Nota do editor:
A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.
Contexto
Homem caucasiano de 65 anos chega ao pronto-socorro com grande distensão abdominal. Informa que seu abdome tem estado cada vez mais distendido nos últimos quatro dias. Refere diminuição do apetite e náuseas, sem vômitos. Também descreve desconforto abdominal e leve dor difusa. Relata que a sua última deposição de fezes foi há cinco dias. Está eliminando flatos.
Nega febre, calafrios ou dor torácica. Menciona dificuldade de respirar. A anamnese revela história de hipotireoidismo, que ele trata com levotiroxina. Também foi diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) para a qual usa albuterol inalatório, budesonida e formoterol inalatórios. Também apresenta hipertensão arterial sistêmica , para a qual toma anlodipino, e hiperlipidemia, para a qual toma atorvastatina.
Sua história cirúrgica revela reparo de laceração do menisco no joelho direito. O paciente informa história de tabagismo de 50 maços-ano e nega história significativa de uso de álcool ou drogas ilícitas.
Recentemente foi internado por exacerbação da DPOC e bronquite aguda. A internação foi prolongada (sete dias), e ele foi tratado com metilprednisolona intravenosa, albuterol, budesonida e arformoterol intravenosos. O paciente teve alta domiciliar com prescrição de redução gradual da dose de prednisona oral há quatro dias.
Exame físico e propedêutica
Ao dar entrada no serviço de emergência, o paciente apresenta 37,16 °C de temperatura, frequência cardíaca de 104 batimentos por minuto, frequência respiratória de 22 incursões respiratórias por minuto, pressão arterial de 112 × 84 mmHg e saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente.
Ao exame parece desconfortável e está deitado em decúbito dorsal; sua mucosa oral está ressecada. O exame do abdome revela grande distensão abdominal, com leve dor difusa à palpação e sem sinal de descompressão dolorosa nem defesa. Peristalse presente e abdome timpânico. Sua dor abdominal parece desproporcional aos achados do exame físico.
Resultados dos exames laboratoriais:
Leucometria: 14.000 células/mm3 (referência de 4.500 a 11.000 células/mm3)
Hemoglobina: 13,9 g/dL (referência de 13,5 a 17,5 g/dL)
Hematócrito: 37% (referência de 45% a 52%).
Contagem de plaquetas: 306.000 células/mm3 (referência de 150.000 a 450.000 células/mm3)
Sódio: 135 mEq/L (referência de 135 a 145 mEq/L)
Potássio: 3,5 mmol/L (referência de 3,6 a 5,2 mmol/L)
Cloreto: 107 mmol/L (referência de 98 a 106 mmol/L)
Nitrogênio ureico: 43 g/dL (referência de 7 a 20 mg/dL)
Creatinina: 1,51 mg/dL (referência de 0,6 a 1,2 mg/dL)
Glicose: 102 mg/dL (referência < 100 mg/dL)
Aminotransferase aspartato: 46 U/L (referência de 10 a 40 U/L)
Aminotransferase alanina: 41 U/L (referência de 7 a 56 U/L)
Fosfatase alcalina: 142 UI/L (referência de 44 a 147 UI/L)
Amilase: 25 U/L (referência de 23 a 85 U/L)
Lipase: 19 U/L (referência de 0 a 160 U/L)
Lactato: 0,7 mmol/L (referência de 0,5 a 1,0 mmol/L)
Todos os outros exames laboratoriais estão normais. É feita uma radiografia de abdome. O paciente é internado por causa dos seus exames. Uma tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve sem contraste é feita na sequência. Os achados dos exames de imagem são mostrados abaixo (Figuras 1 a 4).
Figura 1.
Figura 2.
Figura 3.
Figura 4.
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Citar este artigo: Homem de 65 anos com abdome muito distendido - Medscape - 7 de janeiro de 2020.
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