Mulher de 37 anos e compleição atlética com suspeita de crises de pânico

Dr. Thomas J. Hemingway

Notificação

20 de outubro de 2020

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Uma mulher de 37 anos com história de transtorno de ansiedade procura o pronto-socorro com o que descreve como sendo uma crise de pânico. Ela refere palpitação, taquicardia, dispneia intensa e sensação de "tontura". Está começando a sentir desconforto precordial. Tem esses sinais e sintomas intermitentemente há anos, que atribui a crises de pânico. Esses paroxismos geralmente duram de 10 a 15 minutos e diminuem espontaneamente antes de sua chegada ao pronto-socorro.

A paciente já fez uma investigação diagnóstica cardiológica aprofundada, que foi essencialmente normal, tendo realizado eletrocardiograma (ECG), teste de esforço na esteira, Holter de 24 horas e ecocardiograma. Ela indica que estava assintomática quando os exames foram realizados. Seu médico assistente diagnosticou transtorno de ansiedade com crises de pânico e prescreveu um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (ISRS).

Apesar do tratamento, ela tem tido vários episódios por ano. As crises não parecem estar associadas a nada em particular. Sua crise atual começou enquanto ela estava jogando polo aquático. Para sua surpresa, não regrediu espontaneamente. Ela começou ficar sem a energia e a resistência habituais e pensou que fosse desmaiar, então saiu imediatamente da piscina e foi rapidamente levada para o pronto-socorro por suas amigas.

Exame físico e propedêutica

Ao exame inicial, a paciente é uma mulher jovem de compleição atlética que parece pálida e sudoreica. Está globalmente um pouco letárgica e com discreta dificuldade de respirar. Sua frequência cardíaca é irregular e taquicárdica, variando de 170 a 300 batimentos por minuto (bpm). Pressão arterial de 80 × 76 mmHg; frequência respiratória de 18 incursões respiratórias por minuto (irpm); e saturação de oxigênio de 99%, com aporte de 2 L/min de O2; B1 e B2 normofonéticas, com taquicardia irregular. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular universal sem adventícios. Membros sem edema, porém frios e pulsos distais filiformes.

O ECG inicial revela taquicardia irregular com alargamento QRS e 224 bpm (Figura 1). Dada a alteração do estado mental e a hipotensão importante, a equipe do pronto-socorro iniciou o protocolo de suporte avançado à vida (ACLS, sigla do inglês, Advanced Cardiac Life Support) da American Heart Association (AHA), [1] e fez uma cardioversão sincronizada. A paciente converteu para ritmo sinusal normal com frequência cardíaca de 58 bpm. Foi feito novo ECG de 12 derivações

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