ACP publica diretrizes para terapia de reposição de testosterona para melhora da função sexual de homens mais velhos

Nicola M. Parry

Notificação

20 de janeiro de 2020

O American College of Physicians (ACP) publicou novas diretrizes clínicas com recomendações práticas para a terapia de reposição de testosterona em homens adultos com baixa dosagem do hormônio em função da idade.

As recomendações baseadas em evidências são direcionadas a todos os médicos, e foram publicadas on-line em 06 de janeiro no periódico Annals of Internal Medicine, destacando dados de uma revisão sistemática de evidências sobre a segurança e eficácia da terapia de reposição de testosterona em homens adultos com baixa dosagem do hormônio em função da idade.

Os níveis séricos de testosterona caem com o envelhecimento, começando por volta da metade da quarta década de vida; aproximadamente 20% dos homens norte-americanos com mais de 60 anos têm baixos níveis de testosterona.

No entanto, não existe um nível de testosterona amplamente aceito que represente uma medida abaixo da qual ocorram sintomas de deficiência de androgênio e resultados adversos à saúde.

Além disso, o papel da terapia de reposição de testosterona no acompanhamento dessa população de pacientes é controverso.

"O objetivo destas diretrizes do ACP é apresentar recomendações baseadas nas melhores evidências disponíveis sobre os benefícios, malefícios e custos da terapia de reposição de testosterona em homens adultos com baixa dosagem do hormônio em função da idade", segundo Dr. Amir Qaseem, do ACP, nos Estados Unidos, e colaboradores.

"Estas diretrizes não abordam o rastreio ou o diagnóstico do hipogonadismo ou o monitoramento dos níveis de testosterona", observaram os autores.

Em particular, as recomendações sugerem que os médicos devem iniciar a terapia de reposição de testosterona nesses pacientes apenas para ajudá-los a melhorar sua função sexual.

Segundo os autores, evidências com moderado grau de certeza provenientes de sete ensaios clínicos envolvendo terapias de reposição de testosterona em homens adultos com declínio do hormônio em função da idade mostraram uma pequena melhora na função sexual global, enquanto evidências de baixo grau de certeza provenientes de sete ensaios clínicos mostraram uma pequena melhora na função erétil.

Por outro lado, as diretrizes enfatizam que os médicos devem evitar prescrever terapia de reposição de testosterona por qualquer outro motivo para essa população. As evidências disponíveis demonstram pouca ou nenhuma melhora na função física, sintomas depressivos, energia, vitalidade ou cognição entre esses homens após o tratamento com testosterona, enfatizaram os autores.

O ACP recomenda que os médicos reavaliem os sintomas dos pacientes em até 12 meses após o início da terapia de reposição de testosterona, com avaliações regulares durante o acompanhamento. Os médicos devem interromper o tratamento se a função sexual não melhorar.

As diretrizes também recomendam o uso de formulações intramusculares de testosterona para essa população de pacientes em vez das transdérmicas, porque as formulações intramusculares custam menos e têm eficácia e riscos clínicos semelhantes.

"O custo anual por beneficiário para terapia de reposição de testosterona em 2016 foi de 2.135,32 dólares para a formulação transdérmica e de 156,24 dólares para a formulação intramuscular, de acordo com os requerimentos de medicamentos pagos fornecidos nos dados do Medicare Part D Drug Claim de 2016", escreveram os autores.    

Em um editorial que acompanha o estudo, o Dr. E. Victor Adlin, médico, Lewis Katz School of Medicine da Temple University, nos EUA, observou que as novas diretrizes do ACP são, no geral, semelhantes às propostas recentemente pela Endocrine Society e pela American Urological Association.

No entanto, ele acredita que muitos médicos questionarão a recomendação do ACP de dar preferência a formulações intramusculares de testosterona em relação às transdérmicas.

Embora o Dr. Victor reconheça o custo mais baixo das preparações intramusculares como uma das principais considerações, ele explicou que "a necessidade de uma injeção intramuscular a cada uma a quatro semanas é uma potencial barreira à adesão, e alguns pacientes precisam ir até algum serviço de saúde para receber as injeções, o que pode aumentar a despesa".

Os níveis flutuantes de testosterona sérica após cada injeção também podem resultar em alívio irregular dos sintomas e dificuldade em alcançar o nível sérico desejado, acrescentou o médico.

"A preferência individual pode variar muito na escolha da terapia de reposição de testosterona."

No geral, o Dr. Victor enfatizou que a discussão entre o médico e o paciente deve servir como base para iniciar a terapia de reposição de testosterona em homens com baixa dosagem do hormônio em função da idade; com o paciente desempenhando um papel central no processo decisório sobre o tratamento.

As diretrizes foram desenvolvidas com apoio financeiro do orçamento operacional do American College of Physicians. A autora do estudo, Dra. Carrie Horwitch informou que trabalha como administradora fiduciária para Washington State Medical Association. A Dra. Jennifer S. Lin, membro do Comitê de Diretrizes Clínicas do ACP, informou que trabalha para o Kaiser Permanente. O Dr. Robert McLean, outro membro do comitê, informou que trabalha para o Northeast Medical Group. Os demais autores e editorialistas informaram não ter relações financeiras relevantes.

Ann Intern Med. Publicado on-line em 06 de janeiro de 2020. Texto completo, Editorial

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