Exposição passiva ao fumo é relacionada a risco de câncer de boca

Lisa Rapaport

Notificação

24 de maio de 2021

(Reuters Health) — Pessoas com história de exposição passiva ao fumo têm maior probabilidade de apresentar câncer de boca do que aquelas que não foram expostas, segundo uma revisão sistemática com metanálise.

Pesquisadores examinaram dados de cinco estudos com um total de 1.179 casos de câncer de boca e 5.798 controles. A análise foi feita com 3.452 pessoas com história de exposição passiva ao fumo e 3.525 que não foram expostas.

No total, as pessoas com história de exposição passiva ao fumo tiveram probabilidade significativamente maior de apresentar câncer de boca (razão de chances ou odds ratio, OR, de 1,51), de acordo com o que os pesquisadores informaram no periódico Tobacco Control.

"Estima-se que a fumaça do cigarro tenha mais de 4.000 substâncias químicas e que cerca de 70 destas tenham efeitos carcinogênicos", disse o autor do estudo Dr. Luís Monteiro, Ph.D., psicólogo do Instituto Universitário de Ciências da Saúde em Portugal.

"Assim, é lógico que a fumaça liberada pela combustão do tabaco e a fumaça exalada pelos fumantes também possam agir como carcinogênicos nas pessoas não fumantes que inalam estes vapores", disse o Dr. Luís por e-mail.

História de exposição passiva ao fumo prolongada também parece aumentar o risco de câncer de boca.

Em comparação às pessoas sem história de exposição passiva ao fumo, as que foram expostas por mais de 10 ou 15 anos tiveram mais do que o dobro do risco de câncer de boca (OR = 2,07).

Com uma exposição passiva ao fumo abaixo de 10 ou 15 anos o risco foi menor, mas ainda foi significativamente maior do que na ausência de exposição (OR = 1,56).

Os pesquisadores também observaram como a intensidade da exposição passiva ao fumo influenciou o risco de câncer de boca. Em comparação à ausência de exposição, o risco de câncer de boca foi mais baixo para uma exposição diária menor que duas ou três horas (OR = 1,65) do que uma exposição diária maior que duas ou três horas (OR = 2,15).

Os pesquisadores observaram que uma limitação do estudo foi ter contado com um pequeno número de estudos para a metanálise. Nenhum dos estudos era de boa qualidade e muitos tinham potencial de viés de memória, influenciando os resultados, disseram os autores.

Os fatores ambientais relacionados com o câncer estão inextricavelmente ligados e estes fatores não fizeram parte da análise do estudo, disse a psicóloga Dra. Elyse Park, Ph.D., professora de psiquiatria e medicina na Harvard Medical School e no Massachusetts General Hospital nos EUA, que não participou do estudo.

Os "fumantes se agrupam em casas e na comunidade, portanto, as normas culturais e comunitárias e a exposição e o risco ambientais são compartilhados", disse a Dra. Elyse por e-mail. "Existe a probabilidade de os fumantes também terem um nível socioeconômico desproporcionalmente mais baixo; assim como as pessoas com história de exposição passiva ao fumo também podem ter."

Mesmo assim, os resultados indicam que os médicos devem considerar a história de exposição passiva ao fumo como fator de risco modificável de câncer, disse o médico Dr. Michael Ong, Ph.D., professor na David Geffen School of Medicine e na Fielding School of Public Health da University of California, Los Angeles.

"Como médicos, frequentemente esquecemos de perguntar aos pacientes sua história de exposição passiva ao tabaco", disse o Dr. Michael, que não participou do estudo. "Entretanto, essa história traz riscos significativos à saúde, tanto de câncer, tal como mostrou este estudo, assim como outros riscos, como de doença cardiovascular."

FONTE: https://bit.ly/3nZ27Ve Tobacco Control, on-line 26 de abril de 2021

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