HIIT pode reduzir riscos cardiometabólicos em mulheres com síndrome do ovário policístico

Mitchel L. Zoler

Notificação

7 de abril de 2021

O treino intervalado de alta intensidade (HIIT, sigla do inglês High-Intensity Interval Training) foi melhor do que o treino contínuo de intensidade moderada para melhorar várias medidas de saúde cardiometabólica em mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) em um estudo prospectivo e randomizado, que foi realizado em um único centro com 27 mulheres.

Após 12 semanas seguindo um esquema de exercícios supervisionados, as mulheres com síndrome do ovário policístico que fizeram o HIIT tiveram melhoras significativamente mais expressivas na capacidade aeróbica, sensibilidade à insulina e nos níveis de globulina ligadora de hormônios sexuais, disse Rhiannon K. Patten, no encontro anual de 2021 da Endocrine Society.

"O HIIT pode oferecer melhoras superiores nos resultados de saúde e deve ser considerado como uma ferramenta eficaz para reduzir o risco cardiometabólico em mulheres com síndrome do ovário policístico", concluiu Rhiannon, pesquisadora do Institute for Health and Sport da Victoria University, na Austrália, em sua apresentação (Abstract OR10-1).

"As mudanças observadas após 12 semanas no grupo que realizou o HIIT parecem ocorrer apesar da ausência de alteração no índice de massa corporal (IMC), então, em vez de focar na perda ponderal, nós incentivamos os participantes a se concentrarem nos ganhos em termos de saúde, que parecem ser maiores com o HIIT. Atualmente, nós incentivamos ativamente o protocolo HIIT", disse ela.

Os dois esquemas usaram uma bicicleta ergométrica. No protocolo HIIT, as participantes seguiram uma dinâmica de treino que consistiu em pedalar por um minuto a uma frequência cardíaca máxima de 90% a 100%, descansar por um minuto e repetir o ciclo 12 vezes. Este esquema foi seguido duas vezes por semana. Em um terceiro dia por semana, as participantes pedalaram por dois minutos a uma frequência cardíaca máxima de 90% a 95% e descansaram também por dois minutos, o ciclo foi repetido de seis a oito vezes. Na dinâmica de treino contínuo moderado, usado como método de comparação, as participantes pedalaram a 60% a 70% de sua frequência cardíaca máxima por 50 minutos direto, sem intervalos de descanso, três vezes por semana.

HIIT poupa tempo

"Esses achados são relevantes para a prática clínica, porque demonstram que o HIIT é eficaz em mulheres com síndrome do ovário policístico. Reduzir o tempo dedicado ao exercício para atingir as metas de condicionamento físico é atraente para as pacientes. O pouco tempo necessário para atingir os benefícios da prática de exercícios por meio do HIIT deve aumentar a adesão da paciente "comentou a Dra. Andrea Dunaif, médica, professora e chefe da Divisão de Endocrinologia, Diabetes e Doenças Ósseas do Mount Sinai Health System, nos Estados Unidos, que não participou do estudo.

O tempo dedicado à prática de exercícios semanalmente com o treino contínuo moderado, de 150 minutos no total, cai pela metade, para 75 minutos por semana, com o HIIT. As diretrizes publicadas em 2018 pela International PCOS Network recomendam essas estratégias como alternativas aceitáveis de exercícios. Rhiannon e colaboradores procuraram determinar se uma estratégia seria superior à outra. Esta foi a primeira vez que a questão foi estudada em mulheres com síndrome do ovário policístico, disse a Dra. Andrea.

Os autores randomizaram 27 mulheres sedentárias de 18 a 45 anos com IMC > 25 kg/m² e diagnóstico de síndrome do ovário policístico, de acordo com os critérios de Rotterdam, para um programa de exercícios supervisionados de 12 semanas no protocolo HIIT ou treino contínuo moderado. A média do IMC das participantes ao início do estudo era de 36 a 37 kg/m². O estudo excluiu candidatas tabagistas, gestantes, que tivessem doenças ou lesões que impedissem a prática dos exercícios ou que estivessem em uso de anticoncepcional oral ou de medicamentos para aumentar a sensibilidade à insulina.

Ao final de 12 semanas, não foi identificada uma mudança significativa na média de peso corporal ou do IMC em nenhum dos dois grupos, e a circunferência abdominal caiu, em média, pouco mais de 2 cm em ambos os grupos. A massa magra aumentou em média 1 kg no grupo HIIT, uma mudança significativa em comparação com um aumento médio não significativo de 0,3 kg no grupo treino contínuo moderado.

Aumento da capacidade aeróbica 'explica parcialmente' a melhora na sensibilidade à insulina

A capacidade aeróbica, medida como pico de consumo de oxigênio (pico de VO2), aumentou em média 5,7 mL/kg/min entre as participantes do grupo HIIT, sendo significativamente maior do que o aumento médio de 3,2 mL/kg/min entre as participantes do programa de treino contínuo moderado.

O índice de sensibilidade à insulina teve um aumento significativo, relativo de 35% no grupo HIIT, mas quase não mudou no grupo treino contínuo moderado. A glicemia de jejum caiu significativamente e a taxa de infusão de glicose aumentou significativamente no grupo HIIT, mas novamente mostrou pouca mudança no grupo treino contínuo moderado.

A análise mostrou uma associação significativa entre o aumento no pico de VO2 e o aumento na sensibilidade à insulina no grupo HIIT, relatou Rhiannon. A melhora no índice de sensibilidade à insulina foi "parcialmente explicada" pelo aumento no pico de VO2, disse ela.

A avaliação dos níveis hormonais mostrou um aumento significativo na globulina ligadora de hormônios sexuais no grupo HIIT, enquanto no grupo treino contínuo moderado houve um pequeno declínio nesse nível. O índice de andrógeno livre caiu em média cerca de 39% no grupo HIIT, uma queda significativa, mas diminuiu por um valor muito menor e não significativo no grupo treino contínuo moderado. As participantes do grupo HIIT também mostraram uma redução significativa no nível de testosterona livre, uma mudança que não foi observada no grupo treino contínuo moderado.

As participantes do grupo HIIT também tiveram uma melhora significativa em sua ciclicidade menstrual e na incidência de depressão, estresse e ansiedade, relatou Rhiannon. Ela pretende fazer um acompanhamento mais prolongado das participantes do estudo, de 6 a 12 meses, após o final do protocolo de exercícios.

"No geral, os achados sugerem que o HIIT é superior ao treino contínuo moderado para aumentar o condicionamento físico e a sensibilidade à insulina no curto prazo. Achados de vários estudos feitos com pacientes sem síndrome do ovário policístico sugerem que o HIIT é superior em relação ao treino contínuo moderado para aumentar o condicionamento físico no curto prazo", comentou Dra. Andrea. "Este estudo faz uma contribuição importante ao pesquisar diretamente o impacto da intensidade do treinamento em mulheres com síndrome do ovário policístico. Estudos maiores serão necessários antes que a superioridade do HIIT seja estabelecida para mulheres com síndrome do ovário policístico, e durações de estudo de pelo menos vários meses serão necessárias para avaliar o impacto nos resultados reprodutivos, como a ovulação", ela disse em uma entrevista. Ela também pediu a avaliação dos efeitos do HIIT em populações mais diversas de mulheres com síndrome do ovário policístico.

Rhiannon informou não ter conflitos de interesses. A Dra. Andrea prestou consultoria para Equator Therapeutics, Fractyl Laboratories e Globe Life Sciences.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.com – Medscape Professional Network.

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