Rápido aumento de peso em uma menina com asma e sonolência excessiva

Dr. Timothy D. Murphy

Notificação

19 de novembro de 2020

Nota da editora:

A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso desta paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Uma menina de cinco anos com uma longa história de asma e eczema graves é levada a uma clínica de pneumologia e medicina do sono infantil. Sua asma foi estabilizada com corticoide inalatório (fluticasona 88 µg duas vezes ao dia), sulfato de albuterol (180 µg SOS) e brometo de ipratrópio (34 µg SOS). Sua pele melhorou com um esquema moderadamente agressivo de banhos com solução hidratante de assepsia e antissepsia, loções hidratantes, anti-histamínicos não sedativos e uso de hidrocortisona ou triancinolona tópica, pimecrolimo e mupirocina conforme necessário.

A asma estabilizou durante um ano, mas depois evoluiu a ponto de ser necessário aumentar a dose de fluticasona inalatória para 220 µg duas vezes ao dia. A broncoscopia revelou apenas broncomalácia leve no brônquio fonte esquerdo (Figura 1), inflamação leve difusa e aumento da secreção.

Foram acrescentados montelucaste (5 mg/dia) e fluticasona nasal (50 µg) ao esquema. Além disso, foi prescrita difenidramina (25 mg) para ser usada, se necessário, em caso de prurido intenso, crises de eczema e crises de asma alérgica.

A paciente manteve-se bem e foi acompanhada na clínica em intervalos de aproximadamente três meses, devido à complexidade do seu quadro. Após seis meses, observou-se ganho de peso importante com aumento do índice de massa corporal (IMC). Ela foi ao nutricionista, que recomendou métodos de perda ponderal. Dos sete aos oito anos de idade a paciente teve discreta perda ponderal em decorrência das modificações alimentares. No entanto, sinais e sintomas de fadiga, sonolência diurna excessiva (SDE) e desatenção na escola apareceram ao longo de um período de um a dois meses, e seu peso começou a aumentar rapidamente, apesar da intervenção alimentar.

A sonolência diurna parecia progressiva e ela adormecia repentinamente, mesmo quando queria permanecer acordada. Preocupados com os novos sinais e sintomas de desatenção, traços autistas, fadiga e sonolência, os pais da menina buscaram atendimento médico.

Exame físico e propedêutica

A paciente adormeceu na escola quase todos os dias nos últimos um a dois meses, caindo em sono profundo, a menos que se mantivesse ativa. Em casa, tira mais sonecas durante o dia, dorme no carro e tem dificuldade com o dever de casa. Suas notas despencaram nos últimos meses. Seus pais informam que ela não acorda durante a noite. Não ronca nem se engasga, não tem respiração pesada ou ofegante, nem apneia. Dorme em média de 9 a 10 horas por noite, mas fica inquieta e se mexe com frequência durante o sono.

Ela tem história familiar de obesidade. O pai tem apneia obstrutiva do sono (AOS) com necessidade de uso de pressão positiva contínua nas vias respiratórias (CPAP) e um tio e um avô têm narcolepsia.

Ao exame, apresenta obesidade leve a moderada (IMC de 23,89 kg/m2, 98o percentil para a idade) e aumento das tonsilas palatinas (2 a 3+). A criança tem dificuldade de se concentrar e permanecer acordada na clínica.

É encaminhada para um otorrinolaringologista pediátrico para avaliação por meio de polissonografia noturna (PSGN) e para saber se há indicação de adenotonsilectomia. O otorrinolaringologista observa que ela não tolera bem a fluticasona nasal, respira pela boca e que suas tonsilas palatinas estão aumentadas (3+). É solicitada uma polissonografia noturna para ajudar a esclarecer o quadro.

A polissonografia noturna demonstra:

  • Índice de distúrbio respiratório e índice de apneia-hipopneia (IAH) de 6,2 por hora

  • Latência do sono de 0,5 minutos e latência do movimento rápido dos olhos (REM, do inglês Rapid Eye Movement) de 0,5 minutos

  • Eficiência do sono de 87,5%

  • 18,2% do tempo total de sono no estágio N1, 36,4% no N2, 29,9% no N3 e 15,5% no sono REM

  • Índice de despertar de 18,6

  • Índice de movimento periódico de membros inferiores de 6,3

  • Vários períodos de vigília dispersos ao longo da noite e seis períodos de sono REM

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....