Covid-19: Vírus circulará até setembro, diz relatório

Mônica Tarantino

Notificação

13 de abril de 2020

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a Covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2.

O relatório COVID-19 in Brazil: advantages of a socialized unified health system and preparation to contain cases, publicado em 07 de abril na edição on-line da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, afirma que a circulação do SARS-CoV-2 (sigla do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2), vírus causador da Covid-19 (sigla do inglês, Coronavirus Disease 2019), continuará até meados de setembro no Brasil. O pico da epidemia, segundo os modelos matemáticos usados pelos autores, ocorrerá nos meses de abril e maio.

O ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, que é ortopedista e foi gestor de empresas da área da saúde, está entre os pesquisadores que assinam o relatório técnico. Outro nome conhecido entre os autores do artigo é Wanderson Kleber de Oliveira, Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde do Brasil.

O grupo é composto por pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fiocruz, Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e do Ministério da Saúde.

O trabalho apresenta um breve histórico da pandemia no mundo e lista as estruturas organizacionais ativadas em cenário de pandemia no Brasil. Os autores também destacam as ações e respostas do Ministério da Saúde e a divulgação de um Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus COVID-19 no início das infecções. E mencionam ainda que o Brasil tem experiências anteriores o vírus H1N1, em 2009, que registrou 46.355 casos até março de 2010.

"O número de casos no Brasil está crescendo rapidamente", escreveram os autores. Eles afirmaram que o país poderia ter antecipado medidas se o risco tivesse sido identificado antes e criticam a Organização Mundial da Saúde por um erro de avaliação (OMS).

No dia 27 de janeiro, a agência de saúde da OMS anunciou ter errado na divulgação do risco global do novo coronavírus, que foi descoberto em dezembro. Em relatórios publicados nos três dias anteriores, a agência classificava o risco global como moderado. A OMS se corrigiu, anunciando que o risco global era alto, e não moderado. E que na China o risco era muito alto regional e globalmente.

 

Na ocasião, a porta-voz da entidade disse que houve um erro na redação dos documentos. Três dias depois, em 30 de janeiro, a OMS declarou o surto do novo coronavírus uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

"Isso pode ter dificultado a implementação de intervenções internacionais específicas em tempo hábil, e pode ter resultado em aumento do número de casos na China e a disseminação de casos para outros países, inclusive o Brasil", escreveram os pesquisadores.

As diferenças culturais são apontadas pelos pesquisadores como um fator de impacto no combate à pandemia: "Essas diferenças podem ser decisivas na evolução das pandemias e precisam ser abordadas nos protocolos de ciências sociais."

Enquanto na Ásia o uso de máscaras é algo comum e consolidado como parte dos hábitos da população para prevenir a disseminação de gripe, no Brasil e nas Américas nunca foram feitas campanhas educativas para sugerir o uso desse tipo de acessório. Além disso, há escassez de oferta e dificuldade de compreensão sobre as orientações de uso. No começo, dizia-se que apenas pessoas com sintomas deveriam usar as máscaras, mas agora recomenda-se que as pessoas assintomáticas também usem o acessório caso saiam de casa.

O fator isolamento

Os cientistas consideram um impacto positivo do isolamento social sobre a economia.

O documento pondera que, mesmo se forem cumpridas as medidas de isolamento social que o país tenta adotar, há preocupação com a quantidade de leitos em unidades de terapia intensiva (UTI) e suporte ventilatório para casos graves da doença. Diversos hospitais já estão com mais de 40% dos leitos ocupados por pacientes com sintomas de Covid-19.

Os autores entendem que a contenção do número de casos por meio do isolamento social terá reflexo na economia. "Se o distanciamento social for eficaz, limitando o acesso do público apenas a serviços essenciais, o impacto econômico pode ser mitigado enquanto a epidemia é controlada."

O Brasil enfrenta dificuldades para implementar e manter o isolamento social. Um levantamento feito pelo Instituto Datafolha e publicado em 07 de abril no jornal Folha de São Paulo, revelou que 28% dos entrevistados não seguem total ou parcialmente as orientações do isolamento.

Segundo o Datafolha, 18% dos entrevistados disseram estar complemente isolados e 54% informaram que saem de casa apenas quando não há alternativa.

 

Os pesquisadores ouviram por telefone 1.511 brasileiros adultos de todas as regiões do país. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

 

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