Em confinamento, Portugal tem taxa de transmissão do SARS-CoV-2 mais baixa da Europa

Giuliana Miranda

Notificação

10 de março de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2.

Lisboa – Após um mês de janeiro com recordes de casos e mortes por covid-19, que levaram o SNS (Sistema Nacional de Saúde) à beira do colapso, Portugal tem atualmente a taxa de transmissão mais baixa da Europa. O resultado foi obtido graças a um confinamento restritivo imposto em 22 de janeiro e ainda sem data para acabar.

A taxa de transmissão (Rt), que indica o ritmo de contágio do vírus, está atualmente em 0,74 para Portugal (continental). Para que o número de infecções diminua, é preciso que este número esteja abaixo de 1.

"Continuamos a apresentar o Rt mais baixo da Europa e com uma incidência já perto dos 120 novos casos por 100 mil habitantes", disse o Dr. Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

O especialista alertou, no entanto, que o ritmo de queda das infeções em Portugal tem diminuído. Segundo o Dr. Baltazar Nunes, tem havido, de uma maneira geral na Europa, um aumento de incidência.

 "Há um aumento do valor do Rt na maior parte dos países e também da incidência. Uma parte da Europa Central e de Leste apresenta-se em contraciclo", completou.

Essas e outras informações sobre o ponto de situação pandemia no país foram apresentadas por um painel de especialistas, na última segunda-feira (8), em reunião na Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), em Lisboa.

No dia da reunião, o país – que tem cerca de 10 milhões de habitantes – contabilizou 365 novas infeções: o valor mais baixo desde 7 de setembro de 2020. No auge de contaminações, em 28 de janeiro, o país registrou o recorde de 16.432 casos.

Outro dado positivo destacado foi a descida do número de internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI), que se deu em ritmo mais acelerado do que as previsões iniciais.

De acordo com o Dr. Nunes, prevê-se agora que, no fim de março, haja 120 doentes internados em UCI. No último sábado (6), eram 354.

Também relativamente aos internamentos em UCI, o Dr. André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, afirmou que vacinação começa a mostrar alguns efeitos na população acima de 80 anos.

"O internamento em enfermaria é em maior número no grupo acima dos 80 anos, seguido das faixas dos 70-79, e 60-69, e vai descendo à medida que a idade diminui. Quando observamos os internados em cuidados intensivos, o padrão é diferente. O grupo etário com maior número de casos é o de 60 a 69 anos. Isto é particularmente relevante à medida que vamos vacinando a população acima dos 80 anos e terá grande impacto na mortalidade", afirmou.

"Para termos impacto na redução da utilização de cuidados intensivos, temos de esperar que a vacinação tenha grande expressão nos grupos de mais de 50 anos", completou.

Até esta terça-feira (9), Portugal já administrou 1.044.091 doses de vacina contra a covid-19. A primeira dose já foi aplicada em 748.575 pessoas (aproximadamente 7,48% da população), enquanto 295.516 (2,9%) já completaram as duas doses do esquema de imunização.

Durante a reunião, especialistas avaliaram que o Portugal se encaminha para um cenário em que é possível começar o desconfinamento. A avaliação será um dos principais subsídios para a apresentação do plano de reabertura do governo.

Frequentemente apresentado como um bom exemplo de gestão da pandemia nos primeiros meses de 2020, Portugal viu a situação descontrolar-se em janeiro, quando ocupou, durante vários dias, a liderança mundial de novos casos e mortes por milhão de habitantes.

A mortalidade do período foi expressiva. Apenas em janeiro, houve 5.576 óbitos por covid-19. A soma de todas as mortes do período anterior, entre março e dezembro de 2020, é de 6.906.

A situação pressionou como nunca o Sistema Nacional de Saúde. Com hospitais lotados e sem profissionais de saúde suficientes para responder à demanda, o país pediu ajuda a outros membros da União Europeia.

França e Alemanha chegaram a enviar pequenas equipes de médicos e enfermeiros para auxiliar nos cuidados. A melhora no cenário, contudo, fez com que Portugal não precisasse mandar seus pacientes para serem tratados no exterior. Áustria e Espanha haviam se oferecido para receber doentes portugueses.

Para travar o surgimento de novos casos de covid-19, o governo português decidiu avançar para um confinamento geral. Inicialmente, o Executivo do socialista António Costa tentou, a partir de 15 de janeiro, um modelo menos restritivo, com escolas e universidades abertas e várias exceções.

O agravamento contínuo da situação fez com que as autoridades decidissem adotar um confinamento restritivo já na semana seguinte, a partir de 22 de janeiro. Dados compilados pela Johns Hopkins University mostram que Portugal tem atualmente um dos cenários de maiores restrições na Europa.

A expectativa atual é que o país comece o processo de desconfinamento de forma faseada nas próximas semanas.

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