COMENTÁRIO

6 medicamentos que podem interferir na vida sexual de seu paciente

Dr. Henry Rosevear

Notificação

15 de fevereiro de 2021

Muitas vezes os pacientes não tomam os medicamentos que prescrevemos. Estudos têm mostrado de forma consistente que 25% das prescrições não são preenchidas e 50% das prescrições para doenças crônicas não são seguidas conforme as orientações.

Embora vários fatores influenciem essas decisões, o que eu mais ouço dos pacientes na minha clínica de urologia como motivo para não seguir uma prescrição é a ocorrência de efeitos colaterais sexuais negativos associados ao fármaco. Pensando nisso, é importante entender como certas classes comuns de medicamentos podem impactar negativamente a saúde sexual do paciente. Aqui listo seis classes farmacológicas que os pacientes costumam deixar de tomar devido aos efeitos colaterais sexuais.

Anti-hipertensivos

A gente presume que o paciente vá considerar a sua saúde cardiovascular mais importante do que a capacidade de obter e manter uma ereção, mas na vida real isso nem sempre é verdade.

A ereção é um evento vascular, consequentemente, qualquer coisa que comprometa a capacidade de o corpo produzir fluxo sanguíneo para o pênis resulta em disfunção erétil . É por isso que os anti-hipertensivos (por exemplo, espironolactona ou qualquer tiazídico) são conhecidos por seu impacto negativo na capacidade de obter uma ereção. Para piorar, durante a estimulação sexual a frequência cardíaca da pessoa aumenta; portanto, betabloqueadores, como o metoprolol , que foram criados para limitar o aumento da frequência cardíaca, estão entre os piores desta categoria.

Alfabloqueadores

Eu prescrevo alfabloqueadores diariamente como terapia de primeira linha para o tratamento da obstrução prostática. São medicamentos baratos, genéricos e funcionam muito bem. Infelizmente, eles podem impactar negativamente a vida sexual de um homem de duas maneiras específicas.

Primeiro, os alfabloqueadores de primeira geração (por exemplo, terazosina e prazosina) também são anti-hipertensivos e, portanto, têm o mesmo problema que todos os anti-hipertensivos: diminuem o fluxo sanguíneo para o pênis e, portanto, pioram a disfunção erétil.

O segundo efeito colateral, comum mesmo nas gerações mais recentes de alfabloqueadores (como tansulosina ou silodosina), é a ejaculação retrógrada.

Sejamos francos, para alguns homens não vale a pena ter sexo sem ejaculação. Os alfabloqueadores relaxam os músculos do colo da bexiga, fazendo com que a ejaculação vá para a bexiga em vez de sair do pênis. Este efeito colateral é muito específico por paciente e por medicamento, portanto, mudar o alfabloqueador nem sempre resolve o problema.

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina

Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) são uma das várias classes de medicamentos usados para tratar a depressão . Fármacos como fluoxetina , paroxetina , sertralina , citalopram e escitalopram têm um efeito colateral sexual que pode ser muito incômodo para homens e mulheres: ejaculação retardada ou orgasmo retardado.

Esse efeito colateral é tão comum que uso baixas doses de paroxetina como tratamento de escolha para homens que buscam atendimento na minha clínica por ejaculação precoce .

Outros antidepressivos

Quase todos os antidepressivos – sejam tricíclicos (amitriptilina, doxepina , imipramina e nortriptilina), inibidores da monoamina oxidase (fenelzina e tranilcipromina) ou antipsicóticos (tioridazina, tiotixeno e haloperidol) – podem ter um impacto negativo na libido. Alguns desses medicamentos, como o citalopram, podem diminuir drasticamente a contagem de espermatozoides ou até mesmo causar azoospermia.

De forma alguma estou sugerindo que a depressão não deva ser tratada por conta desses efeitos colaterais, mas os pacientes devem ser orientados sobre os efeitos colaterais desses medicamentos para que eles e seus parceiros saibam o que esperar.

Medicamentos para tratar o câncer de próstata avançado

Até alguns anos atrás, as opções de tratamento para pacientes com câncer de próstata avançado limitavam-se à castração química. Hoje em dia há várias ótimas opções para esses pacientes, que aumentam drasticamente tanto a qualidade como a estimativa de vida.

Infelizmente, não importa se o paciente está em terapia hormonal de primeira geração (leuprolida) ou usando um dos medicamentos de última geração (darolutamida, enzalutamida , apalutamida ou abiraterona), todos reduzem drasticamente a libido ao diminuir o nível de testosterona . Como o câncer subjacente é sensível aos hormônios, não há uma boa maneira de aumentar os níveis de testosterona sérica sem potencialmente piorar o câncer do paciente.

Inibidores da PDE5

Sim, eu sei que os inibidores da PDE5 (sildenafil, tadalafil , vardenafil e avanafil) são usados ​​para ajudar os homens a obter ereções, então pode parecer estranho incluir esses agentes em uma discussão sobre medicamentos que podem comprometer a vida sexual do paciente.

Mas esses fármacos, assim como todos os fármacos, têm efeitos colaterais. Dor de cabeça, congestão nasal, rubor facial e pirose podem ocorrer com o uso desses medicamentos, o que pode arruinar o clima. Oriente seus pacientes a evitar comer antes de tomar esses medicamentos, evitar álcool, manter-se hidratado e usar medicamentos de venda livre, como paracetamol ou ibuprofeno , para ajudar a combater qualquer um desses outros efeitos colaterais e manter o clima.

O Dr. Henry Rosevear é médico urologista da privada no Colorado, Estados Unidos. Ele vem de uma longa linhagem de médicos, mas antes de entrar na medicina serviu à marinha dos EUA a bordo do USS Pittsburgh, um submarino de ataque rápido baseado em Connecticut. Durante seu tempo na marinha Dr. Henry participou de duas missões no Golfo Pérsico, incluindo a Operação Iraqi Freedom.

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