Temas mais buscados em junho de 2020: Covid-19 crônica

Ryan Syrek

26 de junho de 2020

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook !

Enquanto a pandemia grassa, as atenções começam a se concentrar nos pacientes que tiveram sinais e sintomas de covid-19 ou cujos resultados dos testes se mantiveram positivos durante meses, bem como na prolongada recuperação daqueles que tiveram doença grave. Publicações recentes detalham os chamados "pacientes que cronificaram": pacientes com sinais e sintomas importantes da infecção pelo novo coronavírus, em atividade durante vários meses. Alguns pacientes referem ter ficado acamados por até três meses. Outros não têm mais sintomas importantes, mas ainda apresentam resultados positivos para o SARS-CoV-2 muitas semanas depois, levantando a hipótese de possível reinfecção.

Ainda não está claro se os pacientes que se recuperaram, mas cujo resultado do teste por reação em cadeia da polimerase (PCR, do inglês Polymerase Chain Reaction) permanece positivo, ainda são contagiosos. Um estudo da Coreia do Sul com 285 pacientes com covid-19 que tiveram resultado negativo e saíram do isolamento, apenas para ter novo resultado positivo novamente, descobriu que nenhum transmitia a infecção depois de voltar a ter resultado positivo nos exames. Entretanto, um pequeno estudo alemão com nove pessoas com covid-19 descobriu que o vírus coletado de pacientes após oito dias de doença não cresceu nas culturas virais. Os autores sugerem que os pacientes com menos de 100.000 cópias/mL de RNA viral no escarro 10 dias após o início dos sintomas têm "pouco risco residual de infectividade". Compreensivelmente, médicos e pacientes ainda têm muitas perguntas sobre o que pode significar essa aparente infecção crônica.

A recuperação prolongada dos pacientes que foram hospitalizados com covid-19 grave também foi bem documentada. Vários pequenos estudos feitos em Hong Kong e na China geraram especulações sobre possíveis comprometimentos duradouros do pulmão e de outros órgãos. Embora as consequências exatas em longo prazo da covid-19 grave não sejam claras, especialistas sugerem que o dano alveolar difuso em alguns pacientes pode evoluir para bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP, do inglês Bronchiolitis Obliterans Organizing Pneumonia). O tratamento agressivo com esteroides pode evitar comprometimento em longo prazo associado a esse quadro. Uma variante dessa doença, a pneumonia aguda fibrinosa e organizante (AFOP, do inglês Acute Fibrinous and Organizing Pneumonia), também é uma das preocupações.

Apesar de ser considerada uma doença aguda, o longo tempo necessário para a recuperação de muitos pacientes assemelha-se mais ao de uma doença crônica. Além do sistema respiratório, estão sendo monitorados efeitos duradouros digestivos, cardíacos, renais, hepáticos, cerebrais, neurológicos, cutâneos e nos vasos sanguíneos. Isso sem mencionar as possíveis implicações persistentes na saúde mental, descritas por muitos.

A "covid-19 crônica" não é uma designação oficialmente reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ou pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC). No entanto, o termo contempla a crescente preocupação com os pacientes com sintomas persistentes ou resultados de testes continuamente positivos, bem como com os pacientes cuja recuperação é prolongada, fazendo deste o tema clínico mais procurado nesta semana.

Leia mais informações clínicas sobre a covid-19.

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