Covid-19: Resumo da semana (14 a 20 de novembro)

Equipe Medscape Professional Network

20 de novembro de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

 
Na manhã do dia 20 o Brasil registrou 5.983.100 diagnósticos e 168.141 óbitos por covid-19, de acordo com levantamento produzido diariamente pelo consórcio de veículos de imprensa a partir dos dados obtidos das secretarias estaduais de saúde. O consórcio é formado por EstadãoG1, O GloboExtraFolha e UOL.

O aumento do número de infectados e da taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus preocupa as autoridades sanitárias. A taxa de transmissão subiu para 1,1, segundo relatório do Imperial College of London, no Reino Unido, divulgado no dia 17.

A média móvel de mortes no Brasil nos últimos sete dias foi de 544, uma variação de +54% em comparação à media de 14 dias anteriores. Há tendência de alta, ainda segundo o consórcio de veículos de imprensa que monitora a pandemia no Brasil. A média de novos casos aumentou +77% no mesmo período. No estado de São Paulo, o mais populoso, a taxa de transmissão está em 1,05, indicando tendência de aceleração.

Segundo o novo Boletim InfoGripe, produzido pela Fiocruz sobre a semana epidemiológica 46, 10 capitais brasileiras apresentam sinal de possível crescimento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

As internações em unidades de terapia intensiva (UTI) subiram de modo preocupante nas capitais do sul do país (em Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba o índice está acima de 80%), em Vitória (Espírito Santo) e em Manaus (Amazonas), de acordo com levantamento realizado pelo jornal Folha de São Paulo. Em Curitiba a prefeitura suspendeu cirurgias eletivas nos hospitais. Em Manaus, o poder público decretou fechamento da praia da Ponta Negra, a principal da cidade, até 31 de dezembro. No Rio de Janeiro, 97% dos leitos municipais estão ocupados. Um dos motivos é a redução dos leitos públicos nos últimos meses. A cidade de São Paulo teve aumento 40% para 43% desde o início do mês na ocupação de leitos. No Amapá, na região norte, 79% dos leitos estão ocupados. Pernambuco precisou mobilizar novos leitos.   

Segunda onda avança no mundo

O mundo somou 57.059.576 diagnósticos de infecção pelo novo coronavírus e 1.363.391 óbitos na manhã do dia 20, segundo o Coronavírus Resource Center , da Johns Hopkins University (EUA).

Primeiro em mortes mundiais, os Estados Unidos ultrapassaram outro marco lastimável esta semana, com mais de 250 mil vidas perdidas para a doença desde o início da pandemia. Como o número de casos continua aumentando, os governos estaduais e locais impuseram novas restrições, incluindo a obrigação do uso de máscaras e o fechamento de restaurantes e bares. Uma pesquisa com enfermeiras descobriu que há falta de equipamento de proteção individual. 

Pelo lado positivo, a agência reguladora FDA emitiu uma autorização de uso emergencial para o primeiro teste de diagnóstico domiciliar rápido para o SARS-CoV-2, e a Pfizer lançou um programa-piloto de entrega em quatro estados dos EUA para sua vacina contra covid-19.

Em meio a especulações de uma potencial "terceira onda", o Japão está registrando mais de 2.000 casos de por dia. Tóquio relatou um recorde de 493 infecções na quarta-feira (18), superando a alta diária anterior observada em agosto de 2020.

O governo da Bélgica anunciou no dia 16 a intenção de imunizar pelo menos 70% da população do país contra a covid-19. A vacina não será obrigatória e será gratuita para todos os habitantes do país. Um em cada 6 belgas não quer o imunizante, de acordo com uma pesquisa recente. Um dos países mais afetados da Europa, a Bélgica tem 11,5 milhões de habitantes, quase 540 mil casos diagnosticados da infecção por SARS-CoV-2 e mais de 14.000 mortes.

A Espanha atingiu um novo pico de mortes durante a segunda onda (435), e ultrapassou 1,5 milhão de casos confirmados. O governo anunciou uma redução do imposto sobre as máscaras de 21% para 4% e planeja fazer o mesmo para os produtos hidroalcoólicos.

Embora o número de hospitalizações por covid-19 esteja diminuindo na França, a situação nas unidades de terapia intensiva permanece tensa e a saúde mental da população está se deteriorando. De acordo com Jérôme Salomon, Diretor Geral de Saúde, "a saúde mental dos franceses piorou novamente entre o final de setembro e o início de novembro.” A notícia animadora é que, pela primeira vez na França, um paciente com pulmões praticamente destruídos pela covid-19 recebeu um transplante de pulmão duplo.

Vacinas mais perto da aprovação

No dia 16, a Moderna puxou a fila de anúncios promissores sobre as vacinas contra a covid-19. Resultados interinos do estudo de fase III provenientes de 95 participantes com infecção confirmada pelo SARS-CoV-2 apontaram 94,5% de eficácia vacinal.

No dia 18, a Pfizer comunicou o fim dos testes de fase III da sua vacina e divulgou que o imunizante oferece 95% de eficácia e proteção. Os fabricantes enviaram ao governo federal brasileiro uma proposta de comercialização semelhante aos acordos fechados com países da América Latina para vacinar milhões de brasileiros no primeiro semestre de 2021. Há discussões sobre a distribuição, pois a vacina, desenvolvida em parceria com o laboratório alemão BioNTech e a chinesa Fosun, requer temperaturas inferiores a -70° C durante o transporte.

Na mesma data, a vacina desenvolvida pela University of Oxford e a farmacêutica AstraZeneca mostrou resposta imune encorajadora em adultos mais velhos, de acordo com resultados preliminares publicados no periódico The Lancet. Em estudos de fase II, a segurança e a imunogenicidade em participantes saudáveis ​​com 56 anos ou mais foram semelhantes àquelas já observadas em adultos de 18 a 55 anos. O estudo também sugeriu que a vacina foi mais bem tolerada em idosos do que em adultos mais jovens.

No dia 19, chegou a São Paulo o primeiro lote da vacina CoronaVac, produzido na China. A vacina foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, que fechou acordo de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan, de São Paulo. Segundo o governo paulista, outros lotes chegarão semanalmente até atingir 6 milhões de doses em dezembro. O Instituto Butantan produzirá mais 40 milhões de doses.

Em evento sobre registros de vacinas contra covid-19, representante da Anvisa falou sobre transparência nos dados e afirmou que órgão é “parte da estrutura do estado e não do governo’. Outra questão que surge é se seria ético deixar sem vacinação os voluntários de testes de grupos placebo e de outras vacinas quando os testes terminarem. Saiba mais.

Dada a urgência da situação, a Anvisa aprovou no dia 17 uma norma que facilita o registro de vacinas contra a covid-19. Anunciada no final de setembro, a medida permite a submissão contínua dos dados. Com isso, as empresas podem enviar resultados parciais para serem analisados, evitando a remessa da documentação completa apenas no final da fase III. Pela nova regra, vacinas contra o novo coronavírus também estão dispensadas das fases de análise de impacto regulatório e de consulta pública. 

E mais: a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) autorizou o primeiro ensaio clínico de fase III da vacina da Johnson&Johnson contra covid-19 em nove hospitais espanhóis.

Doença respiratória na infância

Medidas de distanciamento social instituídas na primavera de 2020 em Massachusetts, nos Estados Unidos, para combater a disseminação do SARS-CoV-2, podem ter reduzido a transmissão de outras doenças respiratórias comuns da infância, sugere um pequeno estudo.

Obesidade e covid-19 grave

Mais dados confirmam que a obesidade é um fator de risco independente para a forma grave da covid-19. Um grande estudo internacional com pacientes com covid-19 internados em terapia intensiva associou o IMC à piora da pneumonia, necessidade de ventilação mecânica e morte em 28 dias.

Tratamentos novos e antigos

Pesquisadores especializados em terapêutica canabinoide acreditam que o canabidiol tem um papel especial a desempenhar na modulação do processo inflamatório no tratamento da covid-19 e de outros parâmetros clínicos como a carga viral e o estado hiperinflamatório. Entenda.

Pacientes que tomam cloroquina há muitos anos não estão mais protegidos da covid-19 do que quem não toma, aponta estudo brasileiro com mais de 10 mil pessoas de vários centros do Brasil. O trabalho foi coordenado pelo reumatologista Marcelo de Medeiros Pinheiro, da Universidade Federal de São Paulo e apresentado na sexta (20) no Congresso Brasileiro de Reumatologia.

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