Algoritmo proposto para tratamento da Covid-19 na gestação

Marilynn Larkin

14 de março de 2020

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Nova York (Reuters Health) – Pesquisadores desenvolveram um algoritmo para tratar grávidas em risco de infecção por SARS-CoV-2 e defendem a adoção dele em unidades de saúde.

“Atualmente, existem poucos dados sobre a taxa de infecção e a evolução da Covid-19 em mulheres grávidas”, disse à Reuters Health por e-mail o Dr. David Baud, do Lausanne University Hospital, na Suíça.

No entanto, a experiência com outras epidemias de coronavírus sugere que as grávidas têm risco de doença grave e, embora ainda não tenham sido identificados casos de transmissão vertical, disse ele, “sugerimos que as gestações atuais sejam monitoradas de perto”.

Além disso, acrescentou o médico, os resultados graves em recém-nascidos observados com o vírus Zika “sugerem que, quando um novo patógeno surge, devemos estar preparados para o pior cenário possível”.

Com isso em mente, Dr. David e colaboradores criaram um algoritmo para os médicos que tratam de gestantes.

“Acreditamos fortemente que um algoritmo é mais fácil de ler e entender do que um texto”, disse ele.

“Provavelmente ainda é muito cedo para que as sociedades médicas adotem nossa diretriz, mas ela foi mencionada por algumas delas, como a Sociedade Suíça de Ginecologia e Obstetrícia ( veja aqui ).

O algoritmo e as diretrizes, ambos publicados no The Lancet Infectious Diseases, serão atualizados à medida que novos dados surgirem, acrescentou ele.

Entre os destaques das diretrizes estão:

– Gestantes que viajaram em algum país afetado pelo SARS-CoV-2 nos últimos 14 dias ou que tiveram contato próximo com um indivíduo com infecção confirmada devem ser avaliadas com um teste de amplificação de ácido nucleico de SARS-CoV-2, mesmo se assintomático.

– Gestantes assintomáticas com infecção por SARS-CoV-2 confirmada em laboratório devem se automonitorar em casa por pelo menos 14 dias; essas mulheres e as que estiverem se recuperando de doença leve devem ser monitoradas com ultrassonografia bimestral de crescimento fetal e avaliações com Doppler.

– Gestantes com pneumonia da Covid-19 devem ser tratadas por uma equipe multidisciplinar em um centro de atendimento terciário.

– Para grávidas com infecção confirmada, o momento do parto deve ser individualizado, dependendo da semana de gestação e das condições maternas, fetais e de parto. Sempre que possível, prefere-se o parto vaginal por indução do parto, com eventual parto instrumental para evitar a exaustão materna.

– Recém-nascidos de mães positivas para SARS-CoV-2 devem ser isolados por pelo menos 14 dias ou até que a eliminação viral acabe; a amamentação direta não é recomendada durante esse período.

– As recomendações devem ser adaptadas às unidades de saúde locais e em resposta a novas atualizações sobre o SARS-CoV-2 e a Covid-19.

O Dr. David disse: “Precisamos de mais dados sobre a potencial transmissão vertical, impacto no feto quando a Covid-19 se dá durante o segundo ou terceiro trimestre, taxa de infecção grave na mãe e acompanhamento em longo prazo”.

Sua equipe lançou um registro internacional chamado Covi-Preg (Registro Internacional de Covid-19 e Gravidez) e centros médicos e maternidades em todo o mundo são convidados a participar. Para mais informações, entre em contato com o Dr. Baud diretamente em: David.Baud@chuv.ch.

A Dra. Ashley Roman, diretora da Divisão de Medicina Fetal Materna da NYU Langone Health na cidade de Nova York, comentou em um e-mail à Reuters Health: “Os princípios gerais que norteiam essas recomendações são consistentes com outras diretrizes – a preocupação de que as gestantes têm maior probabilidade de ser gravemente afetadas pela Covid-19, e a consideração de que lactentes nascidos de mulheres com a infecção devem ser protegidos de adquirir Covid-19 de suas mães”.

“Estratégias de tratamento, como vigilância rigorosa das gestações afetadas por Covid-19, avaliação frequente do feto por ultrassom e hospitalização de grávidas sintomáticas com infecção Covid-19 confirmada fazem todo sentido”, disse ela.

“Algumas especificidades recomendadas pelos autores estarão sujeitas a variações regionais e internacionais nos padrões de atendimento”, observou a médica.

“Por exemplo, os autores desaconselham toda a amamentação, enquanto os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos indicam que a amamentação é recomendada e que o leite materno ordenhado deve ser administrado por um profissional de saúde saudável”.

“Mas os princípios norteadores são os mesmos – gestações complicadas pela Covid-19 devem ser consideradas de alto risco e merecem uma vigilância cuidadosa da mãe, do desenvolvimento do feto e do recém-nascido”, concluiu.

Fontes: http://bit.ly/3aFfqSZ e http://bit.ly/3cLvW5W

The Lancet Infectious Diseases, on-line 3 de março de 2020.

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