Covid-19: local de atendimento inicial não influenciou desfechos hospitalares de crianças com SIM

Heidi Splete

Notificação

31 de maio de 2021

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Não houve diferença significativa entre o tempo de internação e a necessidade de tratamento intensivo de pacientes da pediatria com covid-19 e síndrome inflamatória multissistêmica que buscaram atendimento inicial no ambulatório ou no pronto-socorro, de acordo com dados de 34 pacientes.

Pode ser difícil diagnosticar a síndrome inflamatória multissistêmica (SIM) na população pediátrica, pois as principais características do quadro (febre, elevação dos marcadores inflamatórios e comprometimento de pelo menos dois aparelhos e sistemas) muitas vezes se superpõem a outras doenças, segundo Dra. Erin B. Treemarcki, médica osteopata da University of Utah, nos Estados Unidos, e colaboradores.

"O atendimento primário e o serviço de emergência costumam ser as portas de entrada no sistema de saúde das crianças com sinais e sintomas de síndrome inflamatória multissistêmica", escreveram os pesquisadores. Em um estudo apresentado na reunião anual virtual das Pediatric Academic Societies os pesquisadores fizeram uma revisão retrospectiva de 34 pacientes com menos de 21 anos internados em um único centro por síndrome inflamatória multissistêmica entre abril de 2020 e dezembro de 2020. A média de idade dos pacientes foi de 7,9 anos; 68% eram do sexo masculino; 82% eram brancos; e 53% foram inicialmente atendidos no ambulatório.

Dezesseis pacientes procuraram atendimento no pronto-socorro e 18 foram ao ambulatório. O tempo de internação variou de 3 a 16 dias, com uma mediana de seis dias, e o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva (UTI) variou de 1 a 10 dias, com mediana de dois dias.

Em geral, não houve diferença significativa em relação ao tempo de internação hospitalar e de internação na UTI entre os grupos que procuraram atendimento no pronto-socorro e os que procuraram atendimento ambulatorial. Vinte e quatro pacientes foram admitidos na UTI, 13 por internação e 11 por transferência, entretanto, a mediana do número de dias com sinais e sintomas antes da internação foi significativamente maior entre os pacientes ambulatoriais (seis versus quatro dias, P = 0,03).

Um paciente foi reinternado em 30 dias por meningite asséptica, e nenhum paciente evoluiu para óbito.

Os sintomas iniciais não foram significativamente diferentes entre os pacientes ambulatoriais vs. pacientes do pronto-socorro. As manifestações iniciais mais comuns da síndrome inflamatória multissistêmica foram febre (100%), alterações gastrintestinais (85%) e mucocutâneas (88%). Os sinais e sintomas mucocutâneos foram exantema, alterações na mucosa oral, conjuntivite e edema de mãos e/ou pés. Além disso, 65% dos pacientes tinham pelo menos três critérios de doença de Kawasaki, observaram os pesquisadores.

Os resultados laboratoriais mais comuns com aumentos na apresentação, independentemente do ajuste, foram: dímero D (100%), proteína C reativa (97%), ferritina (97%), procalcitonina (97%) e interleucina 6 (IL-6) sérica (94%).

Os achados do estudo foram limitados pelo pequeno tamanho da amostra e pelo fato de os dados serem provenientes de um único centro. No entanto, os resultados destacam as várias apresentações da síndrome inflamatória multissistêmica na população pediátrica e a importância de tanto os médicos do atendimento primário quanto os emergencistas conhecerem seus sinais e sintomas, pois muitas vezes seus setores são a porta de entrada desses pacientes no sistema de saúde, indicaram os pesquisadores.

Siga buscando fatores de risco para as crianças

"A síndrome inflamatória multissistêmica é provavelmente a complicação mais grave da covid-19 em crianças, então nós, como pediatras da linha da frente, precisamos saber como se apresenta", disse em uma entrevista a Dr. Karalyn Kinsella, pediatra nos EUA.

A Dr. Karalyn disse que ficou surpresa com o achado do estudo de que o tempo de internação das crianças não foi influenciado pelo local do atendimento inicial.

"Eu teria pensado que as crianças que procuraram atendimento ambulatorial levariam mais tempo para ser diagnosticadas e, portanto, teriam uma internação hospitalar mais prolongada", observou a pediatra. Em vez disso, a mensagem aqui é que, seja diagnosticada no ambulatório ou no pronto-socorro, o tempo de internação de pacientes com essa síndrome é o mesmo; e que os sinais e sintomas mais comuns são febre, alterações gastrointestinais, mucocutâneas e cardíacas, independentemente do local do atendimento inicial, disse a médica.

É necessário haver mais pesquisas e os novos estudos devem examinar "quaisquer potenciais fatores subjacentes fazendo com que essas crianças sejam particularmente suscetíveis à SIM", acrescentou a Dra. Karalyn.

Os pesquisadores informaram não ter conflitos de interesses financeiros. A Dra. Karalyn Kinsella atua no Pediatric News Editorial Advisory Board, mas informou não ter conflitos financeiros relevantes.

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Este conteúdo foi originalmente publicado no MDedge.com parte da Medscape Professional Network.

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