Lesão nodular dolorosa subungueal no dedo com aumento da sensibilidade

Dra. Aline Serfaty

Notificação

16 de janeiro de 2020

Imagens comentadas

Ressonância magnética (RM) do primeiro quirodáctilo em plano coronal, sequências ponderadas em T1 e densidade protônica com saturação de gordura.

Observa-se imagem nodular sólida com sinal intermediário em T1 e alto sinal em densidade protônica com saturação de gordura, localizada junto ao leito ungueal da falange proximal do I dedo com contornos regulares e limites bem definidos.

RM do primeiro quirodáctilo em plano axial, sequências ponderadas em T1 e em densidade protônica com saturação de gordura.

A lesão nodular determina discreto remodelamento da cortical óssea subjacente e mede cerca de 0,7 cm x 0,5 cm.

RM do primeiro quirodáctilo em plano sagital, sequências ponderadas em T1 e em densidade protônica com saturação de gordura.

RM do primeiro quirodáctilo em plano axial, sequência ponderada em T1 após a administração de contraste venoso.

Observa-se intenso realce após a administração do meio de contraste venoso.  

Discussão

O tumor glômico é um hamartoma que surge do corpo glômico, uma derivação arteriovenosa na derme que contribui para a regulação da temperatura dos dedos. A apresentação clínica clássica é a tríade de dor e sensibilidade na ponta dos dedos, e sensibilidade ao frio.

O envolvimento ósseo se caracteriza por erosão ou destruição óssea, e ocorre mais raramente do que o acometimento das partes moles, observando-se lesões insuflativas discretas associadas a bordas escleróticas, típicas de um processo de crescimento lento.

Os principais diagnósticos diferenciais incluem cisto mucoso, tumor de células gigantes da bainha do tendão e cisto epidermoide.

  • Cistos mucosos são lesões que surgem mais comumente no aspecto dorsal da articulação interfalângica distal, sendo usualmente isointensas ao fluido em todas as sequências de pulso e sem realce após a administração do meio de contraste.

  • Os cistos epidermoides são geralmente indolores, resultam de trauma penetrante prévio com subsequente proliferação de elementos dérmicos e apresentam características de sinal semelhantes às dos tumores glômicos.

  • O tumor de células gigantes da bainha do tendão é a segunda massa mais comum no dedo depois do cisto ganglionar. Nas imagens de RM observa-se proximidade de uma bainha tendínea e realce intenso após o contraste. No entanto, essas lesões não costumam ser tão hiperintensas nas imagens ponderadas em T2 quanto um tumor glômico. Além disso, observa-se com frequência a presença de hemossiderina.

O tumor glômico é uma lesão relativamente rara, que pode se apresentar como uma massa na ponta dos dedos. Outras lesões na ponta dos dedos, como cistos mucosos, cistos de inclusão epidermoide e tumores de células gigantes da bainha do tendão podem ter aparência semelhante, mas a apresentação clínica e as características específicas de imagem por RM geralmente permitem um diagnóstico definitivo.

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