Covid-19: resumo da semana (18 a 24 de abril)

Equipe Medscape

24 de abril de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a Covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2.

 

O mundo começa a perceber sinais de que a expansão do novo coronavírus começou antes do que se pensava. Na Itália, pesquisadores estudam se o número de casos graves de gripe e pneumonia maior do que o habitual, que ocorreu na Lombardia, no último trimestre de 2019, pode ser um sinal de que o SARS-CoV-2 já circulava por lá à época. Isso também leva a crer que o vírus pode ter chegado da China mais cedo do que se pensava. Os pesquisadores estão revisando prontuários médicos das internações e outros detalhes clínicos de pessoas com sinais e sintomas de gripe e pneumonia.

O mesmo questionamento vem sendo feito nos Estados Unidos (EUA). Segundo relataram autoridades de saúde do país nesta quarta-feira (22), dois pacientes da Califórnia teriam sido os primeiros a morrer por complicações da Covid-19 ainda em fevereiro. Até então, acreditava-se que primeira morte oficial pela doença nos EUA ocorrera 20 dias depois.

O Brasil segue testando pouco e com dificuldade de dimensionar o real tamanho da epidemia no país. Estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ajuda a vislumbrar os efeitos do atraso nas notificações e da subnotificação dos casos. Os dados, publicados no site G1, revelam um aumento expressivo nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2020 em relação à média dos últimos dez anos. Segundo os dados da Fiocruz, o Brasil teve 33,5 mil internações por SRAG até 4 de abril deste ano, enquanto a média anual, desde 2010, vinha sendo de 3,9 mil casos. Em 2016, quando ocorreu surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano. Os cientistas da Fiocruz observam que aumento das internações por problemas respiratórios se deu neste ano em uma época em que normalmente não há muitos casos. O normal é que os casos comecem a aumentar junto com o frio, no fim do outono e início do inverno. Nesta sexta-feira (24) o balanço oficial do governo contabilizava 52.995 casos da doença.

Os riscos de suspender agora as medidas de contenção

A opinião do presidente diverge frontalmente dos sucessivos apelos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para manutenção das medidas de isolamento. O presidente da organização, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que gostaria de ver uma amenização das restrições, mas que suspendê-las pode levar a um ressurgimento mortal do vírus. Ele está preocupado com a expansão da doença na África e com as infecções entre profissionais da saúde, que alcançam 10% da força de trabalho em alguns países.

Hidroxicloroquina e telemedicina liberadas durante a crise

Em documento pontuado por ressalvas sobre a falta de evidências comprovando a ação do medicamento, O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou na quinta-feira (23), o uso de cloroquina e de hidroxicloroquina em pacientes com quadros leves de Covid-19, quadros com sintomas importantes mas sem necessidade de cuidados intensivos, e quadros graves com uso de ventilação mecânica. Até então, os medicamentos podiam ser usados apenas nos pacientes graves.

Alvo de grandes debates, a telemedicina chegou a ser regulamentada em 2019, mas a medida foi revogada em 15 dias. Agora, uma nova lei autorizou o seu uso enquanto durar a crise do novo coronavírus. A tecnologia foi liberada para assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões. Em decorrência da pandemia, a compra de medicamentos será permitida por até três vezes com uso de receituário médico assinado e comprovado por meio de imagens digitalizadas, dispensando o receituário físico.

Ansiedade e coragem para enfrentar a pandemia

Em depoimento ao Medscape, o infectologista Luiz Zanella, 36 anos, fala das frustrações, medos e lições do cotidiano na linha de frente do combate ao vírus. Como a maioria dos colegas, o Dr. Zanella se desdobra entre o regime habitual de trabalho e os plantões noturnos e, aos finais de semana, presta atendimento em unidades de terapia intensiva (UTI) nas redes pública e privada.

As recomendações relacionadas com o controle de um surto viral, como a Covid-19, podem ser levadas ao extremo por pessoas com altos níveis de ansiedade de saúde (medo ou preocupação de ter ou contrair doenças graves). Já baixos níveis de ansiedade de saúde também podem ter consequências indesejáveis. O assunto é abordado em artigo publicado no periódico Journal of Anxiety Disorders e comentado pelo Dr. Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Novas descobertas

O caminho percorrido pelo vírus até o cérebro está sendo investigado por pesquisadores em São Paulo por meio de autópsias. Novos estudos revelam que o vírus SARS-CoV-2 pode afetar funções neurológicas e causar danos ao sistema nervoso central. Os sintomas vão da dor de cabeça e tontura até alterações de consciência, convulsões, acidentes vasculares cerebrais, falta de coordenação motora e fraqueza muscular. Existe a possibilidade de o vírus afetar centros respiratórios do tronco cerebral.

Dois relatórios sobre a evolução de 603 pacientes com Covid-19 atendidos em dois hospitais universitários de Wuhan, na China, descrevem as características dos pacientes com Covid-19 que evoluem com lesão miocárdica. Em editorial publicado on-line no periódico JAMA Cardiology, Dr. Robert O. Bonow e coautores afirmam que esses pacientes “têm evidências clínicas de maior acuidade, com maior incidência de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e de necessidade de ventilação mecânica do que os pacientes sem lesão miocárdica. E os mais propensos a sofrer lesão miocárdica são os idosos com complicações cardiovasculares e diabetes preexistente”.

Falta de evidências

Os estudos em andamento com medicamentos contra a Covid-19 forneceram até agora se baseiam em evidências tênues, segundo o Dr. Paul Auwaerter, advisor do Medscape e médico e professor da Johns Hopkins University School of Medicine. Ele considera o antiviral rendesevir muito promissor, discorre sobre as limitações de um estudo francês com a cloroquina e sobre a ação de   anticorpos monoclonais anti-IL-6 e anti-receptores da IL-6 estudados em ensaios clínicos randomizados desde o final de março.

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