CONVERSA DE MÉDICO

O Coringa: estigma e abandono na doença mental

O podcast do Medscape edição em Português

Dr. Luís Fernando Correia

Notificação

6 de dezembro de 2019

 

Nesse episódio do Conversa de Médico falamos sobre o filme O Coringa, e para nos ajudar convidamos o Dr. Sivan Mauer, psiquiatra e advisor de Psiquiatria do Medscape Edição em Português.

Segundo o Dr. Sivan, mais do que conseguir estabelecer um diagnóstico psiquiátrico do personagem do filme – já que isso depende de informações que não se pode inferir completamente apenas com o roteiro do filme – é fundamental entender o contexto médico e social no qual se desenrolam as ações do filme.

O protagonista, ao início da história, recebia tratamento médico adequado e o necessário suporte social. Quando ele perde esse suporte, inicia-se a caminhada e direção à ruptura do tênue equilíbrio estabelecido até então.

Embora a violência possa chamar a atenção de quem assiste o filme, ela não é parte do quadro inicial do personagem, como também não faz parte do dia a dia dos pacientes psiquiátricos na vida real. Os pacientes, na sua grande maioria, não são violentos quando estão tratados e vivendo na forma crônica estabilizada de seus transtornos mentais.

Mais do que nos fazer pensar sobre um paciente psiquiátrico, o filme nos leva a refletir sobre como a sociedade lida com esses indivíduos e quais são os suportes que proporciona a eles.

É preciso lembrar o contexto histórico da época em que se passa a trama. A ação se dá nos anos 80, início do período neoliberal e das ideias do estado mínimo, lembra o Dr. Sivan. Nesse momento, especialmente nos Estados Unidos, as estruturas de suporte para os pacientes psiquiátricos são desmontadas. Se cria assim o cenário que culmina com muitas cidades norte-americanas registrando enormes contingentes de população de rua, a maioria delas portadora de transtornos psiquiátricos não tratados.

No Brasil não é diferente, e muitas vezes os doentes acabam no sistema prisional, encarcerados por conta de crimes e contravenções decorrentes de episódios de violência originados pela falta de tratamento.

A ausência de leitos nos hospitais gerais, com estrutura adequada para receber esses pacientes em momentos agudos mostra como a sociedade brasileira não consegue ainda enfrentar a doença psiquiátrica.

O Coringa, mais do que entretenimento, suscita uma reflexão importante sobre a doença mental e sobre como lidamos com ela, seja individualmente ou como sociedade.

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