Mepolizumabe é aprovado para tratamento de asma grave a partir de seis anos

Elioenai Paes

Notificação

23 de outubro de 2019

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação de uso do medicamento biológico mepolizumabe, que agora também pode ser utilizado como tratamento complementar de manutenção da asma eosinofílica grave em pacientes pediátricos a partir de seis anos de idade. [1]

No Brasil, o medicamento, que havia sido aprovado para o controle da asma grave em adultos em 2017, agora passa a ser indicado como tratamento complementar de manutenção da asma eosinofílica grave em pacientes adultos e pediátricos a partir de seis anos de idade. O mepolizumabe é indicado como tratamento complementar aos corticosteroides em pacientes adultos com granulomatose eosinofílica com poliangeíte recidivante (GEPA) ou refratária. [2] A ampliação de uso para pacientes pediátricos também foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) norte-americana. [1]

O mepolizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado com ação antagonista seletiva pela interleucina 5 (IL-5). A forte ligação entre as moléculas impede que a IL-5 ligue-se à cadeia alfa de seu receptor, presente na membrana dos eosinófilos, inibindo a inflamação mediada por essas células do sistema imunológico. A IL-5 é considerada a principal citocina no processo de crescimento, diferenciação, recrutamento, ativação e sobrevivência de eosinófilos. [3]

A aprovação da extensão de indicação está embasada por um estudo open-label feito com 36 pacientes entre 6 e 11 anos de idade com asma grave. Os pacientes com < 40 kg receberam 40 mg de mepolizumabe subcutâneo a cada quatro semanas. Já os pacientes com > 40 kg receberam 100 mg subcutâneo por 12 semanas (fase inicial), seguido por interrupção do tratamento por oito semanas.

Após a conclusão da fase inicial, 30 pacientes voltaram a receber o medicamento durante 52 semanas (fase longa), determinando que o padrão de eventos adversos entre pacientes pediátricos (6 a 11 anos) é similar ao observado em indivíduos com 12 anos ou mais. [3]

A dose recomendada pela Anvisa para crianças entre 6 e 11 anos com quadro de asma eosinofílica grave é de 40 mg a cada quatro semanas, independentemente do peso corporal. [3]

Os eventos adversos observados com maior incidência (≥ 5%) foram: dor de cabeça, reação cutânea no local da aplicação, cansaço e dor nas costas. [3] Até o momento, não consta no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e não foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) pela comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONICTEC).

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