Os médicos se juntaram à indústria para elaborar um documento de melhores práticas para o uso dos dispositivos de monitoramento biométrico vestíveis, os wearables, no intuito de ajudar a preparar as pessoas para o que parece ser uma revolução na relação tanto com a tecnologia quanto com os profissionais de saúde.
A Guidance for Wearable Health Solutions, elaborada pela Heart Rhythm Society (HRS) junto com a Consumer Technology Association (CTA), ambas norte-americanas, busca contribuir para que a compreensão das pessoas sobre os monitores biométricos vestíveis esteja alinhada ao potencial e às implicações para os cuidados com a saúde desses dispositivos.
A orientação de melhores práticas vai muito além do Apple Watch e rastreadores específicos da atividade física, englobando tecnologias previstas para ter algum impacto, mas que foram menos analisadas nos estudos.
A tecnologia vestível, observa o documento, "inclui tudo, desde aparelhos de aptidão física, relógios inteligentes, aparelhos portáteis de realidade virtual e aumentada, óculos inteligentes, aparelhos auditivos, roupas inteligentes e até mesmo joias inteligentes. É um dos setores de crescimento mais rápido na indústria da tecnologia".
Como afirma o documento, a orientação "foi revisada por médicos, enfermeiros, representantes dos pacientes, empresas de tecnologia e instituições de saúde". A orientação foi publicada on-line em 09 de janeiro nos sites da HRS e da CTA de modo a coincidir com a seu lançamento em um painel de apresentação na associação de comércio Consumer Electronics Show (CES), nos Estados Unidos.
Os dispositivos vestíveis podem ser úteis para a monitorização dos pacientes que já têm algum diagnóstico, mas este documento destina-se às pessoas que não são pacientes, disse ao Medscape o primeiro autor, Dr. Nassir Marrouche, médico.
"Essas pessoas ainda não estão doentes nem estão fazendo um acompanhamento médico; esta é a população na qual estamos focando, nas pessoas que têm esses dispositivos e os estão usando", disse o Dr. Nassir, da Tulane University School of Medicine, nos EUA.
Os médicos já atendem muitas pessoas que estão "usando algum dispositivo vestível para controlar a própria saúde, acompanhar a capacidade física ou por estarem preocupadas", mesmo que não estejam doentes.
"Estamos vivendo em um mundo desconhecido", disse o médico. "É nossa responsabilidade como médicos responder a este fenômeno." A HRS "viu a necessidade de uma sociedade fazer parte desse processo junto com os consumidores, os fabricantes, as pessoas que usam os dispositivos, e iniciar uma parceria com eles".
O documento apresenta as possíveis vantagens dos monitores biométricos vestíveis "como um todo", inclusive a oportunidade de se engajar com a própria saúde, o incentivo a comportamentos saudáveis, os "diagnósticos mais precoces e precisos, os tratamentos mais personalizados e melhores resultados", afirma.
Abordando a segurança, a privacidade e as questões de regulamentação que atingem o consumidor na medida em que se relacionam com a confidencialidade e o tratamento dos dados biométricos obtidos, o documento menciona os importantes desafios que os médicos terão de enfrentar.
Esses desafios, indica o documento, vão além do "potencial tsunami de dados que os dispositivos vestíveis dos pacientes" irão gerar.
"Os médicos têm sido tradicionalmente os detentores das informações sobre a saúde. Esse papel está mudando à medida que os pacientes querem ter acesso a esses dados e controlar sua própria saúde."
O Dr. Nassir ressaltou a importância da coleta dos dados gerados pelos dispositivos vestíveis e incentivou os médicos a se comunicarem com os consumidores para "orientá-los a compartilhar seus dados" para utilização em ensaios clínicos.
"Quanto mais dados tivermos, mais inteligentes estes dispositivos serão."
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Citar este artigo: Médicos se juntam à indústria para elaborar diretrizes para uso de wearables - Medscape - 24 de janeiro de 2020.
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