Covid-19: Mortalidade de maiores de 80 anos caiu pela metade após vacinação, revela estudo

Equipe Medscape

5 de maio de 2021

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O impacto positivo da vacinação contra a covid-19 começa a ser visto países como Israel, Estados Unidos, Portugal e Canadá. No Brasil, apesar da escassez de vacinas e da lentidão na vacinação, resultados animadores estão surgindo à medida que cresce a taxa de pessoas imunizadas, como mostra estudo publicado em pre-print na plataforma medRxiv.

O maior estudo populacional feito até o momento com dados de mortalidade e cobertura vacinal do Ministério da Saúde concluiu que as mortes de idosos acima de 80 anos caíram pela metade no Brasil após o início da vacinação, em janeiro de 2021. A redução observada corresponde a cerca de 13,8 mil vidas salvas de pessoas nessas faixas etárias em todo o país em um intervalo de oito semanas de 2021.

Os autores analisaram dados entre 3 de janeiro e 22 de abril deste ano, quando o país registrou 171.454 mortes pela doença.

“Até o momento, nenhum dos estudos populacionais sobre mortalidade havia sido realizado em um cenário de predominância da variante P.1, como é o caso do Brasil”, ressaltou o epidemiologista Dr. Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas, que coordenou o estudo. Do trabalho também participaram os pesquisadores Aluísio Barros (UFpel); Márcia Castro e Suzie Gurzenda, do Departament of Global Health and Population da Harvard T.H. Chan School of Public Health, nos Estados Unidos (EUA).

Os pesquisadores encontraram evidências de que a proporção de mortes entre idosos começou a cair rapidamente na segunda quinzena de fevereiro, ainda que a disseminação da variante P.1 tenha levado ao aumento de mortes por covid-19 em todas as faixas etárias. Essa proporção vinha se mantendo entre 25% e 30% desde o início da pandemia, em 2020. No entanto, em abril deste ano, caiu para 13,1% (semanas epidemiológicas 13-14).

Os achados sugerem que houve proteção pelas vacinas mesmo em um cenário predominância da variante P.1. Isso reforça as conclusões de pesquisas feitas em Manaus e São Paulo entre profissionais de saúde vacinados nos primeiros meses de 2021, que revelaram proteção também a partir da primeira dose em populações afetadas pela variante P.1, de acordo com o Dr. Cesar Victora. Em 2017, ele foi o primeiro pesquisador brasileiro a receber o Canada Gairdner Internacional Award, concedido a pesquisadores de ciências médicas por contribuições excepcionais ao desenvolvimento da área.

O levantamento constatou que a mortalidade começou a cair já entre os idosos que tomaram a primeira dose. Dados ainda não publicados obtidos pelo mesmo grupo indicam que também já se observa queda proporcional da mortalidade na faixa etária de 70 a 79 anos. Mesmo que seja reconfortante constatar que a primeira dose já fornece algum nível de proteção, o ideal é tomar todas as doses preconizadas, reforçam os pesquisadores.

A urgência em divulgar os achados do estudo teve como intuito chamar a atenção das autoridades para a necessidade de intensificar a campanha de vacinação. Na última segunda-feira, a aplicação da segunda dose da CoronaVac foi interrompida em cidades de 18 estados por falta de vacinas.

“Uma vez que medidas não farmacológicas, como distanciamento social e o uso de máscara, não estão sendo uniformemente seguidas na maior parte do país, o rápido progresso da vacinação continua sendo a abordagem mais promissora para controlar a pandemia em um país onde quase 400 mil vidas já foram perdidas para a doença”, disse o Dr. Cesar Victora.

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