Covid-19: Resumo da semana (24 a 30 de abril)

Equipe Medscape Professional Network

30 de abril de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .


O Brasil atingiu a dramática marca de 400.021 mortos por covid-19 na quinta-feira (29). Os números e médias citados neste resumo são do consórcio de veículos de imprensa que monitora a pandemia a partir dos dados obtidos das secretarias estaduais de saúde – o consórcio é formado por EstadãoG1O GloboExtraFolha e UOL. Na manhã de sexta-feira (30), o país registrou 14.592.886 casos diagnosticados de infecção por SARS-CoV-2 e 401.417 óbitos por covid-19 desde o início da pandemia.

Conforme dados divulgados na terça-feira (27) pelo Imperial College, de Londres, o Rt brasileiro (taxa de transmissão) da covid-19 caiu para 0,93, apontando uma desaceleração da disseminação do novo coronavírus. É a primeira vez que o Rt fica abaixo de 1 desde novembro, segundo os pesquisadores. O índice é atualizado semanalmente.

Segundo análise do consórcio publicada na sexta-feira (30), após seis dias apontando queda, média de mortes aparece com tendência de estabilidade em patamar muito elevado: 2.523 vítimas por dia. Segundo os critérios do consórcio de veículos de imprensa, variações abaixo de 15% são entendidas como tendência de estabilidade.

Em entrevista ao canal Globonews na quinta-feira (29), o epidemiologista Dr. Paulo Lotufo, da Universidade de São Paulo, alertou para o potencial risco de aumento da transmissão com o Dia das Mães.

"Tenho uma preocupação imediata com a próxima semana, quando nós temos o Dia das Mães. O comércio sempre disse que dia das mães é o segundo melhor dia de vendas, depois do Natal. O que aconteceu no Natal foi uma verdadeira catástrofe, tanto por aglomeração em lojas quanto nas casas", disse o epidemiologista.  A recomendação é evitar aglomerações.

Na semana que começa, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouvirá os três ex-ministros da Saúde que o país teve durante a pandemia e o atual, Marcelo Queiroga. A CPI também deve investigar a recusa, pelo presidente da República, de ao menos 11 ofertas formais de vacinas feitas por empresas fabricantes. Outro tema será a atuação do Conselho Federal de Medicina (CFM) e dos planos de saúde na propagação de remédios ineficazes em tratamento precoce sem comprovação cientifica. 

A ‘nova’ covid-19 no Brasil

A pandemia está sofrendo um processo de "rejuvenescimento" no Brasil. O boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) referente ao período de 4 a 17 de abril de 2021 (semanas epidemiológicas 14 e 15) aponta que o aumento do número de mortes por covid-19 foi maior entre jovens de 20 a 29 anos de idade, registrando 1.081,82% de aumento nesta faixa etária, enquanto o aumento global foi de 429,47%. Quanto à internação em unidades de terapia intensiva (UTI), em uma semana a proporção de pacientes com menos de 70 anos passou de 52,74% para 72,11%. Além disso, duas novas pesquisas epidemiológicas descrevem mudanças no perfil de pacientes acometidos pelas formas mais graves da doença e daqueles que evoluem com óbito, associando estes resultados a um possível perfil de patogenicidade e virulência da variante P.1, que hoje predomina em território nacional.

A situação das Américas

Na sexta-feira (30), em entrevista coletiva da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Dr. Ciro Ugarte, diretor do departamento de emergências em saúde nas Américas e da Organização Panamericana de Saúde (Opas), disse que a pandemia está mais complexa não apenas no Brasil, mas em toda a América.

“Hoje, a maioria dos países no Cone Sul, como Equador, Peru, Bolívia e Guiana, Argentina e Uruguai, relata aumento dramático de infecções e os serviços de saúde estão sobrecarregados. Estamos vendo grandes surtos e a falta de leitos de terapia intensiva em cidades como Bogotá e Medellín.” Ugarte disse ainda que desde o começo de 2021 diversos países registram aumento de casos na população mais jovem e apontou, entre as causas, a falta de vacinação.

“A maior parte dos países está aplicando as poucas vacinas que têm nos grupos vulneráveis e em profissionais da saúde”, disse. O especialista fez um apelo à doação de vacinas e por mais atenção do consórcio de vacinas COVAX Facility.

“A COVAX entregou 7,3 milhões de doses à América Latina e região do Caribe, mas a necessidade é muito maior. Muitos países não têm condições de fechar acordos bilaterais com outros produtores e precisam de mecanismos como a COVAX. A região também precisa de mais financiamento para insumos estratégicos, incluindo EPIs, medicamentos para entubação, oxigênio e testes de antígeno rápidos para responder aos novos surtos.”

O Brasil em relação a outras nações

O site G1 publicou um levantamento para mostrar a situação brasileira em relação a outros países. Confira algumas informações: 

  • O Brasil tem 2,7% da população mundial;

  • Aplicou 3,7% das doses de vacinas contra a covid-19 do planeta;

  • Concentra 9,7% de todos os infectados e 12,6% de todos os óbitos;

  • É 2º país em número absoluto de mortes e o 13º em óbitos proporcionais à população;

  • É 5º país em vacinas em número absoluto de doses aplicadas e o 57º em doses aplicadas a cada 100 habitantes;

  • Na média diária de mortes em relação à população, o Brasil é o 8º pior atualmente (com 11,44 novos óbitos em 1 milhão de habitantes). A média mundial é 1,66. Neste ranking, está atrás apenas de: Hungria (20), Uruguai (17), Bósnia e Herzegovina (17), Macedônia do Norte (15), Bulgária (13), Paraguai (12) e Polônia (11,94).

A semana das vacinas

Até sexta-feira (30), 14,74% da população brasileira (31.208.111 de pessoas) receberam ao menos uma dose de vacina e 7,15% (15.132.178 de pessoas) tomaram duas doses. O total de doses aplicadas até agora é de 46.340.289.

As boas notícias: no dia 29, chegou ao Brasil o primeiro lote de 1 milhão de vacinas ComiRNAty, de Pfizer/BioNTech. A distribuição às capitais deve começar na sexta-feira, 30. O intervalo entre a primeira e segunda dose desta vacina é de 21 dias. O imunizante pode ficar até cinco dias em refrigerador comum sob temperaturas de 2ºC a 8ºC. A Anvisa aprovou o transporte e armazenamento a -20ºC por apenas duas semanas. A validade é de seis meses desde que mantida a – 75ºC. E mais: Na sexta-feira (30), a Fiocruz deve entregar 6,5 milhões de doses de vacina de Oxford/AstraZeneca envasadas no Brasil.

Agora, aos problemas: No dia 28, cidades de 18 estados haviam interrompido a aplicação da segunda dose por falta da vacina CoronaVac (Sinovac/Butantan). Entre os municípios atingidos estão oito capitais – Aracaju, Campo Grande, Florianópolis, Macapá, Maceió, Natal, Porto Alegre e Porto Velho. O atraso na produção se deve à demora na entrega de insumos farmacêuticos ativos (IFA) importados da China. Alguns municípios também atenderam à orientação dada aos estados e municípios pelo ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para que todas as vacinas fossem usadas para dar a primeira dose, sem reservas.

No dia 26, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou por unanimidade a autorização excepcional para importação da vacina Sputnik V. O órgão não recebeu os documentos solicitados para comprovar segurança e eficácia da vacina e apontou falhas graves no processo de fabricação. No dia 29, as lideranças da Anvisa responderam aos ataques à credibilidade da agência e deixaram claro que vacina não será aprovada sem dados completos. O Medscape explica.

No dia 28, o Instituto Butantan anunciou o início da produção da sua nova ButanVac, a primeira vacina anticovídica produzida com IFA totalmente fabricado no Brasil. Até o momento, porém, a vacina só foi testada em animais. A Anvisa aguarda mais informações, pedidas no dia 27, para autorizar os testes com o imunizante em humanos. E mais: Enquanto o mundo aguarda evidências sobre a durabilidade da resposta imunitária às vacinas anticovídicas, os pesquisadores já estão chegando com novos alvos e vias de administração para a próxima geração de imunizantes.

Mais variantes

Na segunda-feira (26), pesquisadores do Instituto Butantan anunciaram a identificação das variantes sul-africana (B.1.351), e suíça (B.1.318) no país, além de uma mutação da variante amazônica (N9). A constatação foi feita por meio de sequenciamento genômico. Ainda não se sabe se as variantes encontradas são mais agressivas ou transmissíveis.

Transmissão aérea

Evidências irrefutáveis da transmissão aérea do vírus causador da covid-19 sugerem que é hora de aceitar a ciência e concentrar-se na elaboração de políticas, dizem pesquisadores. Entenda.

Anticorpos monoclonais e antipsicóticos

Demanda, preço e variante P.1 podem dificultar uso do medicamento REGN-COV2, aprovado no dia 20 pela Anvisa. Estudo em laboratório mostrou que um dos dois anticorpos monoclonais que compõem o medicamento não tem atividade contra a variante P.1, enquanto o outro permanece ativo. É preciso monitorar diligentemente, diz pesquisador.

Será que os medicamentos antipsicóticos podem proteger da covid19? Nova pesquisa sugere que o uso dessas substâncias pode proteger contra a infecção pelo SARS-CoV-2 ou levar a uma evolução mais branda da doença.

Manifestações mucocutâneas em crianças

Dois artigos recém-publicados trazem novas informações sobre as manifestações mucocutâneas da covid-19 em crianças, o que pode contribuir para que dermatologistas façam diagnósticos mais acurados, além de guiar a estratificação do risco de doença sistêmica grave.

A pandemia no mundo

No dia 30 de abril, o mundo alcançou o total de 150.699.791 casos diagnosticados de infecção por SARS-CoV-2 e 3.169.494 mortes por covid-19, de acordo com o monitor Coronavirus Resource Center , da Johns Hopkins University.

Com mais de 60 mil mortos, a Argentina vive o pior momento da pandemia, segundo declarações da ministra da Saúde do país, Carla Vizzotti. O governo argentino reiniciou as negociações com a Pfizer para a compra da vacina. O primeiro lote local da vacina Sputnik V foi produzido. O Chile anunciou que começará a vacinar mulheres no primeiro ou segundo trimestre da gravidez.

Em Portugal, o primeiro ventilador mecânico produzido em 100% no país acaba de chegar aos hospitais. Batizado de SYSVENT OM1, o produto foi desenvolvido por uma equipe de engenheiros e médicos intensivistas. O projeto surgiu há cerca de um ano, em meio aos desafios impostos pela pandemia ao sistema de saúde. Na sexta-feira (30), o país informou 460 novos casos de covid-19 em 24 horas e nenhum óbito. Foi a terceira vez que isso ocorreu desde o início da pandemia. As outras datas foram 3 de agosto e segunda-feira (26). O Rt passou de 1 a 0,98 em nível nacional e no continente. Na terça-feira (27), técnicos do pronto-socorro pré-hospitalar protestaram nas ruas da capital Lisboa para exigir capacitação e melhores condições de trabalho para todos os profissionais de carreira, segundo a Agência Lusa.

O aumento de casos na Índia continua, com 360.960 diagnósticos em 24 horas registrados na quarta-feira (28). Com 3.293 mortes diárias, o total de óbitos ultrapassou a marca de 200.000. Os hospitais em Nova Delhi e em muitos outros estados duramente atingidos pela segunda onda enfrentam uma escassez crítica de leitos hospitalares, ventiladores e suprimentos, enquanto os crematórios estão realizando cremações 24 horas por dia. O gabinete do primeiro ministro anunciou que um total de 551 usinas de oxigênio serão montadas em instalações de saúde em todo o país para aumentar a disponibilidade de oxigênio. Muitos aliados próximos da Índia, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Canadá, Reino Unido, EUA, Alemanha, França, Rússia, Cingapura e Coreia do Sul, entre outros, ofereceram ajuda médica à Índia.

Um em cada 4 adultos do Reino Unido já recebeu ambas as doses de alguma vacina anticovídica. A covid-19 foi responsável por apenas 3,5% de todas as mortes na Inglaterra e no País de Gales, com total de óbitos mantido abaixo da média dos últimos cinco anos pela sexta semana consecutiva. Os testes positivos estão agora em uma taxa de 25 por 100 mil pessoas. Teve início um debate político devido a notícias de jornais de que o primeiro-ministro Boris Johnson teria dito que que preferia “corpos amontoados aos milhares” do que ordenar um terceiro bloqueio no ano passado. Ele negou. O Reino Unido está entre os países que enviaram suprimentos médicos para a Índia, incluindo ventiladores e concentradores de oxigênio. Começou esta semana o recrutamento de 4.000 voluntários para um ensaio clínico de fase 3 da vacina com vírus inativado e adjuvante da farmacêutica Valneva.

A Alemanha espera vacinar toda a sua população até junho. O ministro da Saúde, Jens Spahn, espera que, no decorrer de maio, uma em cada três pessoas no país tenha recebido a primeira dose de uma vacina. De acordo com dados divulgados pelo Robert Koch Institut (RKI) nesta terça-feira (27), 23,9% dos cidadãos alemães já receberam sua primeira vacinae 7,3% estão totalmente vacinados. Enquanto isso, dados recentes do Federal Statistical Office e do Robert Koch Institute mostram que o número de casos de morte em abril excedeu a média dos anos anteriores. Um total de 19.341 pessoas morreram no período.

Na Itália, o número de novos casos e de pacientes internados declina lentamente. O quadro geral ainda se mantém em patamar bastante desafiador. A queda na incidência, que foi muito acentuada na semana passada, desacelerou, passando de 160,5 para 157,4 casos novos por 100 mil habitantes. A maior parte do país é agora classificada como “amarela”, o nível mais baixo de restrições à vida social e econômica. A nota de otimismo vem da campanha de vacinação, que tem acelerado o passo: na última semana, foram administradas mais de 2 milhões de doses, elevando o total para mais de 17,5 milhões de doses, com cerca de 8,6% da população completamente vacinada. Cerca de 85% dos maiores de 80 anos receberam pelo menos uma dose da vacina.

Na Espanha, a curva pandêmica parece estar se achatando, mas a incidência em 14 dias ainda é muito alta, ultrapassando 200 casos por 100.000 habitantes. O Ministério da Saúde informou que o número de leitos de UTI ocupados por pacientes com covid-19 ultrapassa 23,12%. O perfil dos pacientes é diferente das ondas anteriores: são mais jovens (na faixa etária de 35 a 45 anos), sem comorbidades prévias e com sintomas mais graves. O ministro da Saúde afirmou que todas as segundas-feiras de maio, a Espanha receberá, em média, 1,7 milhão de doses da vacina de Pfizer/BioNTech, o que ajudará a impulsionar a campanha de vacinação. No dia 26, chegaram mais de 2 milhões de doses. Mais de 4 milhões de pessoas, o equivalente a 8,5% da população, foram totalmente vacinados, e 11 milhões (23,2%) receberam ao menos uma dose. Para evitar a propagação de variantes, a partir de 1º de maio os viajantes da Índia deverão completar uma quarentena de 10 dias antes de entrar no país.

Os Estados Unidos são agora o terceiro no mundo, atrás do Reino Unido e de Israel, em percentagem de habitantes vacinados com pelo menos uma dose de uma vacina anticovídica. Casos diários, mortes e hospitalizações estão diminuindo. O país, que tem vacinas em excesso, disse que iria compartilhar 60 milhões de doses do imunizante de Oxford/AstraZeneca com o resto do mundo desde que passassem nas verificações federais de segurança. Durante a semana, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) emitiram novas orientações para as crianças que participam dos acampamentos de verão. Elas poderão ficar a menos de 3 metros umas das outras, mas precisam usar máscaras. Os CDC decidiram também que adultos totalmente vacinados não precisam usar máscaras para praticar exercícios ou em pequenas reuniões ao ar livre. Ao mesmo tempo, a campanha de vacinação pode estar perdendo um pouco de seu ímpeto e há o receio de o país possa em breve enfrentar a barreira da hesitação vacinal. Não está claro para os norte-americano como seria a vida com o vírus se o país não atingir a imunidade coletiva generalizada.

Em Cuba, os casos de covid-19 aumentaram durante o mês de abril e foi confirmada a presença da cepa B.1.351 (África do Sul). O governo cubano enviou 1.000 profissionais de saúde ao México e confirmou que a vacina Abdala, desenvolvida no país, completará um ensaio clínico de Fase 3 nas próximas semanas. A prefeitura de São Paulo considera a compra do imunizante.

Na esteira do aumento das infecções por covid-19 no país, a Coreia do Sul decidiu conceder acesso público a dois kits de autoteste de covid-19. Os kits podem fornecer resultados em cerca de 15 minutos, com precisão de 90%.

O governo da Austrália anunciou que os atletas e equipes de apoio que participam dos Jogos Olímpicos de Tóquio terão prioridade na vacinação, além da equipe de saúde, idosos com mais de 70 anos e indígenas acima de 55 anos. O Comitê Olímpico Australiano garantiu que a vacinação de atletas não irá onerar o sistema público de saúde.

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