo assim, de acordo com a Opas, a Colômbia é o país sul-americano com o maior índice de infecção. Já o novo governo do Equador lançou uma meta: 9 milhões de pessoas a serem vacinadas em 100 dias.

O México entrou na 20ª semana consecutiva de queda nos casos. Espera-se que essa tendência continue nas próximas duas semanas. O governo planeja aumentar sua capacidade de vacinação para chegar até 1 milhão de vacinas diárias, e assim alcançar toda a população adulta até outubro. A vacinação dos professores foi concluída e uma taxa de 90% de imunização foi atingida neste setor na preparação para a volta às aulas. Apesar disso, muitos profissionais de saúde permanecem sem terem sido vacinados.

Nos Estados Unidos, os novos casos diários caíram quase 90% em relação ao pico de janeiro. Atualmente, mais de 50% de todos os americanos e 60% dos maiores de 12 anos receberam pelo menos uma dose de uma vacina, de acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Ainda assim, o ritmo de vacinação diminuiu e os estados têm oferecido uma série de incentivos para encorajar as pessoas a se vacinarem. Na semana passada, o estado de Ohio realizou sua primeira loteria vax-a-million , distribuindo prêmios de milhões de dólares aos vencedores semanais. A campanha aumentou as vacinações em 28%. O presidente Biden estabeleceu a meta de que 70% dos adultos americanos recebam pelo menos uma dose da vacina até 4 de julho.

Portugal foi retirado da lista verde de turismo do Reino Unido. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, protestou: “Não podemos aceitar ser prejudicados por sermos transparentes, honestos e estarmos a acompanhar com toda a atenção a evolução da pandemia.” A exclusão será válida a partir da próxima terça-feira (8). De acordo com o coordenador do Grupo de Trabalho de Vacinação, Henrique Gouveia e Melo, Portugal terá vacinado mais de 90% da sua população quando começar a imunizar pessoas com mais de 20 anos, em agosto. Até o 1 de junho, 19% dos residentes no país completaram o esquema de vacinação e 37% já tomaram pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19. Isso representa quase 2 milhões de portugueses totalmente vacinados. A Comissão Europeia quer que as pessoas vacinadas com duas doses ou recuperadas fiquem isentas de testes e quarentena quando viajarem pela Europa, de acordo com o jornal Público. Além disso, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) anunciou no dia 2 que vai retirar a limitação de idade para a administração da vacina da Janssen aos homens. Segundo as autoridades sanitárias portuguesas, novos dados indicaram que os riscos, apesar de muito baixos, estavam concentrados essencialmente no sexo feminino abaixo de 50 anos. No dia 14, com a entrada em vigor de uma nova fase do desconfinamento, o teletrabalho deixa de ser obrigatório.

Nesta sexta-feira (4), mais de 6.000 pessoas testaram positivo para SARS-CoV-2 nas últimas 24 horas no Reino Unido, o valor mais alto num único dia desde março, de acordo com os últimos dados do governo britânico. O aumento dos casos associados às novas variantes do vírus e um programa de vacinação ainda a ser completado causam preocupação quanto ao relaxamento das medidas restritivas na Inglaterra a partir de 21 de junho. O chefe da Associação Médica Britânica, Dr. Chaand Nagpaul, disse: “O fim prematuro de todas as restrições legais, o que então resulta em um surto de infecções, prejudicaria os esforços do nosso serviço de saúde para lidar com o maior nível de atraso de atendimento que já enfrentou”. Mais de três quartos dos adultos do Reino Unido receberam a primeira dose de uma vacina e cerca de metade tomou a segunda dose.

Na França, a média de novos casos na semana passada foi de 9.732 casos por dia. Ao mesmo tempo, a cobertura vacinal continua crescendo. Em 1 de junho, 39,1% da população total receberam uma dose de vacina anticovídica e 16,7% tomaram as duas doses. Nesta semana, a Haute Autorité de Santé (HAS) deu parecer favorável ao uso da vacina de Pfizer/BioNtech em crianças a partir de 12 anos a partir de 15 de junho. A HAS também passou a recomendar o uso de teste sorológico rápido em paralelo com a injeção da primeira dose da vacina para identificar as pessoas que foram infectadas com SARS-CoV-2 e cuja infecção não foi detectada. O objetivo é evitar uma segunda dose da vacina que não seria necessária. Além disso, os resultados do estudo Salicov AP-PH revelam que os cães farejadores tiveram elevada sensibilidade e efetividade e poderão ser considerados em testes diagnósticos. O Ministério da Saúde deseja que esse método de rastreamento seja implantando o mais rápido possível.    

Na Alemanha, seis meses depois de o risco de covid-19 ter sido oficialmente classificado como “muito alto”, o Robert-Koch-Institute (RKI) baixou o nível de perigo para “alto”. O rebaixamento não terá impacto direto nas medidas de bloqueio. Enquanto isso, cerca de metade dos adultos tomaram pelo menos uma dose de alguma vacina anticovídicas, e cerca de 17% receberam duas doses. Crianças com 12 anos ou mais podem ser vacinadas a partir de 7 de junho. E mais: por causa de uma suspeita de fraude maciça no faturamento em centros de testagem, os ministros da saúde dos governos federal e estadual concordaram em estabelecer requisitos de monitoramento mais rígidos.

Na Espanha, mais de 18 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose de uma vacina (38% da população) e 9,2 milhões tomaram as duas doses (19,4%). A cobertura dos grupos mais vulneráveis ​​(acima de 60 anos) atingiu 95% com uma dose e 60,1% com o regime completo. A Comissão de Saúde Pública deu sua aprovação na terça-feira (1) para o uso da vacina da Janssen em pessoas com idades entre 40 e 49 anos. Quase 2 milhões de indivíduos, a maioria trabalhadores essenciais com menos de 60 anos, precisam decidir se receberão a segunda dose da vacina de Oxford/AstraZeneca ou Pfizer/BioNTech. Uma nova publicação em pré-print do CombiVacS no periódico The Lancet sugere que a combinação heteróloga pode aumentar a imunidade celular. De modo geral, o número de casos e mortes parece estar se estabilizando em território espanhol. No final de semana, o Ministério da Saúde registrou 48 óbitos pela infecção, o menor número desde agosto de 2020. A incidência em 14 dias é ligeiramente inferior a 120 casos por 100 mil habitantes. A Associação Espanhola de Pediatria alertou para o aumento das consultas por ansiedade e sintomas obsessivo-compulsivos, depressão, lesões autoprovocadas e somatizações na população pediátrica como resultado da crise gerada pela pandemia.

O estado de Victoria, na Austrália, relatou seis novos casos de transmissão local em 2 de junho, elevando os focos de infecções para 60. O bloqueio no estado, que começou em 27 de maio, será estendido por mais uma semana para controlar o surto crescente.

Na Ásia, a província chinesa de Guangdong reforçou as medidas restritivas após a confirmação de uma série de novos localmente relatados. A capital Guangzhou relatou 41 casos de transmissão local entre 21 de maio e 1 de junho. As autoridades da China acreditam que a variante B.1.617.2 (Delta) pode estar envolvida no recente surto de infecções nesta região.

Já a Malásia anunciou o lockdown em todo o país de 1 a 14 de junho porque as infecções continuam aumentando no país. Apenas os serviços essenciais e setores econômicos permanecerão operacionais durante o bloqueio. Em 1 de junho, a Malásia relatou 7.105 casos diários de covid-19 e 71 mortes.

A Índia relatou 127.510 novos casos no dia 1 de junho, o menor número de casos diários nos últimos 54 dias. Fontes governamentais dizem que o país conseguirá administrar 10 milhões de doses de vacina todos os dias até julho ou agosto, em comparação com pouco menos de 3 milhões no momento atual.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE

processing....