Covid-19: Resumo da semana (13 a 19 de fevereiro)

Equipe Medscape Professional Network

19 de fevereiro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 . 

O Brasil ultrapassou 10.000.000 de diagnósticos confirmados de infecção por SARS-CoV-2 na manhã da sexta-feira (19) e somava 243.610 óbitos por covid-19, segundo levantamento diário do consórcio de veículos de imprensa a partir dos dados das secretarias estaduais de saúde. Estima-se que o número de infectados seja pelo menos o dobro por causa da subnotificação. O consórcio é formado por: Estado de S. PauloG1O GloboExtraFolha de S. Paulo e UOL. A média móvel das mortes permanece acima de 1.000 há 29 dias seguidos. Na quinta-feira (18), foram 1.432 mortes por covid-19 – o quinto dia com maior número de vítimas desde o início da pandemia.

Rio de Janeiro e Ceará decretaram toque de recolher. A cidade de Araraquara (SP) entrou em lockdown rigoroso no dia 15, com proibição da circulação de pessoas sem razões essenciais. O município enfrenta um grande aumento do número de casos e registrou 12 diagnósticos confirmados de infecção pela nova variante P.1. 

Na mesma data, o mundo somou 110.409.967 casos de infecção pelo novo coronavírus e 2.443.779 mortes por covid-19, segundo o Coronavírus Resource Center da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos. O Brasil é o terceiro país com maior número de casos, precedido por EUA e Índia, e o segundo em mortes.

A semana das vacinas

O balanço feito pelo consórcio de veículos de imprensa mostra que 5.558.105 pessoas receberam a primeira dose de vacina, segundo dados divulgados até as 20h da quinta-feira (18). É o equivalente a 2,62% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 837.094 pessoas (0,40% da população). 

Diversas cidades, como Cuiabá e Salvador, paralisaram a vacinação por causa da entrega fracionada. Em nota enviada ao site G1, a secretaria estadual de Saúde da Bahia informou que "o Ministério da Saúde estimava que cada fase duraria um mês e o plano operacional de vacinação na população brasileira duraria 16 meses. Porém, em virtude da entrega a conta-gotas, cada fase deve durar quatro meses e o plano total deve chegar a quatro anos".

A guerra das vacinas está pingando fogo. No dia 16, o governo concluiu a compra de mais 54 milhões de doses da CoronaVac, com estimativa de entrega até setembro. No dia 17, o ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello, apresentou um novo cronograma de imunização em reunião com governadores e assegurou que o país tem “uma previsão fantástica para o recebimento de vacinas”. Especialistas criticaram o plano, que considera o uso de doses de vacinas ainda não aprovadas no Brasil, como a Sputnik V e a Covaxin

Ainda na sexta-feira (19), o ministro Pazuello anunciou que num novo lote de 4,7 milhões de doses de vacinas a ser distribuído pela pasta a partir do dia 23 deverá ser usado em primeira dose, sem reserva de metade das doses. Os estados ainda esperam a comunicação oficial do governo federal. A informação foi divulgada pela agência Reuters. A remessa será composta por mais 2 milhões de doses prontas compradas de AstraZeneca/Oxford, importadas da Índia, e 2,7 milhões de doses fornecidas pelo Instituto Butantan.

No dia 17, após anunciar o novo calendário e ampliação de grupos prioritários (com a inclusão de pessoas com comorbidades de 18 a 59 anos, por exemplo), o Ministério da Saúde divulgou nota afirmando que não poderá cumprir as datas previstas por causa de atrasos nas entregas do Instituto Butantan. Em ofício, o Instituto Butantan informou ao governo federal que poderá fornecer 2,8 milhões de doses em 28 fevereiro ao invés dos 9,3 milhões previstos no contrato assinado em janeiro. Novas entregas serão feitas até a totalização da quantidade contratada. O Butantan afirmou ainda que atualizou o MS, e que a pasta ignorou a informação. O governo federal encomendou mais 30 milhões de doses da CoronaVac.

Esta semana, ajustes na Medida Provisória 1.026/2021, que visa facilitar a compra de imunizantes, foram propostos pelo relator do projeto, o deputado Pedro Westphalen. No dia 17, ele propôs que o setor privado possa comprar vacinas desde que faça a doação de metade do lote ao SUS. Além disso, o parecer do deputado propõe que as regras do Plano Nacional de Imunização, como o estabelecimento de grupos prioritários, passem a valer para o setor privado.

O país ficou chocado com a denúncia das “vacinas de vento”. Vídeos feitos por acompanhantes do momento da imunização de idosos revelaram uma nova modalidade de fraude cometida por alguns profissionais da saúde que fingiam aplicar a vacina, mas não injetavam o conteúdo da seringa. Até agora, foram descobertos três casos no Rio de Janeiro.

Boas notícias

A primeira dose da vacina da Pfizer protege de modo satisfatório contra o SARS-CoV-2, de acordo com estudo israelense realizado com 7.214 profissionais de saúde em Israel. Após uma única dose, esta vacina se mostrou 85% eficaz. A taxa foi constatada em um período de 15 a 28 dias após a aplicação. A descoberta será publicada pelo periódico The Lancet. A informação foi divulgada pela agência Reuters na sexta-feira (19).

Transporte e acesso ao tratamento

Um estudo recente analisou as condições de acessibilidade ao transporte e aos serviços de saúde nas 20 maiores cidades do Brasil. Usando métricas de distância da rede, os pesquisadores estimaram a população vulnerável que vive em áreas com pouco acesso a instalações de saúde que poderiam rastrear ou hospitalizar pacientes com covid-19. O trabalho reflete sobre diferentes lições de políticas que podem ser aprendidas para outros países com base no caso brasileiro.

Monitoramento de surtos

Comunidades ao redor do mundo se voltam para as águas residuais para se preparar e responder melhor aos surtos atuais e futuros de covid-19. Os dados brasileiros são surpreendentes. Em Belo Horizonte (MG), a carga viral de SARS-CoV-2 nas amostras de esgoto é quase o dobro do valor encontrado no período mais crítico da pandemia (julho de 2020), segundo dados do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos divulgados em 29 de janeiro.

Mais proteção

Usar uma máscara cirúrgica bem ajustada, ou usar duas máscaras, pode reduzir significativamente a transmissão do SARS-CoV-2 e retardar a propagação de novas cepas mais contagiosas. Entenda.

Desdobramentos da covid-19

Um relatório abrangente e de livre acesso da Diabetes Technology Society resume as melhores práticas para proteger pacientes com diabetes das repercussões da pandemia, bem como as lições aprendidas.

Os médicos lutam para compreender a relação entre a covid-19 e a púrpura trombocitopênica imunitária (PTI). Diante de cada vez mais casos de complicação após a covid-19, uma médica se depara com este novo e inexplicável quadro.

A pandemia pelo mundo

Nesta sexta-feira (19), a África ultrapassou a trágica marca de 100.000 mortes por covid-19, o que corresponde a 4% do total de óbitos pela doença ao redor do mundo. A informação é do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África e foi divulgada pela Agência EFE . A previsão é de que o primeiro milhão de vacinas chegue à África na próxima semana.

O número médio de novos casos diários de infecção pelo coronavírus nos Estados Unidos caiu para menos de 100.000 pela primeira vez em meses. Com 55.000 novos casos relatados na segunda-feira (15), os números estão bem abaixo do pico de 300.000 por dia do início de janeiro. As taxas de vacinação estão aumentando e o governo federal promete enviar 13,5 milhões de doses por semana aos estados e dobrar o número de doses entregues às redes de farmácias comerciais. Até terça-feira (16), 55,2 milhões de doses foram administradas, disserem os Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Cerca de 39 milhões de pessoas receberam a primeira dose das vacinas Pfizer/BioNTech ou Moderna, e cerca de 15 milhões receberam duas doses.

Em Portugal, mais de 140 médicos que se voluntariaram para ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) denunciaram numa carta aberta às autoridades que suas candidaturas foram ignoradas pelo governo durante vários meses. A falta de profissionais de saúde é um dos maiores estrangulamentos no combate à pandemia em Portugal e tem forçado o país a recorrer à ajuda internacional. Apesar das dificuldades, o confinamento geral imposto desde 22 de janeiro começou a dar frutos. A média semanal de infecções caiu mais de 50% em comparação com o final de janeiro. O Primeiro-Ministro António Costa disse que, mesmo com a diminuição dos novos casos, o confinamento deveria continuar até março. Até quarta-feira (17), Portugal registrava 788.561 casos e 15.522 mortes. Mais de 556.331 pessoas foram vacinadas.

Na França, quase 3,3 milhões de doses de vacina foram administradas até o dia 17. Como parte da vigilância das vacinas contra a covid-19, iniciada em 11 de fevereiro, a Agence Nationale de Sécurité du Médicament (ANSM) relatou casos de síndromes graves de gripe após a primeira injecção da vacina AstraZeneca/Oxford e casos de hipertensão com a vacina Pfizer/BioNTech. A recomendação das autoridades sanitárias é que pessoas que já tiveram covid-19 esperem ao menos três meses (preferencialmente, seis meses) antes de tomar a vacina. Segundo a Haute Autorité de Santé (HAS), uma dose única de vacina é suficiente para quem já teve a doença, exceto em casos de imunossupressão comprovada.  

No dia 17, o ministro da Saúde da Espanha definiu novos grupos de vacinação por ordem de prioridade: pessoas com mais de 80 anos de idade, a faixa etária de 70-79, e a de 60-69. Estes grupos irão receber a vacina Pfizer/BioNTech ou Moderna. A Catalunha comunicou dois casos da variante P.1, que se somam aos três casos já registados em Madrid. A incidência de novos casos e mortes diminui no país.

Antes do prazo, o Reino Unido cumpriu seu objetivo de oferecer a primeira dose de da vacina a 15 milhões de pessoas dos quatro grupos de maior prioridade. Um novo algoritmo de risco, chamado QCovid , foi usado para acrescentar 1,7 milhões de pessoas à lista prioritária da Inglaterra. A ferramenta avalia fatores de saúde e pessoais como idade, etnia, IMC e certas condições e tratamentos médicos. E mais: a Oxford University iniciou um estudo de vacinação na população com idades entre 6 e 17 anos. O Reino Unido tornou-se esta semana o primeiro país do mundo a dar aprovação ética a ensaios de desafio humano para a covid-19.

Na Bélgica, foram detectados os primeiros casos da variante brasileira P.1. Além disso, apenas 3% da população receberam pelo menos uma dose de alguma vacina contra a covid-19. O maior centro de vacinação do país fechou 24 horas após a sua abertura, devido a um erro técnico.

A Itália mostra sinais preocupantes de uma possível retomada da pandemia, com um Rt em torno de 0,95 (0,86-1,06). O novo governo planeja diminuir a mobilidade da população, incluindo um possível bloqueio durante os finais de semana. Especialistas observaram recentemente um alto número de infecções da variante B.1.1.7 (Reino Unido) em crianças. Duas áreas na Lombardia, onde havia grupos de contágio, foram declaradas zonas vermelhas e fechadas. A Itália enfrenta ainda uma escassez de vacinas de mRNA. Na quarta-feira, a Agenzia Italiana del Farmaco (AIFA) estendeu a aprovação emergencial da vacina Oxford/AstraZeneca para pessoas com mais de 65 anos.

No dia 17, após a chegada de 50 mil doses da vacina Pfizer/BioNTech ao país, a Colômbia começou a administração das vacinas com os profissionais da saúde da linha de frente.

Hong Kong deve aliviar algumas medidas de distanciamento social a partir de 18 de fevereiro. Será a primeira vez desde que o país foi atingido pela quarta onda de infecções de covid-19, há 3 meses. Instalações anteriormente fechadas poderão reabrir e os serviços de refeições em restaurantes serão prolongados até às 22 horas.

A Nova Zelândia implementou um lockdown de três dias desde o dia 15 após a detecção da variante B.1.1.7 (Reino Unido) do SARS-CoV-2 em uma família de três pessoas. Escolas e empresas fecharam, exceto para atividades consideradas essenciais.

A Austrália aprovou a vacina Oxford/AstraZeneca. Foi a segunda vacina aprovada para utilização no país após o imunizante da Pfizer/BioNTech. A campanha de vacinação na Austrália está prevista para começar em 22 de fevereiro.

Após a chegada de 870.000 doses da vacina Oxford/AstraZeneca do Serum Institute (Índia) ao México, a vacinação para adultos mais velhos começou em 15 de fevereiro. A chegada de mais de 490.000 doses da vacina Pfizer/BioNTech garantirá a aplicação da segunda e primeira dose para os profissionais de saúde, afirma o governo mexicano.

Os esforços de vacinação continuam no Peru. Até a terça-feira (16), 116.580 pessoas foram vacinadas, o que corresponde a 82,47% da meta de 141.367 para a primeira fase da campanha. Um escândalo sobre aplicação irregular de vacinas entre funcionários e colaboradores do governo está sendo investigado e levou a demissões de funcionários públicos.

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