Dietas populares têm resultado semelhante após seis meses

Lisa Rapaport

Notificação

15 de mai de 2020

(Reuters Health) — Várias dietas populares que enfatizam uma alimentação com baixo teor de gordura, pobre em carboidratos e moderação do padrão de consumo de macronutrientes foram associadas a discreta redução do peso e diminuição da pressão arterial (PA), sistólica e diastólica, em seis meses, segundo uma metanálise.

“Nossa pesquisa está alinhada ao crescente corpo de literatura corroborando as dietas para perda ponderal e os consequentes benefícios de proteção cardiovascular”, disse o coautor da metanálise, Dr. Gordon Guyatt, médico da McMaster University, no Canadá.

Em comparação com a alimentação habitual, as dietas pobres em carboidratos como a Atkins e a Zone, e as dietas com baixo teor de gordura, como a Ornish, tiveram um efeito semelhante em seis meses em termos de perda ponderal (4,63 kg versus 4,37 kg, ambas com certeza moderada), redução da pressão arterial sistólica (5,14 mmHg, certeza moderada vs. 5,05 mmHg, baixa certeza), e diminuição da pressão arterial diastólica (3,21 mmHg vs. 2,85 mmHg, ambas com baixa certeza).

Dietas com quantidade moderada de macronutrientes, como a DASH, resultaram em uma perda ponderal ligeiramente menor e menor diminuição da pressão arterial, de acordo com o estudo.

Dietas pobres em carboidratos tiveram menos efeito do que as dietas com baixo teor de gordura e quantidade moderada de macronutrientes na redução da lipoproteína de baixa densidade (LDL, sigla do inglês, Low-Density Lipoprotein) (1,01 mg/dL, baixa certeza vs. 7,08 mg/dL, certeza moderada vs. 5,22 mg/dL, certeza moderada, respectivamente), mas as dietas pobres em carboidratos também foram associadas a aumento da lipoproteína de alta densidade (HDL, sigla do inglês, High-Density Lipoprotein) (2,31 mg/dL, baixa certeza).

Entre as dietas populares mencionadas, as que tiveram maior efeito na redução do peso e da pressão arterial em comparação com a alimentação habitual foram a Atkins (peso 5,5 kg, pressão arterial 5,1 e 3,3 mmHg, sistólica e diastólica, respectivamente), a DASH (3,6 kg, PA 4,7 e 2,9 mmHg, respectivamente) e a Zone (4,1 kg, PA = 3,5 e 2,3 mmHg, respectivamente) em seis meses – todos com certeza moderada.

Nenhuma dieta melhorou significativamente os níveis de HDL e proteína C reativa em seis meses.

De modo geral, ocorreu perda ponderal em 12 meses entre todos os padrões de macronutrientes e as dietas mencionadas, enquanto os benefícios em termos de fatores de risco cardiovascular de todas as intervenções, com exceção da dieta do mediterrâneo, essencialmente desapareceram.

“Embora a dieta do mediterrâneo seja benéfica, em 12 meses de acompanhamento, até mesmo essa dieta teve poucas evidências de eficácia”, disse o Dr. Gordon por e-mail.

Isto sugere que os médicos devem encorajar os pacientes a seguir a maioria das dietas que se adaptem ao seu estilo de vida, mas que poderia fazer sentido trocar para uma dieta saudável se a primeira não ajudar os pacientes a alcançar seus objetivos, disse o Dr. Gordon.

“Dada a dificuldade de adesão prolongada, os médicos poderiam até encorajar os pacientes que estão acima do peso a alternar entre as dietas mais eficazes”, acrescentou o Dr. Gordon.

Uma limitação do estudo foi que muitas comparações geraram apenas evidências de baixa precisão, primariamente pela prova de inconsistência e imprecisão, mas também pelo risco de viés, escreveram os autores do estudo.

Outra limitação foi o fato de muitos pequenos ensaios clínicos incluídos na análise não informarem os desfechos aos 12 meses, e a maior parte das evidências ter tido um grau baixo ou muito baixo de certeza.

A adesão à dieta também não foi informada na maioria dos ensaios clínicos, e os macronutrientes foram determinados de acordo com as características gerais das diferentes dietas populares, em vez de por medidas de consumo de cada participante ou de consumo de macronutrientes.

Os médicos e os pacientes devem ter cautela ao interpretar estes resultados, disse Helen Truby, nutricionista e professora da Monash University, na Austrália, e coautora do editorial que acompanha o estudo.

“Os adultos tendem a perder mais peso 10 a 12 semanas depois de terem reduzido o consumo calórico e, depois disso, a perda ponderal diminui e pode estabilizar”, disse a Prof.ª Helen por e-mail.

“A maioria das ‘dietas populares’ não fornece as informações e as orientações necessárias para aumentar a fase de perda ponderal ou como manter o peso depois da perda inicial”, disse a Prof.ª Helen.

“Esta é uma lacuna da oferta e muitas vezes as pessoas precisam de muito mais apoio após o período inicial de seis meses para manter a perda ponderal.”

Fonte: https://bit.ly/2yzV4wE e https://bit.ly/2xEgHvZ

BMJ on-line. Publicado em 1º de abril de 2020.

Reuters Health Information © 2020

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