Covid-19: Resumo da semana (8 a 14 de agosto)

Equipe Medscape

14 de agosto de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

 

O mundo atingiu 20.956.158 casos e 760.318 mortos por covid-19 na manhã de 14 de agosto, de acordo com o Coronavírus Resource Center da Johns Hopkins University.

O Brasil tinha 105.615 mortes confirmadas e 3.230.436 infectados pelo novo coronavírus até a mesma data, de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir dos dados das secretarias estaduais de saúde. O consórcio é formado por EstadãoG1O GloboExtraFolha e UOL. O país teve 1.301 mortes e 59.147 casos nas últimas 24 horas, com uma média móvel nos últimos sete dias de 989 óbitos. Dados do Ministério da Saúde apontam que 2.309.477 pessoas se recuperaram da doença.

Até 13 de agosto, cinco estados apresentavam alta de mortes: Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Tocantins. Em 14 estados o número de óbitos se manteve nos mesmos níveis, e houve queda no Rio de Janeiro, Acre, Roraima, Alagoas, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A comparação é feita com base na média dos últimos sete dias em relação à média de duas semanas anteriores.

Seis capitais do país tiveram nesta semana taxa de ocupação de UTIs acima de 80% – Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Curitiba (SC) e Aracaju (SE).

Apesar das evidências científicas em contrário, e dos potenciais riscos à saúde, a campanha pelo uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 prossegue e causa tensão. Reportagem feita pela BBC News Brasil revelou que vários médicos foram dispensados pela operadora de saúde Hapvida por não concordarem com o uso do medicamento contra o coronavírus. A operadora está sendo investigada pelo Ministério Público.

A prefeitura de São Paulo divulgou os resultados da terceira fase do inquérito sorológico realizado na cidade. O estudo permite estimar que 1,5 milhão de pessoas acima de 18 anos – o equivalente a 17,9% da população – foram infectados pelo novo coronavírus. Entre outras revelações, a pesquisa mostrou que a frequência de indivíduos com anticorpos é de 22% entre a população de baixa renda e 9,4% no grupo com renda alta.

De acordo com um estudo do Imperial College, do Reino Unido, a taxa de transmissão de casos no Brasil estava em 1,01 em 9 de agosto. É um percentual menor do que o da semana anterior, quando o indicador era de 1,08. Pelos dados atuais, 100 pessoas transmitem a doença para outras 101 pessoas, expandindo o número de infectados.

Um dos infectados recentes é o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que anunciou na quarta-feira (12) o resultado positivo do seu sexto teste. Ele disse que está assintomático e que ficará em casa por 10 dias, mas não irá se licenciar do cargo. Outro infectado recente foi o secretário Municipal de Educação de São Paulo, Bruno Caetano, que se reuniu com o governador na última sexta (7) para falar sobre o plano para a volta às aulas. A esposa do governador, Bia Doria, e um funcionário da residência do casal também estão com a doença. Na madrugada do dia 12 morreu a avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que também testou positivo. Maria Aparecida Firmo Ferreira, 80 anos, morreu por complicações da covid-19 no Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, após internação prolongada.

O soro, a vacina e os desafios da imunização

A boa notícia desta semana é o anúncio do depósito de patente de um soro anti-SARS-CoV-2, o vírus causador da doença, com anticorpos até 50 vezes mais potentes do que os anticorpos presentes no plasma das pessoas que tiveram a doença. O produto foi desenvolvido no Brasil, a partir de plasma de equinos, por uma parceria entre o Instituto Vital Brasil e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Apesar dos esforços pontuais em pesquisar novas formas de tratar a doença, as expectativas mundiais recaem sobre as vacinas. Na terça-feira (11), o presidente Vladimir Putin, anunciou que seu país, a Rússia, foi o primeiro do mundo a registrar uma vacina contra o novo coronavírus, provocando reação mundial. Nos registros da Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacina desenvolvida pelo Centro Nacional de Investigação de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, na Rússia, está na primeira fase de testes, e ainda não houve publicação dos dados da pesquisa sobre eficácia e segurança.

Mesmo diante da falta de informações sobre o desempenho da vacina russa, o governo do Paraná anunciou a assinatura de um acordo para a produção da Sputnik-V (o nome dado ao imunizante) pelo Instituto de Tecnologia do Paraná. O produto será testado no Brasil. Cerca de 165 vacinas contra a covid-19 estão sendo pesquisadas em todo o mundo.

Não faltam desafios a serem equacionados para viabilizar a vacinação brasileira. Por exemplo: como o Brasil está se preparando para enfrentar os desafios de incorporação, produção e distribuição? E como será feita a imunização em massa? Haverá vacinas para todos? O fechamento de acordos entre os governos de alguns estados brasileiros com empresas farmacêuticas e centros de pesquisa também é alvo de indagações sobre os seus desdobramentos. A compra com pagamento antecipado dos imunizantes ainda em pesquisa seria uma mudança na forma financiar as pesquisas das empresas do setor? É uma prática equitativa investir para ter prioridade na compra? Como há chances de fracasso, deveriam os estados brasileiros fazer estas apostas de alto risco? E como reagir se as boas vacinas forem alvo de notícias falsas? O Medscape entrevistou vários especialistas para refletir sobre essas perguntas. Não deixe de ler.

Avanços no conhecimento sobre a doença

Um relevante estudo brasileiro pode ter desvendado os prováveis mecanismos que explicariam o estado de hipercoagulabilidade em pacientes graves com covid-19. Dois achados se destacam: a maior ativação plaquetária e um aumento na formação de agregados entre plaquetas e monócitos. A hipótese dos autores é que o processo inflamatório grave e a síndrome de liberação de citocinas possam favorecer a ativação plaquetária.

A superação da fase aguda da doença não significa, necessariamente, o fim dos problemas. Eis aí uma verdade para o coração: um estudo de coorte prospectivo com 100 pacientes recuperados apontou que alguns indivíduos podem evoluir com uma inflamação persistente do miocárdio, risco de lesões e de insuficiência cardíaca. Os pesquisadores buscaram também meios de diagnóstico para detectar precocemente a inflamação cardíaca. Outro trabalho atestou a presença e a replicação do vírus no próprio músculo cardíaco.

Impacto psicossocial

Um dos temas mais buscados em agosto de 2020 é a depressão ligada à covid-19. O Medscape abordou o aumento dos casos da doença e também dos sintomas de ansiedade e comenta um novo estudo que correlaciona essas alterações do humor à penetração do SARS-CoV-2 no sistema nervoso central.

Na opinião de dois psiquiatras que que assinam um artigo publicado on-line no periódico JAMA Pediatrics, os pediatras deveriam perguntar mais sobre o funcionamento psicossocial durante as consultas após fazer as checagens de rotina. Segundo os médicos, o funcionamento psicológico e social ganhou relevância ainda maior na pandemia, pois muitas crianças e adolescentes mostram sinais de angústia.

Por aqui, gestantes e puérperas negras morrem mais

Dois estudos nacionais revelaram aspectos preocupantes sobre a mortalidade materna por covid-19, que segue elevada. A primeira pesquisa, publicada no periódico International Journal of Gynecology & Obstetrics (IJGO), comparou a incidência dos óbitos maternos no Brasil com a de outros países. A segunda, publicada no Clinical Infectious Diseases, discutiu o impacto desproporcional da mortalidade por covid-19 sobre as mulheres brasileiras negras.

Acurácia do diagnóstico e o câncer na pandemia

Uma ampla revisão da literatura disponível até o momento feita pela Cochrane Collaboration avaliou os principais sinais e sintomas de pacientes com infecção por SARS-CoV-2 a fim de avaliar a sua acurácia diagnóstica. As conclusões dos revisores podem ser especialmente úteis na falta de testes para todos os pacientes.

Novas orientações sobre a continuidade ou interrupção do tratamento de pacientes com câncer durante a pandemia de SARS-CoV-2 foram formuladas por uma equipe internacional de especialistas. Uma das recomendações publicadas pela European Society of Medical Oncology (ESMO) é: nem todos os pacientes com a doença têm o mesmo grau de vulnerabilidade à covid-19. Outra é que a terapia ministrada não deve ser interrompida ou adiada se isso for afetar a sobrevida global.

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