Jovem de 23 anos fica cega após uma queda da qual ela não consegue se lembrar

Dr. Jeffrey S. Forrest; Alexander B. Shortridge

Notificação

4 de fevereiro de 2020

Nota do editor: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Jovem de 23 anos é levada ao pronto-socorro pela mãe preocupada depois de aparentemente ter sofrido uma queda. A mãe informou ter encontrado a paciente cedo naquela manhã deitada no chão do banheiro, olhando fixamente para o teto.

A jovem disse que havia adormecido algumas horas antes, enquanto estudava para provas, e que acordou com vontade de urinar. Ela disse não conseguir se lembrar o que aconteceu depois disso. Ela não conseguiu levantar sem a ajuda da mãe. A paciente minimizou a queda e teve de ser persuadida pela mãe a ir ao pronto-socorro. A paciente disse que poderia ter batido a cabeça na pia do banheiro ao cair, mas negou dor e perda da consciência. A jovem também mencionou displicentemente que não estava enxergando com o olho esquerdo, e referiu fraqueza do membro inferior ipsolateral.

Quando indagada sobre sua história clínica, a paciente só informou ter migrânea ocasional, para a qual toma sumatriptano. A mãe disse ainda que a filha também toma alosetrona para síndrome do intestino irritável e fluoxetina para depressão.

A paciente estava visivelmente despreocupada com o próprio quadro. A mãe disse que ela sofreu vários episódios de estresse de vida importantes recentemente, como o diagnóstico recente de glioblastoma multiforme em fase terminal no pai e o aumento da pressão de seu rigoroso programa de treinamento em enfermagem. Quando indagada a respeito, a paciente minimizou sua situação atual, simplesmente dizendo: "Tenho altos e baixos". Negou ideação, planos, gestos ou intenção suicida.

Exame físico e propedêutica

A paciente tem 1,57 m e pesa 54,43 kg. Frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto. A saturação de oxigênio é de 95% em ar ambiente. Frequência respiratória de 14 incursões por minuto, pressão arterial de 128 × 84 mmHg e temperatura de 36,8 °C. Ela parece estar calma, mas também indiferente.

Pode-se observar uma equimose à direita na fronte, de possível trauma recente. Normocefálica. Membrana timpânica aparentemente normal. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. A acuidade visual 20/250 no olho esquerdo (teste de Snellen) e 20/20 no olho direito. Nistagmo optocinético.

Ausculta cardíaca sem sopros, atrito ou galope. Ritmo cardíaco regular. Respiração normal. Pulmões limpos. Abdome flácido, indolor e peristáltico, timpânico à percussão. Ausência de queda de face e pares cranianos íntegros. Hoover e Babinski negativos. Na avaliação da marcha a paciente não conseguiu caminhar sem ajuda. Força 1/5 no membro inferior esquerdo e 5/5 nos outros membros.

Ao contar sua história, a paciente confirmou, porém minimizando, os estresses aos quais a mãe se referiu. Falou: "eu posso lidar com isso". Negou história familiar de doença mental. Ao exame do estado mental, paciente vigil e orientada, auto e alopsiquicamente. Apresentação adequada e boa higiene. Seu comportamento é desconectado. Sua fala é baixa, com respostas lentas, ritmo e prosódia dentro da normalidade. O processo do pensamento é lógico, linear, objetivo e direcionado. Negou delírios, paranoia, pensamentos intrusivos ou involuntários.

Negou experiências fora do corpo, embora tenha concordado com a afirmação que "o mundo parece um sonho". Ela continua dizendo: "Eu estou bem". Como observado no exame inicial, a paciente negou ideação, planos, gestos ou intenção suicida. Seu afeto é compatível com seu humor; aparentemente embotado, transmitindo uma nítida falta de preocupação. Ela responde às perguntas de forma adequada. Responde ao exame de subtração seriada do número sete sem errar, e fala os meses do ano de trás para frente com sucesso. Lembra-se dos três itens solicitados para lembrar. Suas memórias recente e de longo prazo estão preservadas. Aparentemente tem pouco senso crítico, visto que não parece se preocupar com sinais e sintomas importantes. A paciente parece limitada na capacidade de tomar decisões no momento. Quando indagada sobre provérbios como: "Quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho", ela respondeu que isso era bobagem.

Eletrocardiograma (ECG) normal. Tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste também normal, sem indícios de lesões de massa, acidente vascular cerebral ou sangramento (Figura).

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