Consumo diário de cerveja, meteorismo e dor lombar

Dr. Erik D. Schraga

Notificação

4 de maio de 2021

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Homem de 47 anos vai ao pronto-socorro por ter acordado com fortes dores abdominais. Ele diz que na semana anterior teve dor epigástrica intermitente e sensação de que "precisava arrotar". A partir desta manhã, a dor se tornou ainda mais intensa. Agora está se irradiando para todo o andar superior do abdome e para as costas. A dor piora quando o paciente fica em decúbito dorsal e parece melhorar um pouco quando ele se senta.

O paciente refere sentir um pouco de náuseas, mas não vomitou. Nega calafrios ou febre e diarreia. Ele disse ter evacuado, sem sinais de sangue nas fezes, antes de ir ao pronto-socorro. Nega precordialgia, dispneia ou palpitação. Toma de seis a oito cervejas por dia, mas diz que não tem doença crônica e que não toma nenhum medicamento.

Nega o uso de medicamentos de venda livre, como anti-inflamatórios não esteroides (aine). Nega alergia a medicamentos.

Exame físico e propedêutica

O exame físico revela um homem magro com discreta emaciação e evidente desconforto. Seus sinais vitais são: temperatura de 35,4 ºC, frequência cardíaca de 87 batimentos por minuto, frequência respiratória de 28 incursões respiratórias por minuto, pressão arterial de 111 × 62 mmHg e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente.

O paciente está sudoreico e se contorcendo na maca. Anictérico. Orofaringe sem alterações, com mucosa ligeiramente ressecada. A ausculta cardíaca revela bulhas regulares em dois tempos, sem sopros. Ausculta pulmonar com murmúrio universal sem adventícios.

O exame do abdome revela dor aguda à palpação na região epigástrica e nos hipocôndrios direito e esquerdo, com descompressão dolorosa e defesa abdominal. Andar inferior do abdome inocente. O exame retal revela fezes de coloração marrom sem sinais de sangramento.

O paciente é conectado imediatamente a um monitor cardíaco, e é feito acesso venoso com gelco 18 inserido na fossa cubital, através da qual é iniciada infusão de soro fisiológico isotônico. O paciente recebe duas doses de hidromorfona intravenosa, mas não há melhora significativa da dor nem da sensibilidade à palpação do abdome.

É feita uma radiografia ortostática anteroposterior do tórax, com aparelho móvel; as imagens não evidenciam ar livre sob o diafragma. A ultrassonografia abdominal não mostra indícios de colelitíase ou espessamento da parede da vesícula biliar; os rins e o fígado também têm aspecto normal.

Todos os resultados laboratoriais, como hemograma completo, bioquímica, provas de função hepática, amilase e lipase, dosagem da troponina, estão dentro dos parâmetros normais. O eletrocardiograma revela ritmo sinusal com frequência ventricular de 88 batimentos por minuto e retificação inespecífica do segmento ST nas derivações laterais, sem alteração em relação ao eletrocardiograma anterior do paciente.

Após os exames iniciais, é administrada uma nova dose de analgésico intravenoso, o que proporciona algum alívio da dor (embora a dor epigástrica à palpação persista). O paciente é preparado para fazer uma tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve, e são obtidas imagens com contraste oral e intravenoso (Figuras 1 e 2).

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