Anvisa confirma morte de voluntário em testes de vacina contra covid-19

Leoleli Schwartz

Notificação

21 de outubro de 2020

ATUALIZADO em 22 de outubro de 2020.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou na quarta-feira (21) que está investigando dados recebidos sobre a morte de um voluntário que participava de ensaio clínico com a vacina contra covid-19 desenvolvida pela University of Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca.

Em nota enviada por e-mail ao Medscape a agência afirma que foi formalmente informada da morte em 19 de outubro, e que já recebeu os dados referentes à investigação do caso, que está sedo conduzida por um comitê internacional de avaliação de segurança.

A identidade do voluntário e a causa da morte ainda não foram confirmadas por nenhuma fonte oficial ligada ao estudo.

Uma reportagem do jornal O Globo, no entanto, afirma que se trata de um médico de 28 anos, formado há pouco tempo, que atuava na linha de frente do combate à covid-19 em três hospitais do Rio de Janeiro. Ele teria falecido na última quinta-feira (15) em decorrência de complicações da covid-19. Por conta do desenho do estudo, não se sabe se o voluntário recebeu a vacina ou o placebo.

Contatada pelo Medscape, a AstraZeneca respondeu que não pode comentar sobre casos individuais do estudo clínico em andamento e que todos os eventos médicos significativos são avaliados pelos investigadores do estudo, um comitê independente de monitoramento de segurança e autoridades regulatórias, acrescentando que “essas avaliações não levaram a quaisquer preocupações sobre a continuidade do estudo em andamento”.

O Instituto D'Or de Ensino e Pesquisa (IDOR), centro de pesquisas que realiza os ensaios no Rio de Janeiro, também divulgou nota oficial afirmando que “a análise rigorosa dos dados colhidos até o momento não trouxe qualquer dúvida com relação à segurança do estudo, recomendando-se sua continuidade”. 

“Vale lembrar que trata-se de um estudo randomizado e cego, no qual 50% dos voluntários recebem o imunizante produzido pela Oxford”, diz o texto. Segundo o IDOR, cerca de 8.000 voluntários já foram vacinados no Brasil.

Para o coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o infectologista Sergio Cimerman, é preciso esperar os resultados das investigações, já que relatos de óbito são algo factível em qualquer vacina em testes, ainda mais em casos nos quais se busca, em tempo recorde, imunizar a população.

“É justamente o estudo de fase 3 que avalia eficácia e segurança, para que a vacina possa ser usada para toda população Não podemos nos deixar abater e devemos seguir adiante, com toda a segurança possível, em busca de uma vacina ideal”, disse o Dr. Sergio, que atua no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e também é advisor do Medscape.

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

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