Temas mais buscados em setembro de 2020: Covid prolongada

Ryan Syrek

4 de setembro de 2020

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook !

A preocupação e o conhecimento adquirido sobre os potenciais efeitos em longo prazo da covid-19 resultaram no tema clínico mais buscado da semana. A persistência dos sinais e sintomas em algumas pessoas com covid-19 gerou novas pesquisas sobre os possíveis mecanismos subjacentes à encefalomielite miálgica e/ou síndrome da fadiga crônica (EM/SFC), bem como a outras doenças crônicas pós-virais (ver infográfico abaixo).

A sessão de abertura do encontro virtual da International Association for CFS/ME (IACFS/ME) em 21 de agosto foi dedicada à pesquisa sobre em que extensão alguns sobreviventes de covid-19 correspondem aos critérios de encefalomielite miálgica e/ou síndrome da fadiga crônica. Isso contou com uma discussão sobre como pesquisas anteriores haviam determinado uma potencial ligação entre o coronavírus e a encefalomielite miálgica e/ou síndrome da fadiga crônica após a epidemia de SARS-CoV-1 em 2003. Um estudo descobriu que 22 profissionais de saúde que tinham se infectado na época referiram fadiga crônica, dor musculoesquelética e alterações do sono até três anos após a doença, sem nenhum tendo retornado ao trabalho no primeiro ano de convalescença. Vários estudos em andamento estão explorando a possível conexão entre a encefalomielite miálgica e/ou síndrome da fadiga crônica, trabalhando com comunidades de "covid prolongada", como a Body Politic.

Segundo um relatório dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), mais de um terço das pessoas com resultado positivo no teste do SARS-CoV-2 ainda apresentam sinais e sintomas semanas depois. A pesquisa de quase 300 adultos descobriu que cerca de 35% disseram que não haviam voltado ao seu "estado normal de saúde" duas a três semanas após o teste. Entre adultos dos 18 aos 34 anos idade sem doença subjacente, um a cada cinco disse não ter se recuperado inteiramente. Os que tiveram problemas durante meses foram chamados de "covid-19 de longa distância".

Uma carta de pesquisa proveniente da Itália publicada no periódico Journal of the American Medical Association informou que 87,4% de 143 pacientes internados previamente tinham a persistência de pelo menos um sinal ou sintoma dois meses ou mais após o quadro inicial e mais de um mês após a alta. Quase um terço dos pacientes tinha um ou dois sinais ou sintomas, enquanto 55% tinham três ou mais. Mais da metade (53,1%) ainda apresentava fadiga.

Um estudo britânico descobriu que 81 de 110 pacientes que receberam alta com diagnóstico de covid-19 ainda apresentavam falta de ar, fadiga excessiva e mialgia três meses depois. Embora a maioria dos pacientes tenha referido melhora dos sintomas iniciais, como febre, tosse e anosmia, um grande número ainda apresentava problemas significativos de qualidade de vida. Essas observações fazem parte do projeto DISCOVER do hospital, o primeiro a avaliar os efeitos prolongados do novo coronavírus.

Embora os efeitos imediatos da infecção pelo SARS-CoV-2 continuem sendo a preocupação primária em muitas regiões, a covid prolongada é um tema que ganha cada vez mais atenção. Como evidenciado por ter sido o tema clínico mais buscado da semana, os resultados da pesquisa e as informações mais detalhadas provavelmente serão recebidos com muito interesse.

Leia mais sobre a encefalomielite miálgica e/ou síndrome da fadiga crônica.

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