Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a Covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .
Até a quinta-feira (4), o Brasil registrava 614.941 casos confirmados e 34.021 mortes pelo novo coronavírus. Havia 254.963 pessoas recuperadas e 325.957 casos em investigação. O número de casos e óbitos por dia segue tendência de aumento, com 30.925 novos registros na data.
Com esses dados, o país passou ao segundo lugar em número de infectados, atrás apenas dos Estados Unidos, e é o terceiro em número de mortes. No mundo, são 6.672.287 pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 (sigla do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2) e 391.773 mortos.
A semana foi polêmica na ciência e nas ruas. O periódico científico The Lancet anunciou em 4 de junho a retirada da versão eletrônica de um estudo altamente citado que sugeria que a hidroxicloroquina poderia causar mais mal do que nem em pacientes com Covid-19 (sigla do inglês, Coronavírus Disease 2019). O New England Journal of Medicine anunciou horas depois a retirada de um segundo artigo de alguns dos mesmos autores sobre doenças cardíacas e COVID-19.
Os autores pediram a retração do artigo por dúvidas sobre a integridade dos dados do estudo revisados por uma empresa independente, a Surgisphere Corp.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a retomada de estudos com a hidroxicloroquina para Covid-19. A entidade reforçou que não existem evidências de benefícios. Os testes foram suspensos justamente por causa do trabalho publicado pela revista científica The Lancet.
No Brasil, diversas cidades estão relaxando as medidas de distanciamento social, apesar dos alertas de cientistas e médicos sobre os riscos de aumento da transmissão e novo aumento dos casos. Na capital São Paulo, escritórios prestadores de serviços e concessionárias reabriram as portas. Uma pesquisa recente feita pela Associação Paulista de Medicina (APM) trouxe novos dados sobre a realidade dos médicos e outros profissionais no enfrentamento da pandemia e revelou que a maioria apoia as medidas de isolamento para conter a disseminação da doença.
À medida que a pandemia avança, surgem novos obstáculos para o enfrentamento. Agora, hospitais de diversos estados informam a falta de sedativos e relaxantes musculares usados na entubação de pacientes, conforme mostra a reportagem do jornal O Estado de São Paulo.
A boa notícia a ser comemorada é a participação do Brasil nos testes com a vacina experimental desenvolvida pela Oxford University, no Reino Unido, e pela farmacêutica AstraZeneca PIc. A princípio, serão dois mil voluntários escolhidos entre profissionais da saúde no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os testes iniciam ainda no mês de junho e serão conduzidos pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela Rede D'Or São Luiz juntamente com o Instituto D'Or.
E para ajudar os profissionais da saúde a consultar as iniciativas surgidas desde o início da pandemia para disseminar informações, o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), ligado à Fiocruz, publicou uma lista com diversos links de sites com dados sobre a pandemia de Covid-19.
Os caminhos da doença no organismo
Uma nova análise publicada pelo periódico The Lancet reforça a ligação entre a obesidade e a internação de adultos mais jovens em unidades e terapia intensiva com sintomas graves de Covid-19. Para os pesquisadores, existe uma importante correlação inversa entre a idade e o Índice de Massa Corporal (IMC).
Para ajudar no encaminhamento de pacientes elegíveis à cirurgia bariátrica durante a pandemia, novas recomendações foram publicadas por um painel composto por 23 membros. As novas orientações mudam ampliam foco para além do Índice de Massa Corporal (IMC), considerando as doenças com maior probabilidade de melhorar com os procedimentos.
Um estudo de autópsias revela as características peculiares de lesões pulmonares na Covid-19. Mas essas lesões diferem das observadas na influenza grave? Em busca de respostas, o trabalho avaliou os pulmões de sete pacientes que morreram de Covid-19 e sete pacientes que morreram de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) secundária à influenza A (H1N1) em 2009.
TOC e câncer
De que modo a crise do novo coronavírus está afetando pacientes psiquiátricos com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)? Essa preocupação levou à formação de um grupo de grupo de trabalho sobre o TOC em tempos de pandemia composto por 33 especialistas provenientes de 12 países. Eles publicaram um consenso para orientar os médicos sobre a melhor maneira de lidar com esse desafio.
Mais uma constatação importante no cuidado com os pacientes oncológicos: novo estudo com dados do registro COVID-19 and Cancer Consoritum(CCC19) aponta que indivíduos com Covid-19 e câncer com a doença em progressão têm maior risco de morte em comparação com os que estão em remissão.
Preditores de gravidade
A medicina está à procura de preditores de gravidade da doença. Um trabalho feito por pesquisadores brasileiros propõe que pacientes com dor abdominal podem ter chance quatro vezes maior de agravamento da doença.
Mais uma linha de investigação é o papel dos androgênios. Pesquisadores italianos estudam se os hormônios masculinos podem ser a chave para entender por que a Covid-19 parece evoluir de forma mais grave em homens.
Mulheres e crianças
Novas orientações publicadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) defendem a manutenção do aleitamento materno em casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo vírus SARS-CoV-2. Em um comentário publicado no periódico Maternal & Child Nutrition, pesquisadores norte-americanos e australianos discutiram as diferentes condutas adotadas pelo mundo.
A SBP também publicou uma nota de alerta sobre abuso, exploração sexual e outras Violências contra crianças e adolescentes na quarentena. Os especialistas discutem como e por que as medidas de isolamento social podem aumentar a vulnerabilidade das crianças.
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Citar este artigo: Covid-19: Resumo da semana (30 de maio a 5 de junho) - Medscape - 5 de junho de 2020.
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