Relação entre covid-19 e depressão e outros estudos em psiquiatria

Dr. Sivan Mauer

Notificação

30 de março de 2021

Neste artigo

3. Associação entre taxas de homicídio e de suicídio: uma análise longitudinal de 5.507 municípios brasileiros

O suicídio é um problema de saúde pública e, entre pessoas de 15 a 29 anos de idade, é a segunda maior causa de morte no mundo. Um dos fatores de risco de suicídio mais importantes é a presença de doença psiquiátrica. Em 2012, a taxa de suicídios no Brasil era de 6,2 por 100.000 habitantes. Entre os homens a taxa era maior do que entre as mulheres: 10,0 por 100.000 habitantes versus 2,7 por 100.000 habitantes. De 2000 a 2016, a taxa de suicídios aumentou em todos os grupos etários e em ambos os sexos.

Em 2008. a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a violência como um desafio global e uma das principais causas de morte e incapacidade. A violência não é um problema exclusivamente de justiça, sendo também um problema de saúde pública e direitos humanos.

Apesar de mais de 90% das mortes causadas por violência ocorrerem em países de média e baixa renda, a maioria dos estudos até o momento foram realizados em países de alta renda.

No Brasil, a taxa de homicídios tem aumentado nas últimas três décadas. Em 2016, violência interpessoal foi a segunda causa de anos de vida perdidos. Mesmo estando entre os 15 países mais ricos do mundo, o Brasil também está entre os países mais desiguais. A incidência de homicídios no Brasil está relacionada com desigualdades socioeconômicas, pobreza, raça, gênero e idade. Homens jovens e negros estão sob maior risco. Da mesma forma, o suicídio também tem sido mais associado a desigualdade socioeconômica, gênero, idade e níveis educacionais mais baixos.

Embora eles sejam normalmente estudados separadamente, existe uma longa tradição se pensar em suicídio e homicídio como fenômenos relacionados. Alguns estudos examinaram a relação entre taxas de homicídio e suicídio na população, porém, os resultados não foram conclusivos. Muitos estudos foram realizados em países de alta renda, no entanto esta relação em países de média e baixa renda pode ser diversa, devido a diferentes fatores de risco. Existe apenas um estudo ecológico associando as taxas de homicídio e suicídio no Brasil. Este trabalho observou uma correlação inversa em 2010, no entanto, os pesquisadores usaram dados de um único ano, estudaram áreas grandes, heterogêneas e não ajustaram para vários fatores demográficos e socioeconômicos.

No estudo em tela, os autores investigaram a associação entre as taxas de homicídio e suicídio no Brasil a partir de dados provenientes de 5.507 municípios coletados entre 2008 e 2014. Esses dados incluem informações sobre indivíduos a partir de 10 anos de idade. Modelos multivariáveis de regressão binomial foram usados para examinar a relação entre as taxas de suicídio e homicídio. Taxas de suicídio municipais são positivamente associadas as taxas de homicídio. Após ajuste para fatores demográficos e socioeconômicos, o dobro da taxa de homicídio foi associada a um aumento de 22% na taxa de suicídio (razão de taxas = 1,22 IC 95% de 1,13 a 1,33).

Para lembrar:
Municípios com altas taxas de homicídio têm altas taxas de suicídio e a relação entre elas existe independentemente dos fatores sociodemográficos e socioeconômicos. Este dado é de extrema relevância para o entendimento do suicídio dentro do contexto brasileiro.

Referência:
MacHado, D. B. et al. Association between homicide rates and suicide rates: A countrywide longitudinal analysis of 5507 Brazilian municipalities. BMJ Open 10, 1–8 (2020).

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