Relação entre covid-19 e depressão e outros estudos em psiquiatria

Dr. Sivan Mauer

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30 de março de 2021

Neste artigo

Dr. Sivan Mauer

Nesta seção o psiquiatra Dr. Sivan Mauer seleciona e comenta estudos relevantes no campo da psiquiatria. O Dr. Mauer é especialista em transtornos do humor. Tem residência em psiquiatria da infância e adolescência e tem experiência em psicogeriatria. É mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine e doutor em psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além da prática privada exercida em São Paulo e Curitiba, o Dr. Mauer é clinical assistant professor na Tufts University School of Medicine, Boston (EUA).

1. Associação entre sintomas agudos de covid-19 e sintomas depressivos em adultos

Após a infecção respiratória aguda grave por SARS-CoV-2 um subconjunto de indivíduos apresenta sintomas persistentes envolvendo humor, ansiedade, sono e fadiga. Estes sintomas podem ter contribuído para o aumento das taxas de transtorno depressivo maior em recentes estudos epidemiológicos.

No estudo em tela, os autores avaliaram se os sintomas agudos de covid-19 estão associados a maior probabilidade de sintomas depressivos subsequentes. Foram incluídos dados de participantes norte-americanos que participaram de uma pesquisa on-line não probabilística com múltiplos painéis de entrevistados conduzida pela empresa Qualtrics entre junho de 2020 e janeiro de 2021. Dos 82.319 participantes que completaram a escala PHQ-9, 3.904 relataram história de covid-19 e foram incluídos no estudo.

Com relação à covid-19, especificamente, a pesquisa perguntou se os pacientes receberam o diagnóstico por um médico ou por meio de exame laboratorial. Também indagou em que mês os pacientes foram diagnosticados com a doença, se apresentaram sintomas específicos e qual foi a gravidade da covid-19. Além disso, os pacientes completaram a escala PHQ-9, que rastreia sintomas de depressão. Obter 10 pontos ou mais nesta escala classifica o paciente para depressão moderada.

A média de idade dos 3.904 participantes incluídos no estudo era de 38,1 anos, sendo que 44,3% eram mulheres. O tempo médio desde o início dos sintomas da covid-19 foi de 4,2 meses. No total, 52,4% dos participantes apresentaram critérios de depressão maior.

Em um modelo ajustado, a presença de cefaleia foi associada a maior probabilidade de sintomas moderados ou graves de depressão (razão de chances ou odds ratio, OR, de 1,33; intervalo de confiança, IC, 95% de 1,10 a 1,62). As mulheres tiveram menos probabilidade de apresentar sintomas em comparação com os homens (OR de 0,76; IC 95% de 0,72 a 0,81) e a probabilidade de sintomas diminuiu com idade (OR por década de 0,76; IC 95% de 0,72 a 0,81).

Para lembrar:
É importante lembrar que a escala PHQ-9 não é ideal para o diagnóstico de episódios depressivos, apenas para o rastreio de sintomas. Deve-se sempre lembrar que, para que o diagnóstico de doenças do humor seja realizado, deve-se ir muito além da análise dos sintomas. A análise do curso da doença e da história familiar são de extrema importância para o diagnóstico. A associação de sintomas depressivos com o diagnóstico de covid-19 pode ser a representação da reatividade do paciente à doença.

Referência:
Perlis, R. H. et al. Association of Acute Symptoms of covid-19 and Symptoms of Depression in Adults. JAMA Netw. open 4, e213223 (2021).

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