CONVERSA DE MÉDICO

SARS-CoV-2 e gestação: o que sabemos até agora?

O podcast do Medscape em Português

Dr. Luís Fernando Correia; Dra. Gabriela Kuster

Notificação

18 de junho de 2020

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, o SARS-CoV-2, ainda em janeiro, um grupo de pacientes vem preocupando os médicos e um grupo, em especial, vem procurando os médicos com muitas dúvidas e muita angústia, as gestantes.

A gestação é um estado imunológico especial em que o organismo tem de se adaptar à presença do feto em desenvolvimento. Até agora não existiam evidências científicas da transmissão vertical do vírus. Um trabalho científico em pré-publicação no periódico Nature Research, no entanto, traz o relato do que pode ser a primeira documentação de um potencial mecanismo de transmissão do vírus da gestante para o feto.

Para analisar essa evidência o Conversa de Médico convidou a Dra. Maria Gabriela Kuster, ginecologista, obstetra, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e advisor do Medscape.

O trabalho relata o caso de uma gestante com 35 semanas de uma gestação que, segundo os médicos assistentes, até aquele momento, havia transcorrido sem intercorrências. A paciente foi internada com um quadro respiratório agudo que foi diagnosticado como covid-19. A evolução do quadro para insuficiência respiratória aguda levou os especialistas a indicar o parto cesáreo, e a cirurgia correu sem intercorrências sob anestesia geral, por conta do quadro ventilatório da paciente. A bolsa amniótica foi puncionada para coleta do material (para identificação da presença do SARS-CoV-2), o feto foi retirado e o cordão clampeado precocemente para evitar a posterior contaminação do bebê. Amostras do líquido amniótico, bem como do sangue do cordão e da placenta foram positivas para a presença do do novo coronavírus, por meio de exames de RT/PCR.

Além deste relato de caso, a Dra. Maria Gabriela comenta outro trabalho, dessa vez publicado no periódico American Journal of Clinical Pathology, que relata a presença do SARS-CoV-2 em amostras da placenta de um pequeno número de gestantes diagnosticadas com a infecção pelo vírus.

Outra questão abordada durante a conversa foi o fato de que a pandemia tem apenas quatro meses de evolução, ou seja, até agora, o que se está vendo e relatando, é apenas o efeito das infecções pelo novo coronavírus no terceiro trimestre de gestação.

“Estamos agora chegando ao momento das avaliações morfológicas nas gestações que iniciaram já na pandemia. Somente agora conseguiremos começar a registrar eventuais malformações fetais causadas pela infecção ativa durante a formação do feto”, disse a especialista.

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