(Reuters Health) – Com os produtos comestíveis de maconha se tornando legais e disponíveis em mais locais, especialistas alertam sobre riscos inesperados para a saúde. Em um comentário no periódico Canadian Medical Association Journal (CMAJ), pesquisadores canadenses exploraram os possíveis perigos associados aos alimentos que contêm C annabis.
Entre os riscos eles salientam a overdose inadvertida – a maconha ingerida leva mais tempo para fazer efeito do que a fumada –, o consumo acidental por crianças e a efeitos inesperados em idosos.
"O que realmente queremos que o público saiba é que legal não significa seguro", disse o co-autor do estudo, Dr. Lawrence Loh, professor adjunto da Dalla Lana School of Public Health, da University of Toronto (Canadá).
"As pessoas precisam saber que a forma com que elas reagem dependerá da maneira como a Cannabis é consumida, da quantidade consumida e do metabolismo de quem consumiu. É por isso que aconselhamos que todos sejam cautelosos ao consumir alimentos com maconha".
Uma questão, apontou o Dr. Lawrence, é que pode levar horas até que o barato da maconha ingerida seja sentido – o que não ocorre com a maconha fumada. Portanto, pode haver a tentação de comer mais, o que pode levar a uma overdose.
Embora a overdose de maconha não mate, ela pode ser bem desagradável, disse o Dr. Lawrence.
"Basicamente, as pessoas podem experimentar coração acelerado, suor, delírios e alucinações. Por isso, sugerimos que as pessoas comecem com uma quantidade pequena e vão consumindo devagar", acrescentou.
O pesquisador também recomenda que os idosos tenham cuidado extra com a maconha comestível, especialmente aqueles que não estão familiarizados com a droga, pois eles podem ter maior risco de quedas e lesões quando sob efeito de Cannabis.
Outro aviso: os adultos devem estar cientes de que os produtos comestíveis de maconha podem atrair crianças que não sabem o que eles contêm. Portanto, esses produtos devem ser armazenados com cuidado "para garantir que as crianças não tenham acesso a eles", advertiu o Dr. Lawrence.
Os autores também sugerem que os médicos adicionem perguntas sobre consumo de Cannabis durante as consultas, para que possam oferecer informação e aconselhamento aos pacientes.
Um alerta como esse "é realmente importante", disse o Dr. Michael Lynch, diretor médico do Pittsburgh Poison Center e professor assistente da Divisão de Toxicologia Médica da University of Pittsburgh School of Medicine, na Pensilvânia.
O início tardio dos efeitos da Cannabis ingerida pode desanimar algumas pessoas, disse o Dr. Michael.
"Mas este 'atraso' pode ser um benefício para quem não esteja buscando um barato rápido e intenso, e sim uma experiência mais leve e prolongada. O importante é que as pessoas entendam que devem evitar consumir grandes quantidades porque o efeito é retardado".
E embora o risco de morte por overdose seja baixo, o Dr. Michael alertou: "o risco potencial de complicações médicas ou lesões é bem real, e o risco é maior para jovens e idosos".
"Durante a overdose há o risco de intoxicação, comprometimento cognitivo, incapacidade de coordenar movimentos, quedas, náuseas e vômitos", disse o Dr. Michael Lynch, acrescentando que para algumas pessoas há ainda o risco de eventos psicóticos.
A frequência cardíaca acelerada e o aumento na pressão arterial também podem ser um problema a mais para muitos idosos, disse Lynch.
Outro problema com os comestíveis é que o efeito tardio e prolongado pode afetar o dia seguinte de trabalho ou estudo.
"As pessoas precisam ser informadas sobre estes riscos, para evitar resultados desastrosos."
FONTE: https://bit.ly/2ZY0ueE CMAJ, on-line em 6 de janeiro de 2020.
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Citar este artigo: Os riscos imprevisíveis dos produtos comestíveis de Cannabis - Medscape - 9 de janeiro de 2020.
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