Covid-19: Resumo da semana (25 a 31 de julho)

Equipe Medscape

31 de julho de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a Covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

 

Na manhã da sexta-feira (31) o mundo registrou 17.322.041 casos confirmados de covid-19 e 673.833 mortes pela doença, segundo o Coronavírus Resource Center da Johns Hopkins University.

A luta da humanidade contra o novo coronavírus completou seis meses desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de emergência global, em 30 de janeiro. Naquele momento, a doença atingia 19 países e havia 213 mortes na China. Hoje a covid-19 faz vítimas fatais em 216 países e o número de infectados cresce. Durante entrevista coletiva no dia 30, Mike Ryan, diretor de emergência da entidade, disse que a resposta dos sistemas de saúde e governos ao SARS-CoV-2, o vírus causador da covid-19, foi lenta e insuficiente na maioria dos países.

Os casos estão ressurgindo em vários países, como Austrália, Japão e Israel. Na Espanha, as infecções voltaram ao patamar de maio. O diretor geral da OMS, Dr. Tedros Adanhom Ghebreyesus, Ph.D., disse que os novos casos em alguns países europeus parecem estar associados, em parte, aos jovens, que estariam adotando comportamentos de risco durante o verão. 

O Brasil contava 2.614.662 casos confirmados de covid-19 e 91.416 mortes pela doença até 31 de julho. Dois dias antes (29), o país alcançou o maior número de óbitos confirmados em um único dia – 1.554 pessoas. A média para os últimos sete dias, calculada em 30 de julho, foi de 46.263 novos casos por dia, um patamar muito elevado. Sete estados estão enfrentando aumento das mortes: RJ, GO, MS, AC, RR, RS, SC.

Na quinta-feira (30), a primeira-dama Michelle Bolsonaro e Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, foram diagnosticados com covid-19. Após o anúncio de que está recuperado da doença, o presidente Jair Bolsonaro disse em evento público que sente fraqueza e que toma antibióticos porque exames teriam revelado “um pouco de infecção”. Ele montou a cavalo, tirou a máscara e tocou nas mãos das pessoas. Na sexta-feira (31), sua agenda previa viagem a Bagé, no Rio Grande do Sul.

A doença faz mais vítimas entre os mais pobres e a população negra nas periferias das grandes cidades. Falta de medicamentos para entubação, a internação já em estado grave, ou a espera prolongada por um leito de UTI são alguns dos problemas que elevam o número de vidas perdidas para a covid-19, como mostra reportagem do jornal O Estado de São Paulo.

Outra reportagem do mesmo jornal revelou que mais de 9.850.000 de testes RT-PCR não foram distribuídos pelo Ministério da Saúde e estão armazenados. É quase o dobro da quantidade que foi enviada até agora aos estados e municípios. Trata-se do exame mais indicado para o diagnóstico do vírus ativo no organismo, e que permite rastrear os contatos para interromper cadeias de transmissão. A justificativa do governo para não ter distribuído os kits é a dificuldade para comprar os reagentes para processar as amostras, como um extrator de RNA, imprescindível para a realização do exame.

O surgimento do novo coronavírus

O vírus SARS-CoV-2 pode estar circulando há décadas entre os morcegos, segundo uma parceria internacional de cientistas que estuda a origem do novo micro-organismo. As informações obtidas da investigação foram publicadas no periódico Nature Microbiology. Após comparar os genomas de vírus do mesmo gênero, os pesquisadores sugerem que o novo coronavírus pode ter surgido em 1948, 1969 ou 1982. Outra descoberta da semana é a de que alguns cães treinados conseguiram identificar pessoas infectadas com o novo coronavírus, segundo estudo publicado pela BMC Infectious Diseases.

Precisamos falar mais sobre as vacinas

A corrida pela vacina está veloz e muitas perguntas importantes estão ficando sem respostas. No Brasil, que se tornou um campo ideal de provas para as vacinas por causa do grande número de casos, três imunizantes estão sendo testados. No entanto, é necessário discutir o que se pode esperar, e as expectativas que a população tem sobre eles. Segundo a OMS, uma vacina que demonstre ao menos 50% de proteção já seria suscetível a aprovação para comercialização e distribuição. O Medscape cobriu o evento Trópicos Quentes: Vacinas para SARS-CoV-2, realizado recentemente pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT). Leia aqui o que foi discutido.

As vacinas, aliás, estão entre os temas mais buscados em julho de 2020 no Medscape. Resultados iniciais encorajadores de fase 1 e 2 dos ensaios clínicos com vacinas contra o SARS-CoV-2 chamaram muita atenção nesta semana. O Dr. Anthony Fauci, médico e diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases nos EUA reiterou sua crença de que provavelmente haverá uma vacina disponível até o final de 2020.

Novos potenciais marcadores de doença grave?

A linfocitopenia em pessoas com covid-19 pode ajudar os médicos a prever quais pacientes hospitalizados têm mais risco de evoluir com doença grave, como mostra um estudo de coorte retrospectivo. Trabalhos anteriores associaram a baixa contagem de linfócitos a outras doenças virais, incluindo a síndrome respiratória aguda grave (SARS, sigla do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome) e a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS, sigla do inglês Middle East Respiratory Syndrome).

Os estudos também estão mostrando que há mais alterações hematológicas na doença. A trombocitopenia, identificada em até 60% dos pacientes hospitalizados com covid-19, parece estar associada a desfechos negativos, como maior gravidade e morte. A intensidade da queda da contagem plaquetária também parece estar linearmente associada à sobrevida. No entanto, na maioria das situações, o SARS-CoV-2 não causa uma redução suficientemente significativa a ponto de causar complicações hemorrágicas.

Análise retrospectiva feita em Wuhan, na China, mostrou que quase metade dos pacientes com covid-19 sem diagnóstico prévio de diabetes tinha hiperglicemia. Os pesquisadores relatam que glicemia de jejum de ≥ 126 mg/dL no momento da admissão foi um fator independente de mortalidade.

Azitromicina e inibidores da bomba prótons em investigação

O medicamento azitromicina se tornou mais conhecido do grande público pelo seu uso em conjunto com a hidroxicloroquina para tratar a covid-19. Diversos estudos já apontaram a ineficácia da substância e seus riscos, inclusive um estudo realizado no Brasil. Agora, um grande estudo observacional está mostrando que o antibiótico também está associado a mortalidade cardiovascular em curto prazo. Outra pesquisa publicada on-line no periódico The American Journal of Gastroenterology apontou que os usuários de inibidores da bomba de prótons podem estar mais suscetíveis à covid-19.

Mais gestantes nos estudos e mortes maternas

Poucos estudos sobre covid-19 aceitam gestantes, mas um número cada vez maior de médicos está trabalhando para que elas sejam incluídas nos ensaios clínicos. A medida é urgente. Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou esta semana que o Brasil registra mais de 200 mortes mulheres nos últimos meses de gestação ou no pós parto diagnosticadas com infecção por SARS-CoV-2. Os dados foram obtidos por um grupo de obstetras e enfermeiras de 12 universidades que estão compilando dados sobre a mortalidade materna na pandemia.

Telemedicina e autoteste na prevenção do HIV durante a pandemia 

Durante a pandemia, a telemedicina tem sido uma estratégia importante para atender pacientes respeitando o distanciamento social. Desde março, as teleconsultas são realizadas com sucesso nos serviços de prevenção ao vírus HIV (sigla do inglês, Human Immunodeficiency Virus) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz).

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