COMENTÁRIO

Reabilitação cardiopulmonar após covid-19

Dr. Fabrício Braga; Dr. Gabriel O. M. Moraes

Notificação

15 de julho de 2020

Neste artigo

2. Avaliação do paciente após covid-19

Para a avaliação precisa dos pacientes após covid-19 é fundamental o conhecimento da manifestação clínica apresentada por esse indivíduo durante a doença, principalmente por se tratar de uma condição com espectro bem heterogêneo, que vai desde indivíduos assintomáticos até a necessidade de circulação extracorpórea (ECMO).

Em linhas gerais, entende-se que os indivíduos que necessitem de aporte suplementar de oxigênio já têm indicação de reabilitação em seu período de convalescença.

Considera-se apto ao início do processo de reabilitação o paciente com os seguintes critérios: [6]

  • Sete ou mais dias de convalescença

  • 72 horas sem febre ou uso de antitérmicos

  • Frequência respiratória e saturação de oxigênio estáveis em repouso

  • Estabilidade clínica e radiológica

Uma vez preenchidos tais critérios, o paciente iniciará seu protocolo de avaliação cujo objetivo consiste em identificar os principais pontos a serem trabalhados durante sua reabilitação.

Avaliação da capacidade aeróbica[7]

Preconizamos a utilização do teste cardiopulmonar do exercício (TCPE) como padrão-ouro para obtenção da capacidade aeróbica representada pelo VO2 obtido em um exame com critério de esforço máximo.

O TCPE também nos permite avaliar outros achados importantes tais como:

  • Magnitude da ineficiência ventilatória

  • Arritmias

  • Sinais de redução da performance ventricular

  • Hipoxemia associada ao exercício

  • Capacidade e função pulmonar – obtida pela espirometria pré-teste

  • Broncoespasmo associado ao exercício – confirmado pela espirometria pós-teste

Avaliação musculoesquelética[8,9,10,11]

  • Composição corporal por técnica de bioimpedância com objetivo de auxiliar na avaliação de sarcopenia;

  • Avaliação de força por meio da técnica de hand-grip e medidas diretas com o dinamômetro;

  • Avaliação funcional do equilíbrio, principalmente em pacientes mais idosos, por testes como Time up and go (TUG) e BERG;

  • Avaliação de força muscular respiratória por manovacuometria.

Avaliação neuropsíquica

  • Aplicação do questionário SF-36 com intuito de qualificar as sequelas sobre a qualidade de vida do paciente;

  • Avalição neuropsicológica.

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