Pandemia deve se agravar em abril, alerta Fiocruz

Equipe Medscape

7 de abril de 2021

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Pela primeira vez o Brasil ultrapassou 4 mil mortes em 24 horas. Na terça-feira (6), o dia mais letal para o país desde o início da pandemia, foram registrados 4.211 óbitos pela covid-19. Em Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz publicado no mesmo dia, pesquisadores da instituição responsáveis pelo relatório alertam que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo do mês de abril.

O boletim aponta uma aceleração da transmissão da covid-19 no país detectada na semana epidemiológica 13 (28 março a 3 de abril de 2021), fato demonstrado pelos valores recordes no número de óbitos e pela permanência de elevada positividade dos testes. Segundo os dados, a taxa de letalidade subiu na última semana de 3,3 para 4,2%.

“Essa alta pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar corretamente e no tempo devido os casos graves, o que se soma à sobrecarga dos hospitais num processo que vem sendo apontado como o colapso do sistema de saúde, não somente de hospitais”, escreveram os pesquisadores. No final de 2020, o indicador estava em torno de 2%.

O levantamento feito pela Fiocruz indicou que 19 estados e o Distrito Federal tiveram taxa de ocupação de leitos em unidade de tratamento intensivo (UTI) de covid-19 para adultos acima de 90% entre os dias 29 de março e 5 de abril. No mesmo período, 21 capitais apresentaram taxas acima de 90%.

“No momento atual a crise do sistema de saúde atinge 23 estados e o Distrito Federal e 25 capitais, constituindo uma situação ainda bastante grave”, dizem os pesquisadores.

Tabela: Taxa de ocupação de UTI adulto covid-19 por região*

NORTE

Rondônia (96%), Acre (95%), Amapá (91%), Tocantins (95%), Pará (87%), Amazonas (75%) e Roraima (49%)

NORDESTE

Piauí (97%), Ceará (96%), Rio Grande do Norte (97%), Pernambuco (97%), Sergipe (95%), Maranhão (80%), Alagoas (89%), Bahia (85%) e Paraíba (77%)

SUDESTE

Minas Gerais (93%), Espírito Santo (94%), Rio de Janeiro (91%) e São Paulo (91%)

SUL

Santa Catarina (99%), Paraná (95%) e Rio Grande do Sul (90%)

CENTRO-OESTE

Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso (98%), Goiás (96%) + Distrito Federal (99%)

*Fonte: Fiocruz

Pela análise da Fiocruz, as medidas restritivas de circulação de pessoas que vêm sendo implementadas em diferentes partes do país estão tendo êxito localizado. No entanto, elas só devem levar à diminuição do número de óbitos e nas taxas de ocupação de leitos de UTI em três a quatro semanas. Isso se deve, segundo os pesquisadores, “ao acúmulo de casos, diversos deles graves, advindos da exposição ao vírus ainda no mês de março, quando havia uma alta positividade dos testes diagnósticos. Este último indicador revela que o vírus permanece em circulação intensa em todo o país.”

O conjunto de indicadores monitorado pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz, mostra que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo de abril. Em conclusão, os pesquisadores defendem a contenção das taxas de transmissão e crescimento de casos por meio de restrições à circulação ou lockdown, seguidas de medidas para mitigação, com o objetivo de reduzir a velocidade da propagação. 

Tomando como referência a Carta dos Secretários Estaduais de Saúde à Nação Brasileira, publicada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) em 1 de março de 2021, a análise aponta a necessidade de maior rigor nas medidas de restrição das atividades não essenciais em todos os estados, capitais e regiões de saúde que tenham uma taxa ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação no número de casos e óbitos.

Os pesquisadores alertam que, para produzir os resultados esperados, as medidas de bloqueio precisam ter pelo menos 14 dias de duração e, em algumas situações, podem ser mantidas por mais tempo dependendo da amplitude do rigor da aplicação.

O boletim também chama a atenção para a necessidade de coerência e convergência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e dos diferentes níveis de governo em favor das medidas de bloqueio. 

A proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas e esportivas em todo território nacional está entre as medidas propostas, bem como a suspensão das atividades presenciais em todos os níveis da educação no país.

Os pesquisadores propõem o toque de recolher nacional das 20h até as 6h (também durante os finais de semana); o fechamento das praias e bares; a adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado; a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais; a adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; e a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos.

A investigação feita pelo Observatório Covid-19 Fiocruz aponta ainda que é fundamental insistir no fortalecimento da rede de serviços de saúde, incluindo os diferentes níveis de atenção e de vigilância, com ampla testagem, compra e ampliação da produção de vacinas, e aceleração da vacinação.  

Ainda no dia 6, foram divulgados resultados interinos de um estudo feito em Manaus (AM) com mais de 67 mil trabalhadores da saúde para avaliar a efetividade da vacina CoronaVac, produzida pela empresa farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e pelo Instituto Butantan.

A análise mostrou que a vacina teve 50% de efetividade na prevenção do adoecimento por covid-19 após 14 dias da primeira dose. Trata-se do primeiro trabalho a avaliar o impacto da CoronaVac em uma cidade onde a variante P.1 (chamada de variante brasileira ou de Manaus) é predominante.

Foram avaliados 67.718 trabalhadores da saúde. Segundo o coordenador do estudo, o infectologista Dr. Julio Croda, os resultados revelam que Coronavac foi efetiva para a nova variante do Brasil e pode ser usada para prevenir a infecção. O estudo prossegue com a coleta de dados relativos à efetividade depois de 14 dias da segunda dose.

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