COMENTÁRIO

Novo exame discrimina infecção viral de bacteriana com precisão e rapidez

Dr. Mauricio Wajngarten

Notificação

25 de maio de 2021

Atender pacientes com quadro de infecção, especialmente das vias respiratórias, é algo frequente em nossa prática clínica. Mas este tipo de apresentação nos deixa em dúvida se a etiologia da infecção é viral ou bacteriana. Essa diferenciação é fundamental para a escolha do tratamento, principalmente com antibacterianos, visto que temos cada vez mais informações sobre os problemas relacionados à prescrição inadequada desses agentes em caso de etiologia viral.

Atualmente, dispomos essencialmente do exame da procalcitonina (PCT) para tentar discriminar a etiologia viral da bacteriana.

A boa notícia é que um estudo feito por pesquisadores da Duke Health, entre outros, e publicado no periódico Clinical Care Medicine,abre a possibilidade de empregar uma nova ferramenta, com uma resposta rápida e mais precisa do que a procalcitonina. [1]

Nova ferramenta, nova técnica

Os pesquisadores desenvolveram um método de avaliação da expressão gênica distinto das estratégias diagnósticas atuais, que se concentram na identificação de patógenos específicos. Os testes disponíveis atualmente são demorados e só conseguem identificar um patógeno caso ele seja especificamente visado pelo exame.

Por outro lado, a expressão do gene hospedeiro procura um sinal imunológico distinto, que é exclusivo para o tipo de infecção sendo enfrentada pelo corpo. O sistema imunitário aciona um conjunto de genes ao lutar contra infecções bacterianas e outro conjunto ao lutar contra infecções virais.

Após constatarem a diferença entre essas assinaturas de expressão gênica para infecções bacterianas e virais, uma colaboração com uma empresa especializada em diagnósticos moleculares permitiu o desenvolvimento de um novo teste, que analisa a assinatura de 45 transcrições medidas no sistema BioFire FilmArray (BioFire Diagnostics) em cerca de 45 minutos.

O estudo

As características de desempenho do teste foram avaliadas em 623 participantes que deram entrada em serviços de emergência com infecção respiratória bacteriana, viral, coinfecção ou doença não infecciosa. O desempenho do teste bacteriano/viral da resposta do hospedeiro foi comparado com a procalcitonina.

O resumo dos resultados mostra uma precisão média do novo teste de 80% para infecção bacteriana e 87% para infecção viral, significativamente maior do que a precisão de 69% obtida com a procalcitonina (P < 0,001). Uma coorte adicional de 201 indivíduos com fenótipos indeterminados (coinfecção ou infecções negativas para microbiologia) revelou desempenho semelhante.

Implicações práticas

Esse estudo, realizado em quatro serviços de emergência nos EUA mostrou que, por meio da avaliação da resposta bacteriana/viral do hospedeiro, o sistema BioFire discriminou infecções bacterianas e virais de forma rápida e com maior precisão do que a procalcitonina.

Que seja bem-vinda essa nova ferramenta, que poderá otimizar a indicação de antibacterianos e evitar a prescrição indevida desses fármacos.

Os pesquisadores estão desenvolvendo adaptações do novo método para obter informações mais específicas, como tentar discriminar a etiologia das doenças causadas por diferentes tipos de vírus, por exemplo, Influenza ou SARS-CoV-2.

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