Jogador de futebol com dor abdominal aguda e febre

Dra. Anusuya Mokashi; Dra. Dhana Rekha Selvaraj; Dr. Chandrasekar Palaniswamy; Dr. Ali Nawaz Khan; Dr. Klaus L. Irion

Notificação

4 de fevereiro de 2021

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Homem de 50 anos dá entrada no pronto-socorro (PS) com história de febre e dor persistente no hipocôndrio esquerdo há dois dias após um leve traumatismo local. Três dias antes, o paciente estava jogando sua partida semanal de futebol quando levou um chute no hipocôndrio esquerdo. A princípio, só sentiu um pouco de dor na região; no entanto, a dor persistiu. No dia seguinte, tornou-se mais intensa e foi acompanhada de febre de 38,9 °C.

Enquanto o paciente tentava relaxar e assistir a uma partida de futebol na televisão, teve piora da dor. Não sabe informar se existe algum fator atenuante ou agravante e não notou alteração do hábito intestinal. Nega náuseas, vômitos, melena ou hematoquezia. Não tem história clínica relevante, exceto por doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) tratada com esomeprazol. O paciente não tomou nenhum medicamento para a dor abdominal.

Exame físico e propedêutica

À ectoscopia vemos um homem branco, em bom estado físico, sem desconforto agudo. Peso de 81,6 kg e altura de 178 cm. Temperatura oral = 39,1 °C e pressão arterial de 130 × 80 mmHg. Frequência cardíaca de 85 batimentos por minuto, com ritmo regular, bulhas normofonéticas e sem sopros, atrito ou galope. A frequência respiratória é de 14 incursões por minuto, sem dificuldade. A ausculta pulmonar revela murmúrio universal sem adventícios.

O exame de cabeça e pescoço não apresenta nada digno de nota. O exame abdominal revela dor à palpação do hipocôndrio esquerdo, acompanhada por discreta defesa, sem rigidez ou descompressão dolorosa; sem diferentes massas à palpação. Discreto edema de partes moles no hipocôndrio esquerdo. Ângulo costovertebral indolor à palpação. Ruídos hidroaéreos normais e sem organomegalias. O toque retal não revela nenhuma massa e o resultado do exame de sangue oculto nas fezes é negativo.

Os exames laboratoriais foram hemograma completo com contagem diferencial, bioquímica, coagulograma, lipase e exame de urina. O hemograma completo revela leucocitose com desvio à esquerda. Os resultados dos demais exames laboratoriais estão dentro dos valores de referência: creatinina de 1,2 mg/dL, glicemia de 90 mg/dL, tempo de protrombina de 12,1 segundos, tempo de tromboplastina parcial de 28,5 segundos e lipase de 85 U/L. O exame de urina é negativo para bactérias, com 1.010 de densidade, 1,2 leucócito por campo de alta potência, 0,9 eritrócito por campo de alta potência e sem cilindros. Está registrado no prontuário que o paciente fez uma sorologia anti-HIV há cerca de quatro meses, cujo resultado foi negativo, e um exame para detecção de anemia falciforme, que também foi negativo.

Foi feita uma tomografia computadorizada (TC) (Figuras 1 a 4).

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