Médicos criam comitê para monitorar covid-19 e lançam manifesto nacional cobrando ações e vacinas

Equipe Medscape

15 de março de 2021

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A Associação Médica Brasileira (AMB) anunciou na segunda-feira (15) a criação de um Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid-19 (CEM COVID-AMB). O lançamento on-line foi marcado pela divulgação da Carta dos Médicos à Nação, documento assinado por 54 sociedades de especialidades, além de colégios e conselhos. Ao todo, são 312 assinaturas de entidades do movimento médico associativo.

O CEM COVID-AMB é composto pela Associação Médica Brasileira, com suas 27 federadas estaduais, e pelo conjunto das suas 54 sociedades de especialidades do país. Sua função será monitorar permanentemente a pandemia em todo o território nacional e as ações dos órgãos responsáveis pela saúde pública. O intuito é consolidar informações e, a partir de cenários atualizados, oferecer orientações periódicas de conduta para cuidados e prevenção aos cidadãos e dos profissionais da medicina.

“Cabe a nós um papel crítico e propositivo. Não participamos de nenhum comitê oficial das autoridades públicas de saúde e não nos cabe fazer planos de enfrentamento, que têm de ser constituídos por quem legitimamente ocupa essas posições de gestões de saúde pública”, disse ao Medscape o Dr. César Fernandes, presidente da AMB.

De acordo com a Dra. Irma de Godoy, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e integrante do núcleo executivo do comitê, “o CEM COVID-AMB é uma solicitação para termos uma voz de sociedades que estão na linha de frente e extremamente preocupadas e tristes e constrangidas com essa situação médica. O desejo de todos nós é que o Ministério da Saúde tenha diretrizes e autonomia para agir e que realmente atenda as necessidades da população. Recentemente fizemos um manifesto pelo uso de máscaras e não vemos uma campanha nacional sobre isso.”

Em sua Carta dos Médicos à Nação, as entidades alertam que a covid-19 se mantém em ascensão e todos os números e carências tendem a piorar caso não haja uma resposta firme e coordenada. Os especialistas pedem estratégias unificadas, ação imediata e vacinas. Também fazem um forte apelo à população para aumentar sua adesão às regras de proteção não farmacológicas, como o uso correto de máscara e o distanciamento físico.

De acordo com o Dr. César Fernandes, “o manifesto em si é já uma cobrança, quando dizemos que queremos um calendário vacinal bem definido e que não podemos ficar ao sabor de notícias que não se concretizam. Este manifesto é uma cobrança, um grito de alerta e é propositivo. Nós dizemos claramente de que maneira pensamos que deva ser conduzida essa situação frente à dramaticidade dos números.”

O manifesto também é incisivo na crítica às informações desencontradas sobre vacinas e dados da pandemia, e convoca os médicos a se engajarem no combate às fake news e na disseminação das orientações corretas.

Durante a coletiva de lançamento do comitê e do manifesto, o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Dr. José Luiz Gomes do Amaral, disse que é urgente uma campanha pelo uso de máscaras e ressaltou a necessidade de acelerar a vacinação.

“Na melhor das hipóteses, não é possível desenhar um quadro otimista frente à situação atual. Nós precisamos de 280 milhões de vacinas para dar a primeira e a segunda doses a 70% dos brasileiros. Todo esforço tem de ser feito nesse sentido, e precisamos acelerar o programa de vacinação, para superar até os melhores números que tivemos no passado. Estamos no 57º dia de vacinação, com uma média de 50 mil pessoas plenamente imunizadas por dia. Nesse ritmo, vamos precisar de sete anos para imunizar o país”, alertou.

Troca de ministro

Perguntado sobre troca do atual Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o Dr. César Fernandes disse “seria de bom alvitre, seria muito bem-vindo um ministro que tivesse formação médica específica, seria muito apropriado que fosse um médico. Como já disse, a AMB não indica e nem contraindica. Apenas vamos estar vigilantes no sentido de oferecer avaliação crítica e sermos propositivos.” Ele disse ainda que faz parte das atividades da AMB a tarefa aconselhar municípios e estados desde que isso seja solicitado. O mesmo vale para Ministério da Saúde.

Na opinião da Dra. Zeliete Linhares Leite Zambon, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, também integrante do núcleo executivo do CEM COVID-AMB, o Ministério da Saúde deveria ser liderado por um quadro com formação técnica.

“Esperamos que seja uma pessoa com qualidade técnica para tomar as decisões que o Brasil precisa. Esse é um caminho que qualquer governo de bom-senso deverá tomar.”

Leia a íntegra do manifesto dos médicos.

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