Prevalência de doenças gastrointestinais e hepáticas ligadas ao consumo excessivo álcool aumentou nos EUA durante a pandemia

Damian McNamara

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1 de junho de 2021

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Dr. Waihong Chung

Mais evidências de que os norte-americanos aumentaram o consumo de bebidas alcoólicas durante o isolamento da covid-19: a incidência de doenças do trato gastrointestinal e hepáticas associadas ao consumo de bebidas alcoólicas aumentou após o início da pandemia em comparação ao mesmo período em 2019.

Curiosamente, embora o total de pessoas que procuram atendimento especializado para doenças do trato gastrointestinal ou hepáticas tenha caído 27%, a proporção de consultas para estas doenças relacionadas com o consumo de bebidas alcoólicas aumentou quase 60%, informaram os pesquisadores.

"Acreditamos que o isolamento na pandemia tenha um efeito direto no consumo de bebidas alcoólicas dos pacientes", disse o primeiro autor do estudo, o Dr. Waihong Chung, em uma coletiva de imprensa realizada na abertura da Digestive Disease Week (DDW) no dia 13 de maio.

"Incentivamos os clínicos gerais, os gastroenterologistas e os hepatologistas a redobrar as indagações aos pacientes sobre o consumo de bebidas alcoólicas e a identificar as pessoas que precisam de ajuda, melhor prevenir do que remediar" acrescentou o Dr. Wihong, gastroenterologista no Lifespan/ Warren Alpert Brown Medical School, nos Estados Unidos.

"Você precisa perguntar. Se não perguntar, não vai saber", disse o Dr. Waihong ao Medscape quando indagado sobre como abordar o assunto.

Os sinais e sintomas das doenças digestivas e hepáticas relacionadas com as bebidas alcoólicas, especialmente a hepatite alcoólica aguda, podem ser fadiga, dor abdominal, perda do apetite, e até mesmo a icterícia nos casos mais graves.

"Quero enfatizar que alguns destes sintomas aparecem muito mais tarde durante o curso da doença", disse o Dr. Waihong. "Na fase inicial, a pessoa pode ser assintomática. No momento que a pessoa apresentar os sintomas pode já ser tarde demais; por isso, é importante perguntar."

"Acredito realmente que os médicos de todas as especialidades deveriam fazer isso de rotina, o atendimento ao paciente deve contemplar a avaliação sobre o consumo de bebidas alcoólicas", acrescentou o pesquisador.

Também é fundamental criar um ambiente clínico onde os pacientes se sintam seguros para admitir que bebem.

Dentre as sugestões de perguntas estão: Você bebe? Quantas doses você tomou na semana passada?

"Algumas pessoas se ofendem quando pergunto desse jeito, mas ajuda as pessoas que acham que podem ter um problema com bebidas a se abrirem a este respeito", disse o médico.

Após o Dr. Waihong e colaboradores terem observado o aumento do número de pacientes com doenças digestivas e hepáticas relacionadas com o consumo de bebidas alcoólicas, eles fizeram uma auditoria em todo o sistema hospitalar. Os pesquisadores avaliaram 558 visitas da gastroenterologia aos pacientes internados na época do decreto de isolamento (de 23 de março a 10 de maio de 2020) e outras 713 visitas na fase de reabertura (de 1º de junho a 19 de julho de 2020). Eles também compararam os resultados com consultas feitas em períodos semelhantes em 2019.

Ao mesmo tempo, as consultas por doenças hepáticas sem relação com as bebidas alcoólicas, como obstrução e/ou lesão biliar, doença intestinal inflamatória e sangramento gastrointestinal, não mudaram significativamente. Também, durante a reabertura, o volume total de consultas sofreu um rebote de 101% em comparação ao mesmo período em 2019.

Entretanto, a reabertura também mostrou que a proporção das doenças relacionadas com as bebidas alcoólicas permanece elevada, de 79%. Os casos de hepatite alcoólica tiveram 127% de aumento, por exemplo. Ao mesmo tempo, o número de pacientes dessa população com indicação de endoscopia hospitalar quase triplicou, de 14% para 35%.

As doenças do trato gastrointestinal e hepáticas relacionadas com as bebidas alcoólicas são hepatite alcoólica aguda, cirrose alcóolica, gastrite alcoólica, esofagite alcoólica e pancreatite. A maioria dos pacientes (70%) era do sexo masculino. A mediana de idade foi de 56 anos durante a fase do isolamento e de 51 anos durante a fase de reabertura.

"Acho interessante. Isso se encaixa no que as pessoas têm sugerido informalmente", disse o médico Dr. Loren Laine, chefe do Departamento de Doenças Digestivas da Yale University School of Medicine, nos EUA, e moderador da coletiva de imprensa.

"Também é interessante ver como a covid-19 mudou tantas coisas diferentes no ano passado", disse o médico, quando indagado pelo Medscape sobre sua opinião a respeito dos achados do estudo.

O Dr. Waihong acrescentou que, nem todos os pacientes com doenças causadas pelo consumo de bebidas alcoólicas dão entrada no hospital, assim, "acreditamos que os problemas de saúde relacionados com o aumento do consumo de bebidas alcoólicas podem ser até maior na comunidade".

Embora o estudo tenha sido feito em um sistema da saúde de um estado, o Dr. Wihong disse, acreditar que "o resultado do reflete exatamente o que está acontecendo em muitas outras cidades urbanas e suburbanas nos Estados Unidos".

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