Dr. Raphael Brandão

Notificação

27 de mai de 2020

Está chegando o dia do maior congresso de oncologia do mundo. Por motivos óbvios, este será o primeiro ano em que o evento será 100% on-line. Sensação estranha para os que, como eu, estão habituados a enfrentar uma programação intensa em Chicago (EUA), cidade que baseia o congresso.

Mas, afinal, o que esperar da reunião anual de 2020 da American Society of Clinical Oncology (ASCO)?

A grande atração sempre é a sessão plenária, onde, este ano, serão apresentados cinco trabalhos de destaque.

O primeiro será o estudo Avelumab in First-Line Maintenance Gastric Cancer (JAVELIN Gastric 100), que avaliou a manutenção do anti-PDL1 avelumabe + melhor atendimento de suporte versus melhor atendimento de suporte isolado em pacientes com carcinoma urotelial que receberam quimioterapia de primeira linha à base de platina.

Considerando que os estudos da plenária geralmente apresentam resultados modificadores de conduta, já entramos atentos para avaliar o tamanho do benefício e o desfecho utilizado, por exemplo. Afinal, a custo-efetividade não pode estar longe das nossas discussões clínicas.

O segundo estudo a ser apresentado avaliou em mulheres com câncer de mama metastático, provavelmente tumores triplo-negativo – já que no cenário receptor hormonal positivo e/ou HER 2 positivo (de maneira geral), não faz muito sentido esta discussão –, que receberam terapia sistêmica associada a terapia local precoce versus terapia sistêmica isolada.

Os temas onco-hematológicos se fazem presentes novamente na plenária da ASCO. A doença da vez é o mieloma múltiplo, que vem ganhando inúmeras opções de tratamento. No caso, o estudo ENDURANCE, de fase 3, avaliou o uso de carfilzomibe, lenalidomida e dexametasona versus bortezomibe, lenalidomida e dexametasona como terapia inicial do mieloma múltiplo recém-diagnosticado.

E, para finalizar a sessão plenária, os dois últimos estudos respondem perguntas ousadas e provavelmente irão mudar a prática clínica. Confesso que foram os que mais despertaram a minha curiosidade; o primeiro comparou imunoterapia com quimioterapia em pacientes com câncer de cólon metastático e instabilidade de microssatélite, e o outro, chamado estudo ADAURA, avaliou o uso de osimertinibe como adjuvante em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas e mutação em EGFR.

Além destes, muito outros estudos serão divulgados aqui no Medscape, em nossa  cobertura em português da ASCO 2020.

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