COMENTÁRIO

ENDO 2021: Cinco estudos com resultados relevantes para a sua prática

Dr. Fabiano M. Serfaty

Notificação

8 de abril de 2021

1. Hipotireoidismo: Hormônios da tireoide combinados tão bons quanto a levotiroxina

De acordo com os resultados de um novo ensaio clínico duplo-cego randomizado, que foram apresentados na reunião anual de 2021 da Endocrine Society (ENDO 2021), pacientes com hipotireoidismo tratados com levotiroxina isolada, levotiroxina + triiodotironina ou extrato de tireoide, também conhecido como extrato dessecado de tireoide, não demonstraram diferenças nos sintomas ou no desfecho da doença; ou seja, a terapia combinada demonstrou ser tão eficaz quanto o tratamento padrão com levotiroxina isolada.

Para comparar a eficácia das três abordagens de forma prospectiva e duplo-cega, 75 pacientes receberam uma de três abordagens terapêuticas por três meses: extrato de tireoide, uma combinação de LT4/T3 ou apenas LT4.

Os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença significativa entre qualquer um dos três tratamentos no alívio dos sintomas. No entanto, a maioria dos pacientes relatou preferência pela terapia combinada, em vez de levotiroxina isolada. Entre os participantes do estudo, 45% preferiram o extrato de tireoide, 32% preferiram a combinação LT4/T3 e 23% preferiram a levotiroxina (LT4) isolada. No estudo, os pacientes com tireoidite de Hashimoto preferiram a terapia combinada.

2. Homens podem desenvolver um quadro semelhante à síndrome de ovários policísticos

Uma nova pesquisa genética sugere que homens podem desenvolver características semelhantes às da síndrome de ovários policísticos.

O estudo demonstrou que homens com fatores de risco genéticos de síndrome de ovários policísticos apresentam um risco elevado de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, assim como de alopecia androgenética.

O estudo avaliou dados genéticos de 176.360 homens no Reino Unido para estimar a suscetibilidade genética à síndrome de ovários policísticos. Os pesquisadores testaram associações entre distúrbios metabólicos (obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares) e alopecia androgenética.

Homens com alta pontuação de risco genético de síndrome de ovários policísticos apresentaram maior risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e alopecia androgenética, demonstrando que a disfunção metabólica da síndrome de ovários policísticos pode ser causada por mecanismos biológicos comuns a homens e mulheres.

3. Vosoritide: Primeira terapia-alvo para crianças com acondroplasia demonstra ganho de altura contínuo por até dois anos

Este estudo revelou os dados de dois anos de acompanhamento sobre a primeira terapia-alvo para crianças com acondroplasia.

Atualmente, não há tratamento eficaz para aumentar a altura de crianças com acondroplasia, a forma mais comum de baixa estatura desproporcional.

Um estudo anterior feito com crianças de 5 a 17 anos com acondroplasia mostrou que um ano de injeções diárias de vosoritide melhorou significativamente a velocidade do crescimento dos pacientes em comparação com o placebo.

O novo estudo, apresentado no ENDO 2021, estende a análise de dados por mais um ano de tratamento contínuo com vosoritide, ou seja, um total de dois anos de tratamento.

As crianças que receberam vosoritide por dois anos apresentaram uma velocidade de crescimento média de 4,28 cm/ano. Após o segundo ano de tratamento, estes pacientes também apresentaram um aumento significativo no escore z de altura. Além disso, as crianças mostraram tendências em desenvolver melhores proporções dos membros superiores e inferiores.

O acompanhamento prolongado ainda está em andamento. Os dados adicionais sobre qualidade de vida, medidas funcionais e altura final dos participantes ajudarão a confirmar a relevância clínica deste tratamento no crescimento e proporcionalidade destes pacientes.

4. Agonistas do GLP-1 não aumentam risco de câncer de mama

De acordo com um estudo apresentado no ENDO 2021, os agonistas do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1 sigla do inglês, Glucagon-Like Peptide-1) não estão associados a aumento do risco de câncer de mama.

A metanálise se avaliou 52 ensaios clínicos randomizados que avaliaram o uso de agonistas do GLP-1 com outras medicações em pacientes com diabetes, pré-diabetes, obesidade ou sobrepeso.

Foram incluídos 90.360 pacientes com um período mínimo de acompanhamento de seis meses. Dos pacientes (148.267) que utilizaram os agonistas do GLP-1, 130 desenvolveram câncer de mama, em comparação com 107 pacientes no grupo que não usou os agonistas do GLP-1 (40.755).

A metanálise concluiu que o tratamento com agonistas do GLP-1, em comparação com placebo ou outros medicamentos para diabetes ou perda ponderal, não foi associado a aumento das taxas de câncer de mama ou de neoplasias benignas ou pré-malignas na mama.

5. Mulheres notívagas com diabetes gestacional podem apresentar maior risco de complicações na gestação

Mulheres notívagas com diabetes gestacional apresentam mais risco de complicações maternas e fetais do que mulheres com preferência por atividades diurnas.

As mulheres com diabetes gestacional com preferência por atividades noturnas apresentaram três vezes mais chances de pré-eclâmpsia e os recém-nascidos tiveram quatro vezes mais chances de internação em unidade de terapia intensiva neonatal, de acordo com estudo apresentado no ENDO 2021.

Foram avaliadas 305 mulheres com diabetes gestacional durante o segundo e o terceiro trimestres da gestação. As mulheres responderam a questionários sobre suas preferências diurnas, noturnas, qualidade do sono, sonolência diurna e sintomas de depressão.

As mulheres notívagas relataram mais insônia, sonolência diurna e sintomas significativamente maiores de depressão antes e depois da gestação.

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