Crianças com câncer podem não ser mais vulneráveis à covid-19 do que as saudáveis

Linda Carroll

Notificação

1 de julho de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

(Reuters Health) — Crianças com câncer não precisam adiar o tratamento oncológico por preocupação de ter maior suscetibilidade à covid-19 (sigla do inglês, Coronavirus Disease 2019), sugere um novo estudo.

Depois de testar 120 pacientes com câncer infanto-juvenil assintomático para a infecção pelo SARS-CoV-2 (sigla do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2), pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSKCC) descobriram que apenas 2,5% tinham resultados positivos para o vírus, em comparação com 14,7% dos responsáveis pelas crianças que estavam assintomáticos, informam os pesquisadores no periódico JAMA Oncology.

Entre as 58 crianças expostas ao vírus ou que apresentaram sintomas sugestivos de infecção, 17 (29,3%) tiveram resultado positivo, sendo que apenas uma precisou ser hospitalizada por causa da covid-19 – sem indicação de tratamento intensivo.

"Com a atual pandemia de covid-19, nos preocupamos muito com como as crianças com câncer seriam atingidas", disse o coautor do estudo, Dr. Andrew Kung, diretor do Departamento de Pediatria do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center. "Foi reconfortante constatar que essas crianças não parecem ser mais vulneráveis do que as outras. Com essas informações, agora podemos nos sentir confiantes para continuar o tratamento oncológico e não nos atrasarmos por receios em relação à sensibilidade ao SARS-CoV-2."

Inicialmente, Dr. Andrew e colaboradores testaram somente as crianças que apresentavam sintomas de covid-19 e as que tinham entrado em contato com alguém sabidamente infectado pelo vírus. Com o passar do tempo, os pesquisadores começaram a testar todos os pacientes da pediatria com câncer, bem como seus acompanhantes.

Entre 10 de março e 12 de abril de 2020, 178 crianças e 74 acompanhantes adultos fizeram swab para o vírus, com 3 de 120 pacientes assintomáticos tendo resultado positivo e 17 dos 58 pacientes com sintomas ou história de contato próximo com alguém sabidamente infectado pelo vírus apresentando resultado positivo. Entre os seis acompanhantes sintomáticos ou com história de contato próximo com uma pessoa infectada, três tiveram resultado positivo, enquanto 10 dos 68 assintomáticos tiveram resultado positivo.

"Mesmo nesses casos, descobrimos que somente metade das vezes em que o acompanhante era positivo a criança também era", disse Dr. Andrew. "Isso sugere que existe algo nas crianças que as torna menos propensas não apenas a apresentar sinais e sintomas, como também menos suscetíveis à própria infecção."

Apenas uma criança do grupo sintomático foi hospitalizada e precisou de aporte de oxigênio. Mas mesmo essa criança não ficou suficientemente doente para ser transferida para a unidade de tratamento intensivo (UTI), disse Dr. Andrew.

Uma estatística interessante, disse Dr. Andrew, é que mesmo entre as crianças, os meninos parecem ser mais vulneráveis ao vírus, com 17 dos 107 meninos tendo tido resultado positivo em comparação a 3 das 71 meninas.

As novas descobertas reforçam o que a Dra. Jenna Rossoff tem observado.

"O estudo parece bem alinhado com nossos dados limitados no Lurie Children's Hospital", disse a Dra. Jenna, preceptora de pediatria da Northwestern University Feinberg School of Medicine e pediatra do Ann & Robert H. Lurie Children's Hospital of Chicago. "Tivemos alguns resultados terapêuticos positivos e, em geral, as crianças estão indo bem."

Com dados mostrando que os adultos com câncer têm maior probabilidade de morrer se infectados pelo SARS-CoV-2, especialistas em oncologia pediátrica ficaram preocupados, dado o estado imunitário das crianças, disse Dra. Jenna.

"Este estudo é útil, pois mostra que crianças com câncer não estão necessariamente em maior risco de morbimortalidade pela covid-19", disse Dra. Jenna.

"O câncer infantil costuma ser agressivo e com frequência requer tratamento intensivo, portanto, os riscos e benefícios precisam ser considerados. Esses dados significam que talvez não seja necessário suspender o tratamento das crianças com câncer, porque elas podem não se sair tão mal face à covid-19 quanto os adultos."

FONTE: https://bit.ly/3cuDM3j

JAMA Oncology. Publicado on-line em 13 de maio de 2020.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....