Covid-19: Resumo da semana (21 a 26 de junho)

Equipe Medscape

26 de junho de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a Covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

 

O mundo registrou na manhã da sexta-feira (26) 9.632.969 casos confirmados e 489.854 mortes.

No Brasil, foram 1.234.850 casos confirmados e 55.054 óbitos por covid-19, de acordo com o levantamento do consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de saúde no país. É um número superior à soma do total de casos do terceiro (Rússia) e do quarto (Índia) lugar no ranking do Coronavirus Resource Center da Johns Hopkins University. Dados do Ministério da Saúde informam que 673.729 pacientes brasileiros se recuperaram da doença. 

A Europa reabre a economia e se desconfina tentando estabelecer uma rotina nos limites do “novo normal”. Na quinta-feira (25), os franceses comemoraram a reabertura do monumento Torre Eiffel, em Paris. Com elevadores ainda fechados, os visitantes que se dispuserem a subir 674 degraus poderão ir até o segundo andar (são três). Em contrapartida, em Portugal e na Espanha há novos surtos de covid-19. Em reação, algumas regiões espanholas estão voltando atrás em planos de reabertura. 

Nos Estados Unidos, os planos de reabertura do estado do Texas foram suspensos na quinta-feira (25) diante de um pico de infecções e hospitalizações. O Texas lidera esforços estaduais para retomar as atividades após a adoção de medidas de combate ao coronavírus.

A pandemia ainda não alcançou o pico na América Latina e no Caribe. O alerta foi dado pelo diretor de emergência da Organização Mundial da Saúde, Dr. Mike Ryan, em entrevista coletiva na sede da organização na quarta-feira (24). Disse ainda que as mortes devem seguir em patamares elevados nas próximas semanas. Em reportagem sobre a expansão da doença na América Latina e no Caribe, o jornal português Diário de Notícias comenta que nem todos os países estão reagindo da mesma forma, e menciona os resultados positivos do Uruguai e do Paraguai no controle da pandemia.

No mesmo dia, o Ministério da Saúde (MS) brasileiro divulgou uma nova versão do programa de testagem com a oferta de testes para pacientes com sintomas leves em centros de atendimento de covid-19. Dos 46 milhões testes prometidos aos estados no início da pandemia, o governo distribuiu apenas 11,3 milhões. O MS avisou também que passará a considerar o diagnóstico clínico como critério para confirmação de casos.

Na quarta-feira, o governo paulista anunciou a volta gradativa às aulas presenciais na rede pública estadual a partir de 8 de setembro. O plano prevê três etapas e medidas de reforço na higiene, distanciamento social e uso obrigatório de máscaras.

Isolamento, imunidade de grupo e mortalidade

Afinal, qual é o nível de distanciamento eficaz para conter a disseminação do vírus? Uma reportagem detalhada recuperou os principais fundamentos e artigos mencionados no debate sobre o isolamento horizontal e a modalidade chamada de vertical, restrita a grupos de risco e pessoas já infectadas. O texto é bastante completo e relata a experiência de vários países, o papel da testagem em massa e comenta as evidências científicas sobre os expressivos resultados do distanciamento social amplo no achatamento da curva de crescimento do vírus. Ainda sobre imunidade, pesquisa feita na China e publicada no periódico Nature Medicine informa que pacientes assintomáticos podem manifestar uma forma mais fraca de imunidade à covid-19.

Qual a possibilidade de se formar uma imunidade de grupo e qual seria soroprevalência necessária para isso ocorrer considerando as diferenças regionais? Em entrevista ao Medscape , o infectologista Dr. Julio Croda comenta os resultados da revisão da literatura científica que fez sobre o tema. Ele sugere que uma soroprevalência em torno de 20%, associada à manutenção das medidas preventivas, poderia gerar um controle da pandemia adequado em alguns locais do país.

Como estamos reagindo à pandemia?

Antes da covid-19, pesquisadores aplicaram um questionário desenhado para avaliar o estresse pré-natal e a sintomatologia psiquiátrica em gestantes. Após a chegada do novo coronavírus, o grupo coletou mais dados de mulheres que vivenciaram a gestação na pandemia. Os resultados do levantamento mostram que há maiores riscos de depressão pós-parto para esse grupo.

Muita gente voltou a fumar durante a pandemia. Há muitas dúvidas sobre o impacto do tabagismo na evolução dos pacientes com covid-19. Seria a doença mais grave em fumantes? Quais aspectos devem ser considerados para analisar os resultados de levantamentos que indicam menor proporção de fumantes e ex-fumantes internados por covid-19? Essas e outras dúvidas são aprofundadas e respondidas por especialistas. O artigo menciona uma técnica que faz parte dos protocolos de tratamento do Ambulatório de Cessação de Tabagismo do InCor (SP) para reduzir o consumo.

Mais recomendações e impactos relacionados à doença

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) elaborou orientações gerais e específicas para o cuidado com pacientes que têm mieloma múltiplo. Uma delas é a necessidade de testagem dos pacientes e de pessoas que entraram em contato com eles para SARS-CoV-2 (sigla do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavírus 2). É preciso agir com cautela, reduzir ao máximo a exposição dos pacientes, mas a maioria dos tratamentos deve ser mantida.

Um estudo preliminar com pacientes hospitalizados relata que a doença pode levar a complicações como derrames, inflamações, psicoses e sintomas análogos aos da demência em casos graves. Mais pesquisas são necessárias. O trabalho, que envolve diversas universidades, avaliou 125 casos no Reino Unido e foi publicado na revista Lancet Psychiatry.

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