Temas mais buscados em janeiro de 2021:Variante B.1.1.7

Ryan Syrek

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29 de janeiro de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook !

Desde a sua identificação pela primeira vez por pesquisadores britânicos em dezembro, a variante B.1.1.7 do SARS-CoV-2 (ver infográfico abaixo) constituiu uma preocupação importante e se tornou o tema da tendência clínica dessa semana.

Pesquisadores dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos alertaram que a B.1.1.7 se tornará a cepa predominante do coronavírus naquele país até março. Casos de infecção por esta cepa já foram notificados no mundo todo, em muitos países europeus, na Austrália, no Brasil e na Índia. Ainda está sendo investigado se essa nova variante está associada a aumento da mortalidade.

O aumento da transmissibilidade da B.1.1.7 sugere que a cobertura vacinal necessária para o controle da doença será mais maior agora do que a prevista inicialmente. Os especialistas preconizam um aumento drástico do ritmo de implementação das vacinas. Até agora, as vacinas disponíveis atualmente ainda parecem eficazes contra a B.1.1.7. A análise laboratorial das amostras de sangue coletadas de 20 pessoas que receberam a vacina da Pfizer constatou que os anticorpos destruíram com sucesso essa variante do vírus.

Embora as perspectivas em curto prazo sejam boas para as vacinas atuais, as mutações trazem problemas em longo prazo. Ainda assim, essas evoluções são esperadas para muitos vírus, como o da gripe sazonal. Uma teoria sobre como a nova variante evoluiu com tantas mutações é que uma pessoa, talvez com comprometimento imunitário, possa ter tido uma resposta imunitária parcial a uma infecção crônica, o que teria agregado um conjunto único de processos seletivos para que o vírus efetivasse essa mutação. A necessidade de atualizar as vacinas anticovídicas já está sendo avaliada e estão sendo consideradas as estratégias plausíveis.

A detecção da variante B.1.1.7 é outro desafio. A US Food and Drug Administration (FDA) emitiu um alerta para as equipes dos laboratórios clínicos e para os médicos, avisando sobre o potencial risco de resultados falsos-negativo na testagem do vírus. Os exames moleculares do SARS-CoV-2 podem gerar resultados imprecisos se parte do genoma do vírus avaliado por esse método tiver sido modificado. Em especial, a FDA verificou que o teste Accula SARS-COV-2 da Mesa Biotech Inc. pode ser influenciado ao testar uma amostra com variante genética na posição 28881 (GGG para AAC). Mais animadoramente, a FDA disse que o padrão de detecção que aparece com os kits diagnósticos TaqPath e Linea diante de algumas variantes genéticas pode ajudar na identificação precoce de novas variantes para reduzir a propagação da infecção.

Dadas as repercussões que o aumento da transmissibilidade da variante B.1.1.7 terá na propagação da doença e na vacinação, o tema compreensivelmente dominou as buscas esta semana.

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