Mulheres podem ser mais acometidas pelas reações cutâneas associadas a imunoterapia com inibidores do ponto de controle

M. Alexander Otto

Notificação

11 de maio de 2021

As mulheres tiveram um risco cerca de duas vezes maior do que os homens de apresentar eventos adversos dermatológicos durante a imunoterapia com inibidores do ponto de controle para o melanoma metastático em uma revisão com 235 pacientes no Dana Farber Cancer Center, nos Estados Unidos.

No total, 62,4% das 93 mulheres incluídas na revisão e 48,6% dos 142 homens tiveram reações cutâneas confirmadas para uma razão de chances (OR, sigla do inglês Odds Ratio) de 2,11 para as mulheres em comparação aos homens (P = 0,01).

"Os médicos devem considerar esses resultados ao orientar as mulheres sobre o alto risco de eventos adversos dermatológicos" durante o tratamento com inibidores do ponto de controle, disseram os pesquisadores liderados porJordan Said, estudante de medicina na Harvard University, nos EUA, que apresentou os resultados no American Academy of Dermatology Virtual Meeting Experience.

Eventos adversos do tipo autoimune associados ao uso de inibidores do ponto de controle são comuns. Cerca de metade dos pacientes em monoterapia apresenta efeitos colaterais dermatológicos e o número é ainda maior entre os pacientes que recebem tratamento associado.

As reações cutâneas podem ser dermatite psoriática, reações liquenoides, vitiligo e pênfigo bolhoso, e podem exigir hospitalização e tratamento prolongado com corticoides.

Não se sabe muito sobre os fatores de risco associados a essas reações. A maior incidência entre as mulheres já havia sido descrita antes. Um estudo de 2019 constatou maior risco de pneumonite e endocrinopatia, como a hipofisite, entre mulheres submetidas a tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células ou melanoma metastático.

O estudo de 2019 descobriu que o risco era maior antes da menopausa do que depois, o que levou algumas pessoas a sugerir que o estrogênio pode desempenhar algum papel.

Os resultados da revisão do Dana Farber depõem contra essa hipótese. Em sua revisão, os pesquisadores observaram que a elevação do risco foi semelhante entre as 27 mulheres que ainda não tinham passado pela menopausa (OR de 1,97; P = 0,40) e entre as 66 mulheres no climatério (OR de 2,17; P = 0,05). No estudo, as mulheres que tinham 52 anos ou mais no início do tratamento foram consideradas como estando no climatério.

"Isso sugere que fatores além dos hormônios sexuais provavelmente contribuem" para a diferença do risco entre os homens e as mulheres. Sabe-se que, em geral, as mulheres têm maior risco de doença autoimune, o que pode estar relacionado a maior probabilidade de reações do tipo autoimune, e é possível que diferenças entre os sexos relacionadas à imunidade inata e adaptativa estejam em ação, disse Jordan.

Convidado a comentar o estudo para o Medscape, o Dr. Douglas Johnson, médico e professor-assistente de hematologia e oncologia na Vanderbilt University, nos EUA, disse que, embora alguns estudos tenham descrito maior risco de efeitos colaterais entre as mulheres, outros não o fizeram. "Mais pesquisas são necessárias para determinar as interações entre o sexo e os efeitos dos inibidores do ponto de controle imunológico, assim como vários outros possíveis deflagradores de eventos adversos relacionados com o sistema imunitário."

"A continuidade do trabalho nesta área será muito importante para ajudar a determinar a melhor forma de orientar as mulheres e a assegurar o reconhecimento e a intervenção precoces dos efeitos colaterais dermatológicos", disse a Dra. Bernice Kwong, médica e diretora do programa de suporte de dermatologia oncológica na Stanford University, nos EUA.

Os participantes desta revisão foram tratados de 2011 a 2016 e fizeram avaliações pelo menos uma vez ao mês com sua equipe médica. Eles estavam tomando nivolumabe, pembrolizumabe, ipilimumabe ou nivolumabe + ipilimumabe.

A mediana de idade dos homens no estudo era de 65 anos; a mediana de idade das mulheres era de 60 anos. Quase 98% dos participantes eram brancos. A maioria recebeu entre uma e três infusões, geralmente de monoterapia com pembrolizumabe.

American Academy of Dermatology Virtual Meeting Experience (AAD VMX) 2021.

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