Mais evidências de relação entre a Covid-19 e a síndrome de Guillain-Barré

Damian McNamara

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5 de mai de 2020

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Foram identificados mais cinco casos de síndrome de Guillain-Barré associada à Covid-19 (sigla do inglês, Coronavirus Disease 2019), dando maior respaldo à relação entre o vírus e as complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré.

O relato, feito por pesquisadores italianos, chega pouco mais de duas semanas após a notificação do primeiro caso de Covid-19 apresentando síndrome de Guillain-Barré.

O artigo, cujo primeiro autor é o Dr. Gianpaolo Toscano, médico da Fondazione Mondino di Pavia, na Itália, foi publicado on-line em 17 de abril no periódico New England Journal of Medicine.

Os cinco casos de síndrome de Guillain-Barré ocorreram em três hospitais na Itália, de 28 de fevereiro a 21 de março. O número estimado de hospitalizações por Covid-19 durante este período foi de 1.000 a 1.200 casos.

O início da síndrome de Guillain-Barré nos cinco pacientes ocorreu de 5 a 10 dias após o diagnóstico inicial de Covid-19.

Três pacientes evoluíram com a forma desmielinizante da síndrome de Guillain-Barré; os outros dois tiveram, em geral, achados compatíveis com a variante axonal. Os cinco pacientes foram tratados com imunoglobulina intravenosa.

Quatro semanas após o tratamento, dois pacientes estavam em ventilação mecânica na unidade de tratamento intensivo, e os outros dois, com paraplegia flácida e pouquíssimos movimentos dos membros superiores, faziam fisioterapia. O quinto paciente recebeu alta e caminhava com autonomia.

Embora aparentemente ainda seja uma ocorrência rara, estes novos casos podem ajudar a aumentar a atenção para a síndrome de Guillain-Barré como potencial complicação da Covid-19 entre os médicos na linha de frente da pandemia.

Dado o pequeno número de casos nesta casuística observacional, não está claro se os déficits neurológicos graves e o comprometimento axonal são características típicas da síndrome de Guillain-Barré associada à Covid-19, observaram os autores.

Além disso, não foi possível determinar se algum dos problemas respiratórios relacionados com a Covid-19 eram independentes da fraqueza muscular causada pela síndrome de Guillain-Barré.

No entanto, os autores afirmam que tal efeito "poderia ser considerado se os achados nos exames de imagem do tórax não forem proporcionais à gravidade da insuficiência respiratória.

"A síndrome de Guillain-Barré relacionada com a Covid-19 deve ser diferenciada da neuropatia e da miopatia graves da doença, que tendem a aparecer mais tarde nos quadros críticos de síndrome de Guillain-Barré", escreveram os autores.

O Dr. Gianpaolo Toscano informou não ter conflitos de interesses relevantes.

New Engl J Med. Publicado on-line em 17 de abril de 2020.Texto completo

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